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Jair Ventura cobra reação do Vitória após derrota para o Vasco: “Temos que trocar palavras por atitudes”

Vitória perde por 1 a 0 em São Januário, mesmo atuando com um jogador a mais desde os 17 minutos, e terá de buscar no Barradão a reação que já conseguiu contra Flamengo e Athletico

Jair Ventura em Vasco 1 x 0 Vitória no Estádio de São Januário — Foto: Victor Ferreira / EC Vitória
Jair Ventura em Vasco 1 x 0 Vitória no Estádio de São Januário — Foto: Victor Ferreira / EC Vitória

O Vitória voltou do Rio de Janeiro carregando uma derrota que pesa mais pelo modo como aconteceu do que pelo placar. Na noite desta quarta-feira, o Rubro-Negro perdeu por 1 a 0 para o Vasco, em São Januário, no primeiro jogo das quartas de final da Copa do Brasil. O detalhe que transforma o resultado em uma espécie de espinho atravessado na garganta é que o time Colossal jogou com um homem a mais desde os 17 minutos do primeiro tempo e, ainda assim, não conseguiu transformar a superioridade numérica em superioridade no futebol.

Foi uma noite em que o Vitória teve a bola, mas não teve o jogo. Teve a vantagem numérica, mas não teve o protagonismo. E foi justamente essa contradição que provocou a cobrança de Jair Ventura no vestiário. O treinador reconheceu que sua equipe precisava assumir a responsabilidade da partida e admitiu que, diante de mais uma derrota fora de casa, já não bastam discursos: chegou a hora das atitudes.

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Bastidores do Leão |

A cobrança começou ainda durante a partida e continuou depois do apito final. Para Jair Ventura, a obrigação de jogar contra um adversário com dez jogadores era grande demais para que o Vitória aceitasse simplesmente administrar a situação.

“Foi feita bem forte no intervalo e agora (a cobrança). A obrigação de jogar com um a mais é muito grande e a gente tinha que assumir esse protagonismo”, afirmou o treinador.

No intervalo, Jair tentou mudar a história. Tirou um volante e colocou um atacante, numa tentativa clara de empurrar o Vitória para frente. A equipe passou a ter mais posse de bola e buscou ocupar o campo ofensivo, mas abriu espaços e passou a sofrer com os contra-ataques do Vasco.

O problema, segundo o próprio treinador, foi a falta de produtividade. O Vitória circulou a bola, mas não conseguiu transformar posse em perigo, nem a vantagem numérica em gols. No fim, o que deveria ser uma oportunidade para construir uma vantagem fora de casa terminou com o Vasco comemorando uma vitória mínima.

“Tivemos posse de bola, mas fomos pouco produtivos, essa é a verdade. A gente não conseguiu levar essa vantagem para casa, as coisas foram conversadas dentro do vestiário, e agora temos que fazer o que já fizemos duas vezes, que é reverter o placar em casa. A gente tem total condição de resolver em casa”, disse Jair Ventura.

A frase do treinador aponta para uma esperança que o Vitória já conhece. Nas fases anteriores da Copa do Brasil, o Rubro-Negro também precisou sobreviver a momentos de dificuldade e buscar no Barradão a força necessária para continuar vivo na competição.

Contra o Flamengo, o Vitória conseguiu a classificação depois de um confronto complicado. Diante do Athletico, novamente veio a reação. Foram duas remontadas que colocaram o clube entre os oito melhores da Copa do Brasil. Agora, entretanto, a missão é diferente apenas no tamanho da cobrança: será necessário repetir a história contra o Vasco, mas sem espaço para mais uma noite de futebol tímido.

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Há ainda outro fantasma rondando o Rubro-Negro. O Vitória segue sem vencer fora de casa em competições nacionais nesta temporada. A estatística já deixou de ser apenas um número e passou a fazer parte do discurso de Jair Ventura, que reconheceu o incômodo e assumiu a responsabilidade pelo momento.

