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Neilton revela torcida pelo Vitória contra o Botafogo e relembra auge da carreira nos dois clubes

Em pausa na carreira para cuidar da saúde mental, atacante de 32 anos viveu os melhores momentos da trajetória em Salvador e no Rio de Janeiro
Neilton fez 28 gols e nove assistências em 86 jogos pelo Vitória — Foto: Futura Press
Neilton fez 28 gols e nove assistências em 86 jogos pelo Vitória — Foto: Futura Press


Entre Santos, Cruzeiro, São Paulo, Internacional, Vitória e Botafogo, o atacante construiu uma carreira feita de altos, baixos, gols, reviravoltas e, sobretudo, histórias que não cabem numa simples estatística.

Agora, aos 32 anos, em pausa na carreira para cuidar da saúde mental e vivendo nos Estados Unidos, Neilton continua acompanhando de perto dois dos clubes que marcaram sua trajetória: Vitória e Botafogo. E justamente quando os dois se encontram neste domingo, pela 23ª rodada do Campeonato Brasileiro, ele resolveu acabar com a velha conversa do coração dividido.

Em conversa com o ge, Neilton foi direto: neste domingo, a torcida será pelo Vitória.

“Vou ser sincero, pelo momento que vive o Botafogo e o Vitória. O Botafogo vive um momento muito bom também de uns anos para cá. E como o Vitória joga em casa e precisa muito do resultado para se livrar, se distanciar um pouco da zona de rebaixamento, são quatro pontos. Nesse dia, de coração partido, a torcida vai para o Vitória, mas é difícil escolher um ou outro. Mas vou mais pelo momento, sabe?”

Eis o futebol em uma de suas formas mais cruéis: o jogador que amou dois clubes precisa escolher um. E Neilton escolheu o Barradão.

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A escolha, porém, não apaga o carinho pelo Botafogo. Muito pelo contrário. O clube carioca foi uma das casas em que Neilton encontrou espaço, confiança e protagonismo.

“O Botafogo é um clube que me recebeu, realmente me senti em casa desde o primeiro dia. Talvez por isso que tenha sido um dos meus melhores momentos na carreira. Então, Botafogo, Vitória e Santos. Santos pela gratidão que eu tenho pelo clube, clube que me formou, cheguei lá aos meus 13 anos de idade. Tudo que eu conquistei eu devo ao Santos também, gratidão.”

E quando fala do Vitória, a lembrança vem acompanhada de outra palavra: calor.

“Vitória nem se fala, é o clube em que eu cheguei e de cara já comecei a ter sequência e fazer jogos bons. E o calor do Barradão, da torcida, enfim. Botafogo e Vitória são os dois times que realmente eu acompanho e vou acompanhar por bastante tempo.”

Neilton não fala apenas de futebol quando fala do Vitória. Fala de uma época em que as coisas aconteciam. Em que a bola parecia obedecer. Em que o gol aparecia como se tivesse sido combinado.

O artilheiro da Copa do Brasil que ainda acredita no Vitória

Mesmo distante dos gramados, Neilton não deixou de acompanhar o Rubro-Negro. Ele reforçou a torcida pelo Vitória no confronto contra o Vasco, pelas quartas de final da Copa do Brasil, competição na qual escreveu uma das páginas mais importantes de sua passagem pelo clube.

Em 2018, Neilton marcou quatro gols e entrou para a história como o terceiro jogador a ser artilheiro da Copa do Brasil pelo Vitória. Antes dele, Marinho havia alcançado a marca em 2016, com seis gols, enquanto Dejan Petkovic havia sido artilheiro em 1999, com oito.

“O Vitória é um dos meus favoritos pra chegar na semi. Claro que vai ser um jogo difícil, mas eu estou acreditando e bem confiante na classificação do Vitória.”

A confiança tem uma razão íntima. Neilton sabe o que é viver uma grande Copa do Brasil vestindo vermelho e preto.

“Tive a oportunidade de ser artilheiro da Copa do Brasil no Vitória, num grande momento que eu vivi, em 2018. E não pude chegar, né? Cheguei até as oitavas, perdendo para o Corinthians. Depois de muitos anos, é a primeira vez que o Vitória chega nas quartas, né? Então vamos torcer para chegar na semifinal de novo.”

Pelo Vitória, Neilton disputou 86 jogos, marcou 28 gols e deu nove assistências. Números que ajudam a explicar por que o atacante continua sendo lembrado pela torcida.

2018: o ano em que quase tudo deu certo

Se alguém perguntar a Neilton qual foi o auge individual de sua carreira, a resposta não demora. Foi o Vitória. Mais precisamente, o Vitória de 2018.

A história começou em 2017. Naquele ano, foram 30 jogos, sete gols e seis assistências. Mas era apenas o ensaio. O espetáculo principal viria depois.

Em 2018, Neilton chegou a disputar a artilharia geral do futebol brasileiro e terminou a temporada com 21 gols. Houve uma queda brusca de rendimento no segundo semestre e veio também o rebaixamento do Vitória para a Série B. Mas, individualmente, aquele foi o período que o atacante guarda como o melhor momento de sua trajetória.

“Depende muito do momento da equipe, né? No Botafogo eu fui bem, foi um auge com certeza. No Vitória, por ser um jogador mais experiente, a temporada de 2018 foi o meu auge. Fiz 21 gols na temporada, mas acabamos caindo.”

O futebol tem dessas perversidades. O jogador pode viver seu melhor ano e, ainda assim, terminar a temporada olhando para a tabela e vendo o próprio clube descer.

