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Jair Ventura admite crise do Vitória fora de casa e cobra reação: “Temos que ser cobrados”

Rubro-Negro tem quatro pontos em 36 disputados fora de casa

Jair Ventura em Flamengo x Vitória — Foto: Victor Ferreira / EC Vitória
Jair Ventura em Flamengo x Vitória — Foto: Victor Ferreira / EC Vitória

O Vitória perdeu por 2 a 0 para o Flamengo, no último domingo, mas o resultado expôs novamente uma ferida que já não pode ser tratada como acaso: o Rubro-Negro ainda não venceu fora de casa no Campeonato Brasileiro.

Jair Ventura não fugiu da realidade. Ao contrário. Depois da partida, o treinador reconheceu a dificuldade apresentada pelo Vitória no primeiro tempo e admitiu que a equipe precisa ser cobrada. A frase não veio como desculpa, mas como constatação. O time sabe que existe um problema. A torcida sabe. E, agora, o próprio treinador coloca o dedo sobre ele.

O primeiro tempo foi do Flamengo. O Vitória teve dificuldade para jogar, sofreu com a pressão adversária e acabou permitindo que o adversário assumisse o controle da partida. No segundo tempo, porém, a história mudou de tom. O Rubro-Negro baiano conseguiu equilibrar as ações, teve mais coragem com a bola e mostrou que poderia ter feito uma partida diferente desde o início.

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Mas futebol não é feito de possibilidades. É feito de gols. E o Flamengo teve os seus.

"Primeiro tempo a gente teve dificuldade de jogar, segundo tempo a gente melhora. Gol de Pulgar condiciona. No contra-ataque a gente toma gol. A gente fez jogo muito parelho no segundo tempo, mesmo com desgaste e desfalques. A gente segue sem vencer fora de casa, temos que ser cobrados e queremos melhorar."

Jair Ventura ainda encontrou espaço para brincar com aquilo que já parece uma provocação particular do destino. Pulgar voltou a marcar um golaço contra o Vitória, repetindo a história do primeiro turno. O treinador, com ironia, resumiu a situação: o chileno parece ter escolhido justamente o Leão para acertar seus chutes no ângulo.

"Gol do Pulgar, de novo, mais bonito que o outro", disse Jair. Depois, completou que o resultado poderia ter sido diferente caso o Vitória tivesse tido onze dias de descanso. Mas o futebol não concede descanso quando existe calendário. E o calendário, esse velho inimigo dos clubes brasileiros, cobra sua conta sem perguntar se o elenco está inteiro.

O Vitória vinha de uma goleada por 4 a 0 sobre o Athletico, pela Copa do Brasil, na última quinta-feira. A partida exigiu intensidade física e emocional. A classificação foi conquistada, mas deixou marcas. Para enfrentar o Flamengo, Jair precisou administrar um elenco desgastado e desfalcado.

Desgaste e desfalques

Erick e Matheuzinho foram titulares mesmo com a necessidade de controle de carga. Outros jogadores não puderam atuar. Cacá e Luan ficaram fora. Baralhas também foi desfalque. Ramon passou por controle de carga por causa de um problema na região posterior da coxa. Renato Kayzer sentiu a panturrilha. E o capitão ainda recebeu autorização para acompanhar o nascimento do filho.

É nessas horas que o treinador descobre se possui apenas um elenco ou realmente possui um grupo. Jair Ventura afirmou estar satisfeito com as opções que tem e destacou a disposição de Erick e Matheuzinho para entrar em campo mesmo diante do desgaste.

"Prioridade é o Brasileiro, mas quando você vai à vera em outras competições, você perde jogadores, tem desgaste. Por isso as equipes têm dois, três times. Mas estou muito satisfeito com meu elenco."

O problema, entretanto, não nasceu contra o Flamengo. Ele vem de longe. O Vitória terminou o primeiro turno com uma campanha de duas faces: forte no Barradão e frágil longe dele. Na Série A, a equipe ainda não conseguiu transformar uma atuação como visitante em vitória.

Uma dívida que não pode mais esperar

São quatro pontos conquistados em 36 possíveis fora de casa. Um número que não precisa de adjetivos para assustar. O Vitória empatou quatro vezes e perdeu as demais partidas disputadas longe do Barradão. É uma campanha que incomoda Jair Ventura e, principalmente, impede o time de transformar sua força como mandante em uma campanha realmente ambiciosa.

O treinador reconheceu que existe oscilação. Contra o Fluminense, o Vitória ficou perto de conseguir um resultado melhor. Contra o Flamengo, o segundo tempo mostrou novamente um time capaz de competir. Mas ficar perto, no futebol, é uma espécie de derrota educada. Não vale ponto. Não muda tabela. Não apaga jejum.

"Ter mais equilíbrio nos 90 minutos. A gente tem oscilado fora. Adversários se impõem em casa, como fazemos também. A gente não fez bom primeiro tempo. Precisamos ter mais equilíbrio nos 90 minutos para ficar mais próximo da vitória", afirmou Jair.

A cobrança também aparece na questão ofensiva. Longe do Barradão, o Vitória precisa encontrar maneiras de pressionar mais. Contra o Fluminense, Jair começou com Renato Kayzer e Renê. Contra o Flamengo, a situação física de Kayzer pesou. O atacante estava com a panturrilha comprometida e não tinha condições ideais para suportar a partida.

Não se trata apenas de colocar mais atacantes. Trata-se de conseguir fazer o time chegar até eles. Um ataque pode ter dois, três ou quatro homens. Se a bola não chega, são apenas quatro espectadores dentro do campo.

A defesa também sente

O segundo tempo contra o Flamengo trouxe uma melhora defensiva. Jair conversou com os jogadores, fez ajustes e conseguiu mudar o comportamento da equipe. O Vitória passou a competir mais, teve maior presença com a bola e conseguiu jogar de igual para igual em determinados momentos.

Mas veio o contra-ataque. E veio o gol.

O treinador reconheceu a evolução, mas não escondeu o problema. A equipe precisa transformar bons períodos de jogo em uma atuação completa. Porque, fora de casa, o Vitória não pode se dar ao luxo de entregar um tempo inteiro ao adversário e esperar que o segundo resolva tudo.

A bola parada também apareceu na conversa. Jair explicou que o Vitória possui jogadores com características diferentes e que seus principais cabeceadores não estavam disponíveis. Não é desculpa. É contexto. No futebol, às vezes, a ausência de um jogador muda até a maneira como uma cobrança de escanteio é pensada.

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O Silêncio das Estrelas

Nenhum jogo é descartável

Jair Ventura recusou a ideia de que a partida contra o Flamengo pudesse ser tratada como um jogo de descarte. O Vitória havia acabado de disputar uma decisão contra o Athletico pela Copa do Brasil e precisava administrar forças, mas o treinador insistiu que nenhum jogo pode ser abandonado antes de começar.

A classificação na Copa do Brasil foi importante. A goleada sobre o Athletico mostrou força. Mas a prioridade agora é o Campeonato Brasileiro. E o treinador sabe disso.

"A gente tem que focar no Brasileiro, estamos incomodados e precisamos vencer fora também."

O Barradão como personagem

Se existe uma certeza no Vitória de 2026, ela atende pelo nome de Barradão. Em casa, a torcida empurra, canta e transforma o estádio em uma espécie de personagem. Jair Ventura fez questão de reconhecer o papel dos torcedores, que acompanharam a equipe até o aeroporto antes da partida e voltaram a lotar as arquibancadas.

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