“A gente tem que trocar as palavras por atitudes. Não adianta vir aqui repetir as coisas e não entregar a resposta dentro de campo. Nós somos responsáveis por isso, batemos muito na tecla desse jogo, estamos tentando, mas não está sendo suficiente”, afirmou.

A declaração carrega o peso de quem já percebeu que o discurso perdeu parte de sua força. O futebol, afinal, não costuma ter paciência com promessas. No gramado, não existem frases bonitas capazes de alterar um placar. Existem gols, disputas, coragem e decisões. E é justamente isso que o Vitória terá de apresentar no Barradão.

Jair também lembrou que a equipe terá pouco tempo para trabalhar. Não houve treino antes do jogo e não haverá uma semana convencional de preparação para a partida de volta. O treinador, por isso, falou em reinventar a equipe mesmo sem o auxílio de uma sequência normal de atividades.

“A gente tem que se reinventar mesmo sem treino, não teve treino para esse jogo e não vai ter outra vez. A gente não consegue vencer fora então eu tenho que falar as mesmas coisas, porque são sempre as mesmas derrotas. Ninguém está satisfeito, mas estou aqui para assumir responsabilidade”, declarou Jair.

O treinador, porém, não pretende abandonar a luta. A derrota em São Januário não encerra a história do confronto. Pelo contrário: transforma o jogo da próxima quarta-feira, no Barradão, em uma decisão. O Vitória precisará vencer por dois gols de diferença para avançar diretamente às semifinais. Uma vitória por um gol levará a decisão para os pênaltis.

“Vamos continuar tentando, não posso jogar a toalha, isso eu nunca fiz e nunca vou fazer. Não é o que a gente quer”, garantiu Jair Ventura.

Para sustentar a esperança, Jair recorreu a um exemplo histórico do futebol brasileiro. O treinador lembrou do Atlético-MG, campeão da Libertadores mesmo depois de enfrentar dificuldades fora de casa e precisar decidir seus confrontos no próprio território.

“O Galo já foi campeão da Libertadores perdendo todas fora e revertendo. Se tiver que ser campeão assim, eu quero. Não somos o único time que não venceu fora, tem outras equipes que também não venceram. Mas diferente dessas equipes, estamos com bastante pontos acima deles”, afirmou.

A referência serve como combustível, mas não apaga o problema. O Vitória precisa melhorar justamente onde mais tem sofrido: longe de Salvador. O time ainda não conseguiu vencer fora de casa em competições nacionais nesta temporada, e a derrota para o Vasco ampliou essa ferida.

Mesmo assim, Jair Ventura fez questão de lembrar que o cenário geral não é de acomodação. O Vitória está no meio da tabela do Campeonato Brasileiro e conseguiu avançar até as quartas de final da Copa do Brasil depois de eliminar adversários importantes. Para o técnico, o grupo precisa reconhecer o que já construiu sem transformar os bons resultados anteriores em desculpa para os erros atuais.

“Não é o que a gente quer, temos que tomar conta do nosso time, mas se fosse fácil todo mundo seria campeão. Estamos no meio de tabela, mas não estamos acomodados. Vamos trabalhar, quando tiver treino, para mudar isso”, completou.

O Vitória agora volta para Salvador com uma desvantagem mínima, mas com uma obrigação enorme. O Vasco levou para casa o resultado que queria. O Rubro-Negro levou consigo a cobrança, a frustração e a certeza de que terá de ser muito diferente no Barradão.

Na Copa do Brasil, o Vitória já mostrou que sabe transformar desespero em reação. Eliminou Flamengo e Athletico depois de momentos em que parecia condenado. Agora, porém, o adversário tem a vantagem e o tempo trabalha contra o Leão. A próxima quarta-feira será a noite em que as palavras precisarão finalmente sair do vestiário e entrar no campo.

Porque, como resumiu Jair Ventura, a hora não é mais de prometer. É de fazer.

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