O Barradão não será apenas um estádio nesta quarta-feira. Será o lugar onde o Vitória terá de transformar pressão em coragem, desvantagem em esperança e uma noite difícil em uma daquelas histórias que o futebol gosta de escrever quando ninguém mais consegue prever o final. Às 21h30, o Rubro-Negro recebe o Vasco pelo jogo de volta das quartas de final da Copa do Brasil, precisando vencer por dois ou mais gols para avançar diretamente à semifinal.
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Ler notícia →É uma dessas noites em que o futebol deixa de ser apenas futebol. A camisa pesa mais, o silêncio antes do apito parece maior e cada erro ganha uma dimensão quase dramática. O Vitória chega ao confronto depois de três derrotas consecutivas, uma sequência que começou no Ba-Vi, passou pelo duelo de ida contra o Vasco e terminou com a derrota por 2 a 1 para o Atlético-MG, no último domingo.
O momento não é confortável. Pelo contrário. O Rubro-Negro vive uma das fases mais conturbadas da temporada e tem apenas três vitórias nos últimos 11 jogos disputados no segundo semestre. Mas existe uma espécie de memória recente que pode servir como combustível: quando tudo parecia perdido, o Vitória já mostrou que o Barradão pode mudar a história de uma eliminatória.
O Barradão contra a lógica
O estádio rubro-negro será novamente o grande personagem da noite. O Vitória defende um tabu importante diante do Vasco: em cinco confrontos de mata-mata disputados como mandante, jamais perdeu para o clube carioca.
O retrospecto começou em 1989, pela Copa do Brasil, quando Vitória e Vasco empataram em 0 a 0. Em 1999, pelo Campeonato Brasileiro, o Rubro-Negro venceu por 5 a 4 nas quartas de final. Em 2009, novamente pela Copa do Brasil, houve empate em 1 a 1, resultado que terminou com a eliminação do Vitória.
Um ano depois, veio uma das vitórias mais importantes dessa história: 2 a 0 sobre o Vasco, pelas quartas de final da Copa do Brasil. Em 2017, novamente pela competição nacional, o Vitória venceu por 1 a 0.
A escrita, entretanto, não garante classificação. O passado pode inspirar, mas não entra em campo. Dos cinco resultados conquistados pelo Vitória como mandante contra o Vasco em confrontos eliminatórios, somente o 2 a 0 de 2010 garantiria a classificação direta nesta quarta-feira.
O 5 a 4 de 1999 e o 1 a 0 de 2017 levariam a decisão para os pênaltis. Os empates de 1989 e 2009 eliminariam o Rubro-Negro.
Uma noite para o Vitória reagir
A força do Barradão também aparece nos números da temporada. O desempenho do Vitória em 2026 sobe de 48,3% para 73% quando considerados os jogos diante de sua torcida.
No Campeonato Brasileiro, o Rubro-Negro é o quarto melhor mandante. Na própria Copa do Brasil, o estádio já foi palco de duas grandes reações. Contra o Flamengo, o Vitória venceu por 2 a 0 depois de perder a partida de ida por 2 a 1 no Maracanã. Contra o Athletico, a história foi ainda mais contundente: após perder por 2 a 0 fora de casa, o Leão venceu por 4 a 0 no Barradão e avançou.
É nesse passado recente que o Vitória procura alguma coisa além de números: procura acreditar que ainda é possível.
Vitória terá mudanças importantes
O técnico Jair Ventura não poderá repetir a equipe utilizada na partida de ida. Brítez e Caíque Gonçalves estão suspensos pelo acúmulo de cartões amarelos e ficam fora da decisão.
Na defesa, Mateus Silva aparece como principal candidato para ocupar a vaga de Brítez. No meio-campo, Walace surge como uma das alternativas para substituir Caíque Gonçalves.
Renato Kayzer também aparece como possibilidade. Jair Ventura pode optar por uma formação mais ofensiva, repetindo a dupla com Renê que funcionou na virada sobre o Athletico, nas oitavas de final da Copa do Brasil.
