O Vitória entrou no segundo turno do Campeonato Brasileiro como quem atravessa uma rua aparentemente tranquila e, de repente, percebe que o perigo estava ao lado. Em seis partidas, o Rubro-Negro venceu apenas uma, somou três pontos em 18 possíveis e construiu o pior aproveitamento desta segunda metade da competição: 17%. A derrota por 2 a 1 para o Atlético-MG, na Arena MRV, não foi apenas mais um resultado negativo. Foi o aviso de que a distância para a parte de baixo da tabela já não permite distrações.
Jair Ventura, porém, não parece disposto a entregar o próprio trabalho ao tribunal da estatística. O treinador prefere olhar o campeonato como uma história inteira, e não como um capítulo isolado. A pergunta que fez depois da derrota ao Galo foi quase uma provocação: por que separar o returno do restante da caminhada?
O discurso de Jair encontra uma realidade incômoda. O Vitória ocupa a 13ª colocação, com 29 pontos, apenas quatro acima da zona de rebaixamento. E existe ainda um detalhe capaz de transformar qualquer conta aparentemente confortável em motivo de preocupação: do lanterna ao 14º colocado, somente o Internacional disputou 25 partidas, o mesmo número de jogos do Rubro-Negro. As demais equipes dessa faixa têm um jogo a menos e ainda podem diminuir a distância.
Vitória e Botafogo: ataques opostos prometem duelo de gols no Barradão
Apesar do recente empate por 0 a 0, estatísticas de baianos e cariocas prometem um confronto animado no Barradão.
Ler notícia →Vitória vive seca de gols na Série A e tem o segundo pior ataque do campeonato
Rubro-Negro atravessa quatro rodadas sem marcar e enfrenta dificuldades para balançar as redes no Campeonato Brasileiro.
Ler notícia →Vitória reencontra o Vasco nas quartas da Copa do Brasil e decide classificação no Barradão
Rubro-Negro volta a enfrentar o Vasco em busca de uma vaga na semifinal da Copa do Brasil.
Ler notícia →O segundo turno, portanto, tornou-se uma espécie de espelho. E o espelho não é gentil.
O Vitória disputou seis partidas desde o início da segunda metade do campeonato. O resultado é uma sequência que explica, por si só, a preocupação da torcida.
- Remo 2 x 0 Vitória — 20ª rodada da Série A.
- Vitória 0 x 4 Palmeiras — 21ª rodada da Série A.
- Flamengo 2 x 0 Vitória — 22ª rodada da Série A.
- Vitória 1 x 0 Botafogo — 23ª rodada da Série A.
- Vitória 0 x 2 Bahia — 24ª rodada da Série A.
- Atlético-MG 2 x 1 Vitória — 25ª rodada da Série A.
Uma vitória em seis jogos. Cinco derrotas. Dois gols marcados e 12 sofridos. Três pontos conquistados de 18 disponíveis. É uma matemática que não precisa de dramatização, porque ela própria já chega ao leitor vestida de tragédia.
CANAL VITÓRIA EM DESTAQUE
Nem o Barradão conseguiu impedir a queda de rendimento. O Vitória venceu o Botafogo em casa, mas perdeu para Palmeiras e Bahia. Longe de Salvador, a situação foi ainda mais dura: derrotas para Remo, Flamengo e Atlético-MG.
No primeiro turno, a história era outra. O time somou 26 pontos e aproveitou 45,6% da pontuação disponível. A diferença entre os dois momentos é grande demais para ser ignorada.
Mesmo diante do pior desempenho do returno, Jair Ventura tenta evitar que o recorte transforme toda a temporada em ruína. O treinador lembra que foi o mesmo comandante que conduziu o Vitória ao título da Copa do Nordeste e participou das classificações sobre Flamengo e Athletico na Copa do Brasil.
Para ele, três jogos ruins — embora a campanha do returno já tenha seis partidas — não são suficientes para determinar o limite de um trabalho. Jair rejeita a ideia de que o grupo tenha atingido um teto e afirma que continuará tentando enquanto houver possibilidade de reação.
É uma declaração de quem se recusa a abandonar o palco antes do último ato. E, para o Vitória, o último ato do momento não será no Campeonato Brasileiro.
A lanterna do returno pode esperar. O Vitória tem uma decisão muito mais imediata pela frente. Nesta quarta-feira, às 21h30, o Rubro-Negro recebe o Vasco, no Barradão, pelo jogo de volta das quartas de final da Copa do Brasil.
O Vasco venceu a partida de ida por 1 a 0. Por isso, o Vitória precisa vencer por dois ou mais gols de diferença para garantir a classificação diretamente à semifinal. Caso consiga apenas uma vitória pela diferença mínima, a vaga será decidida nos pênaltis.
É justamente nesse território que o Vitória já mostrou que sabe sobreviver.
No início deste mês, o Rubro-Negro perdeu por 2 a 0 para o Athletico fora de casa e, quando voltou ao Barradão, transformou a desvantagem em uma goleada por 4 a 0, avançando na competição. Contra o Flamengo, aconteceu algo semelhante: depois de perder por 2 a 1 no Maracanã, o Vitória venceu por 2 a 0 em Salvador e eliminou o adversário.
O Barradão, portanto, aparece novamente como personagem principal. É ali que o Vitória terá de interromper a atmosfera pesada criada pelos últimos resultados e lembrar ao próprio torcedor que ainda existe uma equipe capaz de reagir quando parece encurralada.
CLASSIFICAÇÃO DO BRASILEIRÃO 2026
Jair Ventura tem razão quando lembra que o Vitória não está na zona de rebaixamento. Mas também seria um erro olhar apenas para a posição atual e ignorar o movimento da tabela.
São 29 pontos e a 13ª colocação. A diferença para o Z-4 é de apenas quatro pontos. E os adversários que estão abaixo têm partidas a menos, o que significa que essa margem pode desaparecer rapidamente.
O Vitória precisa, portanto, de uma resposta. Não necessariamente uma resposta em palavras, porque palavras já foram ditas. A resposta que o campeonato exige é feita de gols, defesa, concentração e, sobretudo, pontos.
O treinador já avisou que não pretende jogar a toalha. Agora, o time precisa provar dentro de campo que também não pretende.
O Vitória chega à decisão contra o Vasco carregando a pior campanha do returno, duas derrotas consecutivas e a ameaça crescente da parte de baixo da tabela. Mas chega também ao Barradão, o mesmo palco onde já derrubou Flamengo e Athletico. Entre a crise e a reação, há 90 minutos — e talvez uma cobrança ainda maior: transformar a promessa de mudança em futebol.



0 Comentários