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Vitória perde para o Atlético-MG, chega à terceira derrota seguida e aposta tudo no Barradão contra o Vasco

Rubro-Negro é dominado pelo Atlético-MG, perde por 2 a 1 na Arena MRV e confirma o drama que acompanha o time quando joga longe do Barradão


Atlético Mineiro 2 x 1 Vitória
Atlético-MG x Vitória; Borbas — Foto: Pedro Souza / Atlético-MG

O Vitória voltou a conhecer o gosto amargo da derrota fora de casa. Na noite deste sábado, na Arena MRV, o Rubro-Negro perdeu por 2 a 1 para o Atlético-MG, pela 25ª rodada do Campeonato Brasileiro. E o placar, embora apertado, não conta sozinho a história de uma partida em que o time baiano produziu pouco no ataque, ofereceu espaços demais na defesa e terminou outra noite longe de Salvador carregando a mesma pergunta que já se tornou insistente: por que o Vitória se transforma tanto quando deixa o Barradão?

O futebol, às vezes, tem dessas ironias cruéis. O Atlético-MG entrou em campo pensando na Copa do Brasil, preservou seus principais jogadores e apresentou uma formação com média de apenas 22 anos. O Vitória, por sua vez, também tinha os olhos voltados para o mata-mata nacional. Ainda assim, quem esperava encontrar um adversário fragilizado encontrou um Galo disposto a castigar cada hesitação rubro-negra.

O Vitória chegou a Belo Horizonte depois de uma semana marcada por cobranças. Jair Ventura havia reclamado da falta de tempo para treinar e, depois da derrota por 1 a 0 para o Vasco, pela Copa do Brasil, cobrou dos jogadores uma transformação que fosse além das palavras. Contra o Atlético-MG, entretanto, a resposta não apareceu como o treinador desejava.

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O resultado foi a terceira derrota consecutiva do Vitória na temporada. Antes do tropeço na Arena MRV, o Rubro-Negro havia perdido para o Vasco, no jogo de ida das quartas de final da Copa do Brasil, e para o Bahia, pelo Campeonato Brasileiro.

O Vitória não perdeu apenas uma partida. Perdeu, mais uma vez, a oportunidade de mostrar que consegue ser o mesmo time quando o endereço do jogo muda.

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Um time misto, mas os velhos problemas

Jair Ventura decidiu preservar alguns jogadores e promoveu novidades na equipe. Lucas Arcanjo começou no gol; Brítez, Cacá, Luan Cândido e Jamerson formaram a linha defensiva; Caíque Gonçalves, Martínez e Pochettino ocuparam o meio; Marinho, Diego Tarzia e Alex Bruno completaram o ataque.

Alex Bruno, reforço contratado diretamente da Série D do Campeonato Brasileiro, fez sua estreia pelo Vitória. Diego Tarzia e Pochettino também apareceram entre as novidades. Mas as mudanças de nomes não foram suficientes para modificar aquilo que tem atormentado o Rubro-Negro durante boa parte da temporada: a dificuldade para criar oportunidades e transformar posse de bola em perigo.

O primeiro tempo terminou sem que o Vitória acertasse sequer uma finalização na direção do gol. A estatística não foi uma surpresa. Longe de Salvador, esse tem sido um dos velhos fantasmas do time de Jair Ventura.

O Atlético-MG, mesmo utilizando uma equipe alternativa, encontrou espaço para tocar a bola, avançar e construir suas jogadas. O Vitória assistia. E futebol, como dizia a velha lógica dos grandes estádios, não perdoa quem assiste demais.

Brítez e o primeiro golpe

O primeiro gol nasceu de uma dessas cenas que parecem ter sido escritas por um roteirista de tragédias esportivas.

Aos 24 minutos do primeiro tempo, Brítez tentou afastar a bola, mas chutou o vento. A bola ficou viva dentro da área, oferecida como um presente inesperado. Thiago Borbas não recusou. O atacante do Atlético-MG aproveitou a falha e abriu o placar.

O Vitória pagava caro por um erro individual, mas o problema era maior do que o erro de um jogador. A defesa rubro-negra permitia que o adversário pensasse. E quando se concede tempo para o adversário pensar dentro da própria área, a consequência costuma ser uma só.

O gol deixou ainda mais evidente a diferença de comportamento entre as equipes. O Atlético-MG, mesmo jovem e recheado de reservas, jogava com liberdade. O Vitória carregava o peso de quem parecia disputar não apenas uma partida, mas também contra os próprios fantasmas.

Segundo tempo, mesma história

O Vitória voltou do intervalo com outra disposição. Houve melhora anímica, mais presença no campo ofensivo e uma tentativa de reagir. Mas a intenção não encontrou a execução.

