Neste domingo (23), às 16h, no Barradão, Vitória e Bahia se encontram pela 24ª rodada do Campeonato Brasileiro, mas o Rubro-Negro leva para dentro de campo uma companhia antiga, insistente e incômoda para o rival: a história. Pela Série A, o Bahia jamais venceu o Vitória no Barradão.
É um daqueles números que parecem simples até que alguém tente explicá-los. Seis Ba-Vis pelo principal campeonato nacional foram disputados no estádio rubro-negro. Em três deles, o Vitória venceu. Nos outros três, houve empate. Vitória não perdeu. Bahia não ganhou.
E o futebol, esse sujeito caprichoso, adora transformar estatística em provocação. Cada novo clássico carrega os números anteriores como quem carrega uma velha fotografia no bolso. O adversário pode chegar renovado, pode mudar jogadores, treinador, esquema e discurso. O tabu, não. O tabu chega sempre igual, sentado na arquibancada invisível da memória.
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Ler notícia →A última vitória do Vitória nesse recorte aconteceu em 16 de outubro de 2025. Naquele dia, o Rubro-Negro derrotou o Bahia por 2 a 1 e manteve a escrita no Barradão. Não foi apenas mais uma vitória. Foi mais um capítulo de uma história que, desde então, o rival continua tentando reescrever.
Vitória também tem vantagem quando é mandante
Quando o olhar deixa de ficar preso exclusivamente ao Barradão e alcança todos os Ba-Vis pela Série A em que o Vitória teve o mando de campo, a vantagem rubro-negra continua de pé.
São 11 partidas. O Vitória venceu quatro. Seis terminaram empatadas. O Bahia ganhou apenas uma vez.
Mas essa única derrota rubro-negra como mandante tem uma história tão antiga que parece pertencer a outro futebol, a outra cidade e, sobretudo, a outro tempo.
Foi em 5 de novembro de 1989. O Bahia derrotou o Vitória por 2 a 1, em partida disputada na antiga Fonte Nova, que naquela ocasião tinha mando rubro-negro.
Depois daquele dia, o Bahia nunca mais conseguiu repetir a façanha quando o Vitória foi mandante em confrontos pelo Campeonato Brasileiro. Já são dez jogos de invencibilidade do Rubro-Negro diante do principal rival nesse recorte.
Dez jogos. Dez capítulos. Dez vezes em que a história encontrou uma maneira de permanecer de pé.
No Barradão, a história é ainda mais incômoda
O retrospecto específico no estádio deixa o cenário ainda mais claro. O equilíbrio existe, porque três partidas terminaram empatadas. Mas vitória do Bahia, nenhuma.
Os empates aconteceram em 2017, 2018 e 2024. Já os triunfos do Vitória foram registrados em 2002, 2003 e 2025.
É uma sequência construída em diferentes épocas, com diferentes jogadores, diferentes treinadores e diferentes versões dos dois clubes. O elenco muda. O treinador muda. A camisa permanece. E, no Barradão, a camisa rubro-negra continua carregando uma vantagem que o Bahia ainda não conseguiu apagar.
É justamente por isso que o Ba-Vi deste domingo não será apenas mais um jogo da Série A. Para o Vitória, existe a possibilidade de ampliar uma marca histórica. Para o Bahia, existe a chance de finalmente derrubar uma porta que permanece fechada.
O clássico chega em momentos diferentes
O tabu, entretanto, não entra em campo sozinho. O clássico acontece em meio a momentos diferentes das duas equipes no Campeonato Brasileiro.
O Vitória aposta na força diante de sua torcida. O Barradão tem sido uma espécie de território particular do Rubro-Negro, onde a equipe encontra ambiente, confiança e a pressão necessária para transformar cada jogo em uma batalha.
O cenário recente reforça essa confiança. O Vitória vem de uma vitória por 1 a 0 sobre o Botafogo, conquistada no próprio Barradão, com gol de pênalti de Matheuzinho. O resultado encerrou um jejum de quatro partidas sem vencer no Brasileirão e deu novo fôlego à equipe na competição.
Do outro lado, o Bahia chega procurando justamente aquilo que o futebol costuma esconder quando a confiança desaparece: uma vitória.
O Tricolor atravessa uma sequência de cinco empates consecutivos no Campeonato Brasileiro. É uma sucessão de partidas em que a equipe consegue evitar a derrota, mas não consegue transformar o empate em três pontos.
E eis o curioso: chega o Ba-Vi. O jogo que dispensa explicações, que não respeita lógica e que costuma transformar momento em detalhe.
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O tabu estará em campo
O Bahia terá diante de si uma oportunidade rara. Vencer no Barradão pela Série A significaria interromper uma escrita que atravessa os anos e que já sobreviveu a mudanças de geração, de elenco e de contexto.
Para o Vitória, a missão é outra. Não basta vencer o clássico. Existe uma marca a defender. Existe uma história que pode ganhar mais uma linha. Existe a possibilidade de fazer com que o próximo capítulo seja rubro-negro.
O futebol tem dessas coisas. Às vezes, uma partida vale três pontos. Às vezes, vale muito mais. Um clássico pode valer a classificação, a tabela, a confiança. E pode valer também a memória.
O Barradão estará diante de mais um Ba-Vi. O Bahia chegará procurando a primeira vitória pela Série A no estádio. O Vitória entrará tentando impedir que ela aconteça.
São duas camisas, uma rivalidade e uma história que não aceita silêncio.
Vitória e Bahia se enfrentam neste domingo (23), às 16h, no Barradão, pela 24ª rodada do Campeonato Brasileiro da Série A.
O Vitória defende a invencibilidade diante do Bahia no Barradão em jogos pela Série A: em seis confrontos, foram três vitórias rubro-negras e três empates.
No recorte de todos os Ba-Vis pela Série A com mando do Vitória, são 11 jogos, quatro vitórias do Leão, seis empates e uma derrota. O único triunfo do Bahia aconteceu em 5 de novembro de 1989, na antiga Fonte Nova.


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