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Vitória em alerta: pior campanha do returno aumenta pressão sobre Jair Ventura

Rubro-Negro tem apenas 17% de aproveitamento no segundo turno, vê a zona de rebaixamento se aproximar e agora precisa transformar a indignação em reação dentro de campo
Foto: Victor Ferreira/EC Vitória


O Vitória entrou no segundo turno do Campeonato Brasileiro como quem atravessa uma rua aparentemente tranquila e, de repente, percebe que o perigo estava ao lado. Em seis partidas, o Rubro-Negro venceu apenas uma, somou três pontos em 18 possíveis e construiu o pior aproveitamento desta segunda metade da competição: 17%. A derrota por 2 a 1 para o Atlético-MG, na Arena MRV, não foi apenas mais um resultado negativo. Foi o aviso de que a distância para a parte de baixo da tabela já não permite distrações.

Jair Ventura, porém, não parece disposto a entregar o próprio trabalho ao tribunal da estatística. O treinador prefere olhar o campeonato como uma história inteira, e não como um capítulo isolado. A pergunta que fez depois da derrota ao Galo foi quase uma provocação: por que separar o returno do restante da caminhada?

“Por que o corte no returno? O campeonato é tudo, o que acontece antes da Copa não serve? Estamos na zona de rebaixamento? A postura vai melhorar.”

O discurso de Jair encontra uma realidade incômoda. O Vitória ocupa a 13ª colocação, com 29 pontos, apenas quatro acima da zona de rebaixamento. E existe ainda um detalhe capaz de transformar qualquer conta aparentemente confortável em motivo de preocupação: do lanterna ao 14º colocado, somente o Internacional disputou 25 partidas, o mesmo número de jogos do Rubro-Negro. As demais equipes dessa faixa têm um jogo a menos e ainda podem diminuir a distância.

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O segundo turno, portanto, tornou-se uma espécie de espelho. E o espelho não é gentil.

Um segundo turno que assusta

O Vitória disputou seis partidas desde o início da segunda metade do campeonato. O resultado é uma sequência que explica, por si só, a preocupação da torcida.

  1. Remo 2 x 0 Vitória — 20ª rodada da Série A.
  2. Vitória 0 x 4 Palmeiras — 21ª rodada da Série A.
  3. Flamengo 2 x 0 Vitória — 22ª rodada da Série A.
  4. Vitória 1 x 0 Botafogo — 23ª rodada da Série A.
  5. Vitória 0 x 2 Bahia — 24ª rodada da Série A.
  6. Atlético-MG 2 x 1 Vitória — 25ª rodada da Série A.

Uma vitória em seis jogos. Cinco derrotas. Dois gols marcados e 12 sofridos. Três pontos conquistados de 18 disponíveis. É uma matemática que não precisa de dramatização, porque ela própria já chega ao leitor vestida de tragédia.

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Nem o Barradão conseguiu impedir a queda de rendimento. O Vitória venceu o Botafogo em casa, mas perdeu para Palmeiras e Bahia. Longe de Salvador, a situação foi ainda mais dura: derrotas para Remo, Flamengo e Atlético-MG.

No primeiro turno, a história era outra. O time somou 26 pontos e aproveitou 45,6% da pontuação disponível. A diferença entre os dois momentos é grande demais para ser ignorada.

Jair Ventura responde à pressão

Mesmo diante do pior desempenho do returno, Jair Ventura tenta evitar que o recorte transforme toda a temporada em ruína. O treinador lembra que foi o mesmo comandante que conduziu o Vitória ao título da Copa do Nordeste e participou das classificações sobre Flamengo e Athletico na Copa do Brasil.

Para ele, três jogos ruins — embora a campanha do returno já tenha seis partidas — não são suficientes para determinar o limite de um trabalho. Jair rejeita a ideia de que o grupo tenha atingido um teto e afirma que continuará tentando enquanto houver possibilidade de reação.

“Eu sou o mesmo que levou ao título da Copa do Nordeste, o mesmo treinador que eliminou o Flamengo, que eliminou o Athletico. Eu sou a mesma pessoa. Se eu achar que por causa de três jogos não consigo mais extrair desse grupo eu seria um covarde. Então não acho que bateu no teto, não. Enquanto eu tiver chance de reverter, vou reverter.”

É uma declaração de quem se recusa a abandonar o palco antes do último ato. E, para o Vitória, o último ato do momento não será no Campeonato Brasileiro.

Antes da Série A, uma decisão no Barradão

A lanterna do returno pode esperar. O Vitória tem uma decisão muito mais imediata pela frente. Nesta quarta-feira, às 21h30, o Rubro-Negro recebe o Vasco, no Barradão, pelo jogo de volta das quartas de final da Copa do Brasil.

O Vasco venceu a partida de ida por 1 a 0. Por isso, o Vitória precisa vencer por dois ou mais gols de diferença para garantir a classificação diretamente à semifinal. Caso consiga apenas uma vitória pela diferença mínima, a vaga será decidida nos pênaltis.

É justamente nesse território que o Vitória já mostrou que sabe sobreviver.

No início deste mês, o Rubro-Negro perdeu por 2 a 0 para o Athletico fora de casa e, quando voltou ao Barradão, transformou a desvantagem em uma goleada por 4 a 0, avançando na competição. Contra o Flamengo, aconteceu algo semelhante: depois de perder por 2 a 1 no Maracanã, o Vitória venceu por 2 a 0 em Salvador e eliminou o adversário.

O Barradão, portanto, aparece novamente como personagem principal. É ali que o Vitória terá de interromper a atmosfera pesada criada pelos últimos resultados e lembrar ao próprio torcedor que ainda existe uma equipe capaz de reagir quando parece encurralada.

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A crise ainda não é queda — mas o alerta está aceso

Jair Ventura tem razão quando lembra que o Vitória não está na zona de rebaixamento. Mas também seria um erro olhar apenas para a posição atual e ignorar o movimento da tabela.

São 29 pontos e a 13ª colocação. A diferença para o Z-4 é de apenas quatro pontos. E os adversários que estão abaixo têm partidas a menos, o que significa que essa margem pode desaparecer rapidamente.

O Vitória precisa, portanto, de uma resposta. Não necessariamente uma resposta em palavras, porque palavras já foram ditas. A resposta que o campeonato exige é feita de gols, defesa, concentração e, sobretudo, pontos.

O treinador já avisou que não pretende jogar a toalha. Agora, o time precisa provar dentro de campo que também não pretende.

O Vitória chega à decisão contra o Vasco carregando a pior campanha do returno, duas derrotas consecutivas e a ameaça crescente da parte de baixo da tabela. Mas chega também ao Barradão, o mesmo palco onde já derrubou Flamengo e Athletico. Entre a crise e a reação, há 90 minutos — e talvez uma cobrança ainda maior: transformar a promessa de mudança em futebol.

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