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Vitória reitera fracasso fora de casa e cai diante do Flamengo sem alternativas

Rubro-Negro Colossal repete dificuldades longe do Barradão, sofre com falta de alternativas e chega a apenas quatro pontos em 36 disputados como visitante
Análise — Vitória em Destaque

 

Erick cercado por flamenguistas em Flamengo x Vitória — Foto: Victor Ferreira / EC Vitória
Erick cercado por flamenguistas em Flamengo x Vitória — Foto: Victor Ferreira / EC Vitória

O Leão voltou a apresentar o velho roteiro dos jogos fora de casa: resistência sem bola, pouca agressividade e uma esperança quase solitária de que o adversário perca a paciência. Desta vez, não perdeu.

O Vitória entrou em campo sabendo que teria pela frente um dos ataques mais poderosos do futebol brasileiro. Jair Ventura montou uma equipe para suportar o impacto. Quatro defensores, três volantes e uma linha ofensiva formada por Matheuzinho, Erick e Renê. Era uma estrutura pensada para proteger a própria área e reduzir os espaços diante de um Flamengo acostumado a transformar qualquer brecha em oportunidade.

O problema é que defender não pode significar apenas esperar. O futebol moderno cobra pressão sobre a bola, compactação e, sobretudo, capacidade de mudar o comportamento quando o primeiro plano deixa de funcionar. O Vitória teve o primeiro plano. Faltaram os outros.

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Sem sua dupla de zaga principal, Cacá e Luan Cândido, ambos suspensos, Jair Ventura precisou recorrer a Caíque Gonçalves e Emanuel Brítez. No meio-campo, Walace recebeu a oportunidade de começar como titular diante de um adversário que transforma a circulação da bola numa espécie de tortura psicológica para quem passa noventa minutos correndo atrás dela.

E foi justamente aí que começou o drama rubro-negro. O Vitória protegeu a área, mas não conseguiu proteger o espaço à frente dela. O Flamengo trocava passes de um lado para o outro e obrigava a defesa baiana a se deslocar constantemente. Quando um time corre sem conseguir pressionar quem conduz a bola, chega sempre um momento em que alguém fica sozinho.

O Flamengo encontrou esse momento cedo. Aos 14 minutos, Erick Pulgar recebeu com liberdade, dominou praticamente do meio-campo e teve tempo para fazer aquilo que jogador de futebol mais gosta: olhar para o gol antes de chutar.

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O chileno acertou novamente a gaveta. Foi quase uma repetição cruel do primeiro turno, quando já havia marcado um golaço contra o Vitória no Barradão. O destino, às vezes, tem um humor que nenhum torcedor considera engraçado.

Pulgar confirmou depois da partida que o Flamengo havia estudado o espaço deixado pelo Vitória à frente da área. Não foi, portanto, apenas um acidente. O chute teve beleza, mas também teve contexto. O adversário encontrou exatamente o lugar onde o Vitória permitiu que ele existisse.

Com a bola, o Vitória respirou. Mas não atacou.

O segundo tempo trouxe uma mudança. O Vitória passou a ter mais a bola, conseguiu diminuir o ritmo da partida e deixou de ser tão sufocado. Era a oportunidade para transformar posse em reação.

Mas a posse ficou órfã de perigo.

Renê conseguiu uma boa jogada pelo lado esquerdo. Depois, apareceu pelo lado direito e arriscou um chute forte. Foram movimentos que produziram alguma inquietação, mas não chegaram a ameaçar verdadeiramente o gol adversário.

A estatística é cruel porque não precisa de adjetivos. O Vitória teve apenas uma finalização no alvo em toda a partida, um chute de Martínez de longa distância. O ataque rubro-negro conseguiu esfriar o jogo, mas não conseguiu incendiá-lo.

E então apareceu Bruno Henrique.

O Flamengo encontrou o contra-ataque que o Vitória deveria ter evitado e o atacante recebeu a bola com a defesa baiana desmontada. O chute foi violento, preciso e definitivo. Arcanjo não teve o que fazer.

O segundo gol matou uma possibilidade que já era pequena. O empate, naquele momento, deixou de ser sonho e passou a ser uma lembrança de algo que nunca esteve realmente perto.