“Foi um dos meus melhores momentos porque tudo que eu fazia dava certo. Jogava contra um time grande, fazia gol. Consegui, individualmente, trazer muita coisa para o Vitória. Fazer um gol importantíssimo contra o Inter e classificar nas oitavas da Copa do Brasil também.”

A história não termina aí. Neilton também guarda o Botafogo como um dos grandes capítulos de sua carreira.

“Vivi grandes momentos nas duas equipes. O melhor momento de time foi o Botafogo, por chegar no G-6, fazer um grande campeonato, ser cogitado até pra seleção brasileira na época.”

Apesar de ter assinado contrato com o Vitória até 2020, Neilton não voltou a entrar em campo pelo clube depois de 2018. O Rubro-Negro disputou a Série B em 2019 e 2020, período em que emprestou o atacante ao Internacional e ao Hatta Club, dos Emirados Árabes Unidos, antes do fim do vínculo.

“Cheguei no coxão duro, hoje é picanha”

Mas antes de virar protagonista no Barradão, Neilton viveu no Botafogo uma história que parece roteiro de cinema esportivo.

Os primeiros grandes momentos da carreira profissional aconteceram em 2015. Emprestado pelo Cruzeiro, Neilton chegou ao Botafogo para disputar a segunda metade da Série B.

Foram 18 jogos, seis gols e três assistências na campanha que terminou com o título alvinegro e o acesso à Série A.

A permanência, porém, parecia improvável. O Botafogo chegou a anunciar que não havia entrado em acordo com o Cruzeiro para renovar o empréstimo para 2016. Mas o futebol, esse sujeito que adora contrariar planos, tratou de produzir outra reviravolta.

O acordo foi fechado e Neilton permaneceu no Rio de Janeiro até o fim da temporada seguinte.

Em 2016, tornou-se o vice-artilheiro do Botafogo e participou, sob o comando de Jair Ventura, de uma campanha que começou cercada de desconfiança e terminou com o clube na quinta posição da Série A e classificado para a Libertadores.

“Eu cheguei ao Botafogo no coxão duro, e hoje a galera come picanha lá.”

A frase resume uma transformação. Neilton chegou quando o Botafogo era tratado por muitos como candidato ao rebaixamento. Saiu depois de participar de uma campanha que recolocou o clube no cenário continental.

“Ter feito parte do momento mais difícil da história do clube e mesmo assim nosso time, que era muito contestado em toda a imprensa, todo mundo falava que o Botafogo ia cair, e a gente teve uma reviravolta no campeonato e pegou G-6.”

E ele continua:

“Chegamos na Libertadores. Isso foi muito marcante, porque fazia um tempo também que o Botafogo não chegava. Enfrentamos grandes equipes e a gente, por mais que fosse uma equipe de jogadores jovens, deu conta do recado.”

Para Neilton, ter participado daquela transformação foi mais importante do que simplesmente marcar gols.

“Fazer parte da transformação do Botafogo foi muito bom para mim. Eu cheguei no final da Série B, conquistando o acesso e sendo campeão. No ano seguinte, chegando na Libertadores com o Botafogo. Esse foi um momento especial para mim, além de gols, além de ser importante na temporada, dar assistências, conquistar um feito histórico para o clube.”

A passagem pelo Botafogo terminou no fim de 2016. O Cruzeiro decidiu emprestar Neilton ao São Paulo, encerrando aquele capítulo no Rio de Janeiro.

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Jair Ventura: amizade que atravessou os anos

Entre todas as lembranças de Neilton no Botafogo, existe ainda uma pessoa que aparece como personagem central: Jair Ventura.

A relação começou no clube carioca e continuou anos depois, no Sport. Em 2021, Neilton foi contratado pelo clube pernambucano por indicação de Jair. O treinador, entretanto, acabou demitido apenas um mês depois.

Segundo a plataforma de estatísticas Ogol, Neilton entrou em campo 24 vezes sob o comando de Jair Ventura, sendo 22 como titular, e marcou três gols.

Mas os números não explicam uma amizade.

“O meu relacionamento com o Jair é de amizade mesmo. A gente teve a oportunidade de trabalhar juntos e criar um laço de amizade.”

Neilton faz questão de destacar a confiança recebida do treinador.

“Jair Ventura acreditou muito em mim na época do Botafogo. É o cara que me deu mais sequência, que mais acreditou em mim, e eu pude dar respaldo para ele também.”

Agora, a história se encontra novamente. Jair Ventura está no comando do Vitória, e Neilton acompanha tudo de longe, inclusive pelas redes sociais.

“Venho acompanhando todos os jogos do Vitória, até posto nas minhas redes sociais. Vendo o trabalho que ele vem fazendo, eu fico muito feliz pelo Jair e pelo que ele está fazendo pelo Vitória nesse grande momento.”

Um domingo de coração dividido — mas nem tanto

O destino colocou Vitória e Botafogo frente a frente outra vez. De um lado, o clube que recebeu Neilton e o fez viver uma das melhores fases individuais de sua carreira. Do outro, o clube que o acolheu, deu sequência, confiança e o colocou no caminho da Libertadores.

É uma escolha difícil. Mas Neilton já escolheu.

Neste domingo, o coração vai bater pelo Vitória.

Não porque o Botafogo tenha perdido importância. Pelo contrário. Talvez justamente porque as duas histórias sejam grandes demais para caber numa única torcida.

O Vitória precisa do resultado. O Botafogo chega com sua própria força. E, no meio desse encontro, estará um jogador que conhece os dois lados da história.

Neilton estará nos Estados Unidos. Mas, de alguma maneira, estará também no Barradão.

Vitória e Botafogo se enfrentam às 18h30 (de Brasília) deste domingo, no Barradão, pela 23ª rodada do Campeonato Brasileiro.

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