Baralhas, que não atua há cinco partidas, ainda é dúvida. Segundo o Vitória, o jogador se recupera de um desconforto muscular.
A provável escalação do Vitória é: Lucas Arcanjo; Mateus Silva, Cacá, Luan Cândido e Ramon; Walace, Zé Vitor e Emmanuel Martínez; Erick, Matheuzinho e Renê.
Vasco chega embalado
Do outro lado está um Vasco que recuperou confiança justamente no momento em que precisava. O time carioca venceu o jogo de ida das quartas de final da Copa do Brasil e também derrotou o Cruzeiro pelo Campeonato Brasileiro.
O técnico português Pedro Emanuel ainda não perdeu em competições eliminatórias e chega a Salvador tentando ampliar essa marca.
O Vasco terá apenas uma ausência provocada por suspensão: Barros, expulso no primeiro jogo. O treinador fez mistério antes da viagem e pode novamente apostar na estratégia de dobrar os laterais pelo lado direito, alternativa que funcionou em São Januário.
Lucas Piton deve substituir Cuiabano, enquanto Spinelli aparece como alternativa para o setor ofensivo.
A provável escalação vascaína é: Léo Jardim; Paulo Henrique, Cuesta, Robert Renan e Lucas Piton; Sosa, Thiago Mendes e Tchê Tchê; Adson, Colidio e Andrés Gómez.
O cálculo da classificação
A matemática da Copa do Brasil é simples, mas cruel. Como perdeu por 1 a 0 em São Januário, o Vitória precisa vencer por um gol de diferença para levar a decisão aos pênaltis.
Se vencer por dois ou mais gols, o Rubro-Negro estará classificado diretamente para a semifinal.
Para o Vasco, qualquer empate será suficiente para garantir a vaga. Uma derrota pela diferença mínima também não elimina o time carioca imediatamente: nesse cenário, a classificação será decidida nas penalidades.
Onde assistir
Vitória e Vasco se enfrentam nesta quarta-feira, às 21h30 (horário de Brasília), no Barradão, pelo jogo de volta das quartas de final da Copa do Brasil 2026.
A partida terá transmissão da TV Globo, sportv, Premiere, ge TV e Amazon Prime.
Também haverá acompanhamento em tempo real, com vídeos exclusivos e todos os principais lances da partida.
Arbitragem
A arbitragem será comandada por Rafael Rodrigo Klein, do Rio Grande do Sul. Bruno Boschilia, do Paraná, e Nailton Junior de Sousa Oliveira, do Ceará, serão os assistentes.
O quarto árbitro será Maguielson Lima Barbosa, do Distrito Federal. No VAR estará Daiane Muniz, de São Paulo.
Uma noite que pode mudar tudo
O Vitória chega ao Barradão machucado. As três derrotas consecutivas deixaram marcas, a campanha recente aumentou a pressão e a vantagem do Vasco transformou a classificação em uma montanha para o Rubro-Negro escalar.
Mas o futebol tem dessas ironias. Às vezes, justamente quando a esperança parece menor, o estádio se transforma. Foi assim contra o Athletico. Foi assim contra o Flamengo. E é exatamente essa lembrança que o Vitória leva para a noite desta quarta-feira.
Jair Ventura terá diante de si um adversário que sabe que um empate basta. Terá também uma equipe que precisa atacar, mas sem esquecer que qualquer gol sofrido pode transformar a missão em quase impossível.
Ao Vitória resta jogar. Jogar como quem sabe que a história ainda não terminou. Jogar como quem entende que 90 minutos podem separar uma temporada comum de uma noite inesquecível.
E quando a bola rolar no Barradão, não haverá retrospecto capaz de fazer o gol. Não haverá estatística capaz de defender. Não haverá passado capaz de vencer o Vasco.
Haverá o Vitória, sua torcida e uma decisão pela frente.
O resto pertence ao futebol.





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