Rubro-Negro transforma o Barradão em território de respeito, vence o Botafogo, recupera a confiança e chega ao Ba-Vi de domingo em momento diferente do rival
Há lugares onde o futebol simplesmente acontece. E há lugares onde o futebol ganha uma espécie de destino. No Barradão, o Vitória parece ter encontrado o seu. Enquanto o Bahia atravessa uma sequência de cinco empates e chega ao clássico sob pressão, o Rubro-Negro voltou a vencer no Campeonato Brasileiro, bateu o Botafogo por 1 a 0 e recuperou algo que, no futebol, vale quase tanto quanto três pontos: a confiança.
A 23ª rodada do Campeonato Brasileiro produziu dois retratos completamente diferentes do futebol baiano. De um lado, o Vitória, que fez do Barradão novamente a sua fortaleza e venceu o Botafogo por 1 a 0. Do outro, o Bahia, que empatou em 3 a 3 com a Chapecoense, lanterna da competição, e chegou ao quinto empate consecutivo no campeonato.
E é justamente nesse contraste que o Ba-Vi de domingo começa a ganhar forma.
O Vitória não fez apenas uma partida. Fez uma declaração. Depois de quatro rodadas sem vencer, o time comandado por Jair Ventura voltou a sentir o gosto da vitória justamente diante de sua torcida. E o Barradão, mais uma vez, apareceu como personagem principal.
Leia Mais
Vitória em DestaqueVitória vence o Botafogo no Barradão
Confira os detalhes da vitória do Rubro-Negro diante do Botafogo, em mais uma noite de emoção no Barradão.
Ler notíciaNeilton revela torcida pelo Vitória
Ex-jogador fala sobre sua relação com o Rubro-Negro e revela o carinho que mantém pelo clube baiano.
Ler notíciaVitória reencontra o Vasco nas quartas da Copa do Brasil
Rubro-Negro terá novamente o Vasco pela frente em busca de uma vaga na semifinal da Copa do Brasil.
Ler notíciaO Rubro-Negro venceu o Botafogo por 1 a 0, resultado que marcou a primeira vitória da equipe no segundo turno do Campeonato Brasileiro. Com os três pontos, o Vitória chegou a seis pontos de vantagem para a zona de rebaixamento e passou a ocupar a condição de terceiro melhor mandante da competição.
É aqui que começa a história que interessa ao torcedor do Vitória.
O Barradão deixou de ser apenas um estádio. É uma espécie de estado de espírito. O adversário entra em campo sabendo que terá de enfrentar não somente onze jogadores, mas também uma arquibancada que parece respirar junto com o time.
Foi justamente essa força que chamou a atenção da redação do Vitória em Destaque, que analisou a atuação do Vitória no último jogo.
“Eu acho que é o mandante mais temido do Brasil.”
Esse poder não nasceu por acaso. Existe uma construção, uma confiança e uma espécie de conforto que o Vitória desenvolveu quando joga diante da sua torcida.
O time aposta nos jogos dentro do Barradão. A torcida acredita. Os jogadores acreditam. E o adversário, quando percebe, já está tentando sobreviver.
É uma dessas coisas que não aparecem na tabela. Não existe coluna para medo. Não existe estatística para pressão. Não existe número capaz de medir aquele instante em que o visitante olha para a arquibancada e percebe que está sozinho.
O Vitória voltou a vencer quando mais precisava
Antes da vitória sobre o Botafogo, o Rubro-Negro vinha de quatro partidas sem conseguir vencer no Campeonato Brasileiro. A sequência aumentava a preocupação, mas a Vitória no Barradão interrompeu o jejum e devolveu ao time uma margem importante na luta pela permanência na Série A.
O Vitória agora tem seis pontos de vantagem para a zona de rebaixamento e aparece como um dos times mais fortes da competição quando atua como mandante.
O resultado contra o Botafogo também ganha peso porque aconteceu em um momento no qual o time precisava desesperadamente de uma resposta. E o Vitória respondeu como costuma responder no Barradão: com vitória.
Não foi uma resposta elegante. Foi uma resposta de futebol. Daquelas que não precisam de discurso depois do apito final.
O Vitória ganhou. E isso, naquele momento, era tudo.
CANAL VITÓRIA EM DESTAQUE
Enquanto isso, o Bahia chega ao clássico cercado por pressão
Do outro lado da cidade, a situação é diferente.
O Bahia está invicto há sete jogos no Campeonato Brasileiro, mas há cinco rodadas não sabe o que significa vencer. São cinco empates consecutivos. O último deles aconteceu diante da Chapecoense, lanterna da competição, em um movimentado 3 a 3 em Chapecó.
O resultado provocou críticas e aumentou a pressão sobre o trabalho de Rogério Ceni.
A atuação do Bahia foi discutida no episódio 291 do Segue o BAba. Rainan Peralva, narrador e apresentador da TV Bahia, fez críticas ao planejamento do clube e apontou problemas nas janelas de transferências.
“Negligenciaram todas as janelas de transferências da temporada.”
Segundo Rainan Peralva, a responsabilidade passa pela direção de futebol. Ele avaliou que existe pressão crescente sobre Rogério Ceni, mas também lembrou da filosofia do clube e da multa rescisória do treinador.
E então apareceu o Ba-Vi.
Para o narrador, o clássico pode representar um momento decisivo para o ambiente do Bahia. A pressão sobre o Grupo City, segundo ele, pode alcançar um nível que o conglomerado ainda não teria experimentado em seus outros clubes caso o Bahia não consiga vencer o clássico.
A crítica ficou ainda mais forte diante do empate com a Chapecoense.
“Tomar três gols do pior ataque do Campeonato é um absurdo.”
A declaração resume o tamanho da preocupação que cerca o adversário do Vitória.
Mas clássico é clássico
E aqui está o detalhe que ninguém pode esquecer: Ba-Vi não respeita lógica.
O Vitória chega embalado pela vitória sobre o Botafogo. O Bahia chega pressionado pelos cinco empates consecutivos. O Vitória tem o Barradão. O Bahia tem a necessidade de responder. Tudo isso pesa.
Mas clássico tem uma lei própria.
No Ba-Vi, a tabela pode ficar do lado de fora. O passado pode ficar do lado de fora. As estatísticas podem esperar. Dentro de campo, existe apenas a camisa, a arquibancada, o grito e aquele medo antigo que todo jogador conhece quando sabe que uma derrota diante do maior rival pode transformar uma semana inteira em um inferno.
E o Vitória chega a esse domingo carregando uma arma que conhece muito bem: o Barradão.
O Rubro-Negro aposta na força de casa. A equipe encontrou novamente o caminho da vitória. A torcida voltou a ter motivos para acreditar. E o clássico será justamente diante de um Bahia que chega sem vencer há cinco rodadas.
O cenário está montado.
O Vitória não precisa inventar um novo personagem. Basta continuar sendo aquilo que tem sido em sua própria casa: um mandante que incomoda, aperta, empurra e faz o adversário sentir que cada minuto demora uma eternidade.
Domingo, o Barradão será novamente palco de uma dessas histórias que o futebol baiano sabe escrever como poucos.
Porque o Ba-Vi não começa quando a bola rola.
Começa antes.
Começa na arquibancada. Começa na conversa de esquina. Começa na camisa que aparece pela cidade. Começa no torcedor que olha para o calendário e já sabe que domingo não será um domingo qualquer.
E, para o Vitória, existe uma certeza que vale ouro: o Barradão estará esperando.
O Leão voltou a rugir. Agora, o próximo capítulo é o Ba-Vi.
JORNAL VITÓRIA EM DESTAQUE



0 Comentários