Depois da revolta com a arbitragem, o Rubro-Negro abre uma nova frente de batalha, responde ao técnico do Palmeiras e sai em defesa de um de seus jogadores
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| Luan Cândido faz sinal de roubo durante Vitória x Palmeiras — Foto: Reprodução/ge tv |
Salvador — O futebol possui dias em que a bola deixa de ser protagonista. Há noites em que o gramado se converte em tribunal, os apitos assumem o papel de sentença e as palavras ditas depois do jogo continuam ferindo muito além dos noventa minutos. Foi assim no Barradão. Depois da goleada por 4 a 0 sofrida diante do Palmeiras e de uma arbitragem horrorosa e mal intecionada que incendiou o estádio, o Vitória resolveu responder não apenas aos lances da partida, mas também às declarações do técnico Abel Ferreira, que questionou o histórico disciplinar do lateral Luan Cândido. O clube rubro-negro reagiu com firmeza e afirmou que o verdadeiro exemplo deveria partir do treinador português.
A tensão que dominou a partida permaneceu viva mesmo após o apito final. Expulso por fazer um gesto interpretado pela arbitragem como insinuação de roubo, Luan Cândido tornou-se alvo de um comentário de Abel Ferreira durante a entrevista coletiva. Ao ser questionado sobre a expulsão do atleta, o treinador respondeu com uma pergunta que rapidamente repercutiu no futebol brasileiro: "Conhece o histórico do Luan Cândido? Conhece o histórico dele?"
As palavras atravessaram o Barradão como uma nova provocação. O Vitória, que já havia deixado o estádio revoltado com a arbitragem, decidiu divulgar uma nota oficial repudiando a declaração do comandante palmeirense e defendendo publicamente o caráter de seu jogador.
No comunicado, o Vitória manifestou indignação com as declarações de Abel Ferreira, afirmando que o treinador colocou em dúvida a conduta profissional de Luan Cândido. O clube ressaltou que o atleta estreou como profissional em 2020 e, desde então, soma apenas seis expulsões ao longo de seis temporadas, média considerada baixa para um defensor.
Segundo a nota, dessas seis expulsões, quatro ocorreram por cartão vermelho direto e duas em razão da soma de cartões amarelos. O Vitória utilizou esses números para confrontar o histórico disciplinar de Abel Ferreira à frente do Palmeiras.
O clube destacou que, no mesmo período, o treinador português acumulou treze expulsões em partidas oficiais, número superior ao dobro das registradas pelo defensor rubro-negro. Em tom firme, a direção afirmou que esse comportamento parte justamente de um profissional que deveria servir de exemplo aos próprios jogadores.
Mais do que uma resposta estatística, a nota procurou inverter a narrativa criada após a entrevista coletiva. Para o Vitória, não cabia questionar a trajetória de Luan Cândido quando os próprios números revelam um histórico disciplinar mais severo do comandante adversário.
As declarações surgiram em um contexto de enorme tensão. O confronto entre Vitória e Palmeiras terminou com vitória paulista por 4 a 0, mas ficou marcado principalmente pelas decisões da arbitragem.
Luan Cândido foi expulso após fazer um gesto interpretado pelo árbitro como insinuação de roubo. Antes disso, o zagueiro Cacá também recebeu cartão vermelho durante a partida, deixando o Vitória com dois jogadores a menos.
As expulsões aumentaram a revolta do clube, que também contestou a permanência de Maurício em campo após atingir Cacá com uma cotovelada no rosto. O lance provocou um corte profundo que obrigou o defensor rubro-negro a receber cinco pontos no queixo.
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Logo após o encerramento da partida, o presidente Fábio Mota apareceu como único representante do Vitória diante da imprensa. Em sinal de protesto, o clube optou por não enviar o técnico Jair Ventura para a entrevista coletiva.
O dirigente voltou a criticar duramente a atuação do árbitro Alex Gomes Stefano e lamentou que Maurício não tenha sido expulso pela cotovelada em Cacá.
"Ainda bem que o Brasil viu o jogo. O Cacá levou cinco pontos no queixo. Não foi por acaso. O que os jogadores relataram é que o árbitro disse que não foi intencional. Intencional ou não, cinco pontos foram no queixo", afirmou Fábio Mota, reforçando a indignação da diretoria rubro-negra.
Para o presidente, a decisão de manter o jogador palmeirense em campo alterou completamente o rumo da partida e comprometeu o equilíbrio do confronto desde o primeiro tempo.
O futebol costuma apagar rapidamente os placares. Amanhã haverá outro jogo, outro estádio e outra multidão. Mas certas noites permanecem gravadas não pelos gols, e sim pelas feridas que deixam. No Barradão, o Vitória saiu derrotado por quatro gols de diferença. Ainda assim, o clube acredita que a maior marca daquela quarta-feira não foi escrita no placar eletrônico, mas nos cinco pontos costurados no queixo de Cacá, nas expulsões que incendiaram a arquibancada e nas palavras que prolongaram a batalha muito depois de a bola parar de rolar.



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