Os erros técnicos continuaram aparecendo. No ataque, o Rubro-Negro tinha dificuldade para concluir as jogadas. Na defesa, bastava um erro para o Atlético-MG encontrar novamente o caminho.

Aos 17 minutos da segunda etapa, Luan Cândido afastou mal um lançamento. A bola caiu nos pés de Reinier. O atacante não desperdiçou a oportunidade e marcou o segundo gol do Atlético-MG.

Dois gols. Duas falhas defensivas. E uma sensação cada vez mais incômoda de que o Vitória estava entregando ao adversário aquilo que não conseguia produzir por conta própria.

O Vitória precisava de futebol. Encontrou erros. Precisava de reação. Encontrou sofrimento. E, quando finalmente encontrou o gol, já era tarde para mudar a história.

Lucas Arcanjo evita uma tragédia maior

Se o placar não foi ainda mais elástico, o Vitória deve agradecer a Lucas Arcanjo.

O goleiro rubro-negro voltou a aparecer em momentos importantes e realizou defesas que impediram o Atlético-MG de ampliar a vantagem. Em uma noite na qual a defesa ofereceu espaços e o ataque produziu pouco, Lucas Arcanjo foi uma das razões para que o Vitória continuasse vivo até os minutos finais.

E então apareceu Erick.

Aos 41 minutos do segundo tempo, o atacante marcou o gol do Vitória e encerrou o jejum ofensivo da equipe na partida. O 2 a 1 devolveu alguma esperança ao Rubro-Negro, mas não mudou o desenho do jogo.

Era tarde demais para uma reação completa. O Vitória até encontrou o gol, mas não encontrou tempo, força ou organização para buscar o empate.

A sina do Vitória como visitante

A derrota na Arena MRV reforça um dos grandes problemas do Vitória em 2026: o desempenho fora de casa.

A equipe de Jair Ventura ainda busca sua primeira vitória como visitante na Série A. O cenário se torna ainda mais preocupante porque o time já acumulou partidas em que não consegue reproduzir longe de Salvador o futebol apresentado diante da própria torcida.

A partida contra o Atlético-MG também veio apenas três dias depois da derrota para o Vasco, em São Januário. O calendário apertado foi novamente um obstáculo, mas não pode servir como explicação para tudo. O próprio Jair Ventura já reconheceu, em outros momentos da temporada, que o Vitória precisa conviver com as exigências de disputar três competições.

Na primeira metade do ano, depois da vitória sobre o Fortaleza na final da Copa do Nordeste, o treinador chegou a afirmar que o clube estava pagando o preço pelo próprio sucesso. O Vitória disputava Série A, Copa do Brasil e Copa do Nordeste, e o desgaste fazia parte da conta.

Agora, porém, a conta chega novamente. E chega acompanhada de uma cobrança ainda maior porque o Rubro-Negro precisa reagir justamente no momento mais delicado da temporada.

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Vitória perde mais uma fora de casa


A Copa do Brasil bate à porta

O Vitória não terá tempo para lamentar a derrota em Belo Horizonte.

O Rubro-Negro volta para Salvador e começa a preparar o confronto decisivo contra o Vasco pelas quartas de final da Copa do Brasil. A partida será disputada na próxima quarta-feira, às 21h30, no Barradão.

No primeiro encontro, em São Januário, o Vasco venceu por 1 a 0. Por isso, o Vitória precisará vencer por dois ou mais gols de diferença para garantir a classificação diretamente no tempo normal.

Se o Rubro-Negro vencer pela diferença mínima, a vaga na semifinal será decidida nos pênaltis.

É aí que a história ganha outro capítulo. Porque, se existe um lugar onde o Vitória costuma encontrar sua força, esse lugar é o Barradão. O problema é que não basta apenas o estádio fazer sua parte. Será preciso que o time faça a sua.

Jair Ventura terá de recuperar jogadores, recuperar confiança e, sobretudo, recuperar o futebol. As palavras já foram ditas. As cobranças já foram feitas. Agora resta aquilo que o treinador havia pedido depois da derrota para o Vasco: atitudes.

O Vitória chega ao Barradão ferido, pressionado e diante de uma decisão. A temporada ainda está aberta, mas o tempo para errar começa a ficar perigosamente pequeno.

Próximo compromisso do Vitória

Vitória x Vasco
Copa do Brasil — quartas de final, jogo de volta
Quarta-feira, às 21h30
Barradão — Salvador

Placar do jogo de ida: Vasco 1 x 0 Vitória

Para avançar no tempo normal: o Vitória precisa vencer por dois ou mais gols de diferença.

Vitória por um gol de diferença: decisão nos pênaltis.

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