Uma defesa que funcionou até o plano acabar

Existe uma contradição importante na atuação do Vitória. A dupla Caíque Gonçalves e Brítez teve bons momentos e conseguiu evitar um placar ainda mais largo enquanto a equipe manteve sua estratégia defensiva. O problema foi justamente esse: a estratégia funcionou apenas enquanto o Flamengo não encontrou os caminhos fora dela.

O Vitória não foi destruído. Foi descoberto.

E essa diferença explica muito do que vem acontecendo com a equipe fora de Salvador. Quando consegue fechar os espaços e manter o adversário distante, o Rubro-Negro sobrevive. Quando sofre o primeiro golpe, porém, faltam mecanismos ofensivos capazes de mudar a história.

A campanha como visitante tornou esse problema ainda mais evidente. São apenas quatro pontos conquistados em 36 possíveis, com aproveitamento de 11,1%. Nenhuma vitória.

Não se trata mais de uma coincidência. É uma repetição.

No Campeonato Brasileiro, o Vitória transformou os jogos fora de casa numa espécie de território proibido. O time entra, luta, resiste, às vezes consegue um empate, mas ainda não encontrou o caminho da vitória.

O problema que não pode ser adiado

No ano passado, a primeira vitória como visitante aconteceu somente na 29ª rodada. Agora, a próxima oportunidade será contra o Atlético-MG, na 25ª rodada. A margem de segurança não permite que o problema continue sendo tratado como uma simples estatística.

O Campeonato Brasileiro não perdoa equipes que conseguem pontuar apenas diante da própria torcida. O Barradão pode ser fortaleza, mas nenhum time sobrevive eternamente se precisar vencer todos os seus jogos em casa para compensar o que deixa escapar longe dela.

E há uma questão ainda mais incômoda: o Vitória marcou apenas um gol e sofreu oito nos cinco jogos disputados pela Série A no segundo semestre. A matemática, neste caso, não é apenas matemática. É um retrato.

Jair Ventura sabe disso. Depois da derrota, reconheceu que o time precisa apresentar mais equilíbrio durante os noventa minutos. O treinador também sabe que o segundo tempo diante do Flamengo mostrou uma possibilidade: quando teve coragem para ficar com a bola, o Vitória conseguiu jogar.

A pergunta é por que essa coragem não apareceu desde o primeiro minuto.

O futebol tem dessas crueldades. Uma equipe pode passar quarenta e cinco minutos tentando não perder e descobrir, tarde demais, que já estava perdendo. Pode passar os outros quarenta e cinco tentando reagir e perceber que não tinha armas suficientes para fazê-lo.

O Vitória não precisa abandonar a organização defensiva. Precisa encontrar algo além dela. Precisa pressionar quando puder, atacar quando houver espaço e, principalmente, acreditar que também pode impor seu jogo longe de Salvador.

Porque o problema do Vitória como visitante deixou de ser apenas não vencer. É entrar em campo como se a vitória fosse uma possibilidade distante.

E futebol, quando começa a aceitar a derrota antes do apito final, costuma cobrar a conta com juros.

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O Silêncio das Estrelas

F. M. Ravenscroft
Capa do conto O Silêncio das Estrelas, de F. M. Ravenscroft

“Algumas mensagens não devem ser respondidas.”

Uma mensagem surge do silêncio do universo. E, quando alguém finalmente consegue escutá-la, talvez seja tarde demais para permanecer em silêncio.

Agora, o Barradão

O calendário oferece uma pequena pausa para reflexão. O Vitória terá uma semana livre para trabalhar antes de iniciar uma sequência de dois jogos no Barradão.

Primeiro, o Botafogo, pela 23ª rodada do Campeonato Brasileiro, às 18h30 do próximo domingo. Depois, o Bahia, no Ba-Vi 508.

É justamente nesse cenário que o Vitória costuma se transformar. A torcida empurra, o estádio pesa e o adversário sente que não está jogando apenas contra onze jogadores.

Mas o Barradão não pode ser apenas o lugar onde o Vitória se recupera das feridas que abre fora de casa. Precisa ser também o ponto de partida para uma mudança de comportamento.

O Flamengo venceu porque teve qualidade, encontrou espaços e soube aproveitar os momentos. O Vitória perdeu porque repetiu uma história que já conhece de cor. E, no futebol, quando uma história se repete tantas vezes, ela deixa de ser acaso e passa a ser problema.

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