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| Fábio Mota, presidente do Vitória — Foto: Felipe Teles / TV Bahia |
O Vitória atravessa uma daquelas semanas em que o futebol parece ter decidido cobrar todas as suas dívidas de uma vez. Quatro derrotas consecutivas, eliminação da Copa do Brasil, aproximação perigosa da zona de rebaixamento e, agora, o peso de uma dívida de R$ 335.635.180,00. Foi nesse cenário que o presidente Fábio Mota abriu as contas do clube e pediu ao torcedor aquilo que, no futebol, muitas vezes é mais difícil do que qualquer vitória: um voto de confiança.
A crise não se limita às quatro linhas. Enquanto o time de Jair Ventura tenta juntar os pedaços depois da eliminação para o Vasco nas quartas de final da Copa do Brasil, o Vitória também enfrenta uma realidade financeira que vem de muito antes da atual sequência de derrotas.
Nos últimos dias, o clube sofreu um transfer ban por causa de uma dívida de 70 mil euros, aproximadamente R$ 417 mil, referente à compra do atacante Fabri junto ao Levante, da Espanha, em 2025.
Na última sexta-feira, depois da eliminação diante do Vasco, Fábio Mota convocou uma entrevista coletiva. Não era apenas uma entrevista sobre futebol. Era também uma espécie de prestação de contas diante de uma torcida que, depois de quatro derrotas seguidas, já não olha apenas para o placar. Olha para o futuro.
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Ler notícia →O presidente garantiu que o elenco e o técnico Jair Ventura continuam prestigiados e aproveitou o momento para defender a administração do clube. Segundo ele, o balanço referente a junho de 2026 aponta uma dívida total de R$ 335.635.180,00.
A maior parte desse valor está concentrada em débitos tributários e trabalhistas. Fábio Mota, porém, fez questão de separar o passado do período em que está à frente do Vitória.
A frase carrega mais do que números. Carrega a defesa de uma gestão diante de uma torcida que vive o futebol com a memória curta e o coração comprido. Quatro derrotas podem parecer quatro tragédias diferentes, mas, para quem administra um clube, elas podem se transformar em uma única cobrança: a conta.
Fábio Mota afirmou que os salários estão em dia. Admitiu, entretanto, que o Vitória possui débitos com empresários e jogadores que já deixaram o clube.
Nesse ponto, o presidente voltou a citar o Grêmio. O clube gaúcho ainda não teria quitado integralmente a quantia referente à contratação do zagueiro Wagner Leonardo, realizada em 2025.
CANAL VITÓRIA EM DESTAQUE
Segundo Fábio Mota, a dívida registrada na Câmara Nacional de Resolução de Disputas, a CNRD, chega a R$ 16 milhões. Ele ressaltou, porém, que não há processos referentes à sua gestão nesse montante e que os valores estão sendo pagos de forma parcelada.
E então veio a frase que resume a fotografia financeira apresentada pelo presidente:
É o tipo de frase que parece simples, mas que revela o drama de quem precisa escolher onde colocar o dinheiro quando o dinheiro não chega para todos. No futebol, a bola não espera. O fornecedor também não. O jogador quer receber. O clube precisa competir. E a dívida, essa personagem silenciosa, continua sentada na arquibancada, esperando a próxima conta.
A dívida do Vitória
De acordo com os números apresentados por Fábio Mota, a dívida total do Vitória está distribuída entre diferentes áreas. O maior peso está nos débitos tributários e trabalhistas.
- Tributária: R$ 141.107.684,00
- Trabalhista: R$ 81.584.941,00
- Vitória S.A: R$ 39.646.606,00
- Cível: R$ 20.593.309,00
- Financeira: R$ 20.553.150,00
- CNRD: R$ 16.214.510,00
- Fornecedores: R$ 15.934.980,00
- Total: R$ 335.635.180,00
O presidente também afirmou que o Vitória foi o único clube do Nordeste a divulgar o balanço até junho de 2026. Para Fábio Mota, o dado serve como demonstração de transparência e também como argumento para rebater críticas sobre o tamanho da dívida.
A comparação feita pelo dirigente é direta: quando assumiu a presidência, segundo ele, a dívida ultrapassava R$ 600 milhões. Agora, o número apresentado é de R$ 335 milhões.
A matemática, entretanto, não apaga a angústia do presente. Porque o torcedor não vai ao Barradão para conferir balanço patrimonial. Vai para ver gol. Vai para comemorar. Vai para acreditar.
E quando o time perde quatro vezes seguidas, até uma redução expressiva da dívida passa a disputar espaço com a frustração causada dentro de campo.
Déficit em 2025 e orçamento recorde para 2026
O Vitória encerrou a última temporada com um déficit de aproximadamente R$ 25 milhões, embora o orçamento previsse um lucro de R$ 26 milhões.
Para 2026, o clube aprovou um orçamento bruto de R$ 291,2 milhões, o maior da história do Vitória. O valor líquido projetado é de R$ 252,374 milhões, ligeiramente abaixo dos R$ 252,9 milhões registrados em 2025.
Mesmo diante do cenário financeiro pesado, a previsão do clube é terminar 2026 com lucro líquido de R$ 17 milhões.
É uma aposta no futuro. Uma aposta que precisa sobreviver ao presente.
E o presente, para o Vitória, não tem sido gentil.
Entre a dívida e o futebol
O drama do Vitória está justamente nesse encontro entre duas realidades. De um lado, uma administração que apresenta números para mostrar que a dívida caiu desde o início da gestão. Do outro, um time que chega ao momento mais delicado da temporada depois de uma sequência de derrotas e da eliminação na Copa do Brasil.
O futebol, porém, não costuma respeitar planilhas. Não pergunta quanto o clube devia ontem. Pergunta quanto precisa vencer hoje.
Fábio Mota pediu confiança. O torcedor, naturalmente, quer motivos para concedê-la.
A resposta terá de aparecer em duas frentes: nos números que precisam continuar melhorando fora do campo e, principalmente, nos resultados que precisam mudar dentro dele.
Porque a dívida pode ser parcelada. A esperança, não.
E o Vitória terá de encontrar forças para pagar as duas contas: a financeira, feita de milhões, e a emocional, feita de vitórias.



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