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Vitória e Botafogo: ataques opostos prometem duelo de gols no Barradão

Apesar do recente empate por 0 a 0, estatísticas de baianos e cariocas prometem um confronto animado no Barradão
Renê em Botafogo x Vitória — Foto: Victor Ferreira/EC Vitória
Renê em Botafogo x Vitória — Foto: Victor Ferreira/EC Vitória


O Barradão receberá neste domingo um confronto de números que parecem escritos por um roteirista de tragédias — e, justamente por isso, prometem futebol. De um lado, um Vitória que encontra dificuldades para marcar. Do outro, um Botafogo que sabe fazer gols, mas também sabe sofrer. É o velho “oito ou oitenta” vestido de futebol.

Pela 23ª rodada do Campeonato Brasileiro, os dois clubes entram em campo carregando uma curiosa contradição: estão entre as equipes que mais sofrem gols na competição, mas vivem realidades completamente diferentes quando o assunto é balançar as redes.

O Vitória tem a bola, tem o estádio, tem a necessidade. Mas tem também um ataque que anda em silêncio. O Botafogo, ao contrário, chega com artilharia mais afiada. É como se os dois estivessem diante do mesmo espelho, mas enxergassem imagens diferentes.

Até aqui, Vitória e Botafogo sofreram 33 gols cada um. O número coloca os dois clubes empatados com a quarta pior defesa da Série A.

Mas a semelhança acaba aí. O Botafogo marcou 35 gols e ostenta o terceiro melhor ataque do campeonato. O Vitória, por sua vez, balançou as redes apenas 22 vezes em 22 rodadas e tem o segundo pior sistema ofensivo da competição, à frente somente da Chapecoense.

É uma diferença cruel. O Botafogo pode errar atrás e tentar corrigir na frente. O Vitória, quando não consegue marcar, parece ficar condenado a esperar por um milagre.

No Barradão, outra história

Só que futebol, esse sujeito imprevisível, resolveu guardar uma esperança para o Vitória. No Barradão, o Rubro-Negro apresenta uma realidade completamente diferente.

Como mandante, o Vitória tem a segunda melhor defesa do Campeonato Brasileiro. Em dez partidas dentro de casa, sofreu apenas sete gols. E a maior parte dessa conta veio justamente na derrota por 4 a 0 para o Palmeiras, em uma noite em que o time ainda teve dois zagueiros expulsos.

No total, o desempenho em casa coloca o Vitória como o quarto melhor mandante da Série A. São dez jogos, sete vitórias, um empate e duas derrotas. O Rubro-Negro marcou 15 gols e alcançou 73,3% de aproveitamento, índice que representa o segundo melhor desempenho da competição nesse quesito.

É quase uma contradição. O Vitória que sofre quando sai de casa encontra no Barradão uma espécie de abrigo. A camisa pesa. A arquibancada empurra. E, por algum motivo que a matemática não explica completamente, o time se transforma.

Só que do outro lado estará um Botafogo que também gosta de contrariar qualquer previsão.

O Alvinegro tem a sexta melhor campanha como visitante, com 14 pontos conquistados em 11 rodadas. Mas leva ao extremo a velha história do “oito ou oitenta”.

Longe do Nilton Santos, o Botafogo consegue ser, ao mesmo tempo, dono do terceiro melhor ataque e da terceira pior defesa da Série A.

São 17 gols marcados e 19 sofridos como visitante. Uma matemática que não gosta de tédio e que aponta para uma média superior a três gols por partida nos jogos do Botafogo fora de casa.

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O 0 a 0 que enganou todo mundo

Há ainda uma lembrança recente entre os dois clubes. E ela parece zombar de todos esses números.

O último encontro entre Vitória e Botafogo terminou em 0 a 0, no dia 23 de julho, em partida atrasada da quarta rodada do Campeonato Brasileiro.

Um placar sem gols. Seco. Frio. Quase burocrático.

Mas o futebol, às vezes, mente no placar.

Aquele empate não contou a história inteira do jogo. Quem estava diante da televisão ou nas arquibancadas viu um Vitória que sobreviveu, em boa parte, graças à atuação de Lucas Arcanjo.

O goleiro rubro-negro foi o grande personagem daquela partida. Fez defesas importantes e impediu que o Botafogo transformasse sua superioridade em gols.

E eis a ironia: um jogo entre um dos ataques mais eficientes e um dos ataques menos produtivos terminou sem que ninguém conseguisse marcar.

O 0 a 0, portanto, foi menos um retrato do que aconteceu e mais uma provocação do futebol.

CLASSIFICAÇÃO DO BRASILEIRÃO 

CLASSIFICAÇÃO DO BRASILEIRÃO


Domingo de números e nervos

Agora, os dois voltam a se encontrar. Só que desta vez o cenário é outro. O Vitória joga em casa, onde apresenta uma das melhores defesas da competição. O Botafogo chega com um ataque que está entre os mais produtivos do campeonato.

De um lado, um Rubro-Negro que precisa transformar o domínio no Barradão em gols. Do outro, um Alvinegro que parece jogar permanentemente no limite entre a explosão ofensiva e o desastre defensivo.

É justamente aí que mora a graça — e o perigo.

Porque os números podem fazer previsões, os estatísticos podem construir suas tabelas e os comentaristas podem preparar suas explicações. Mas existe uma criatura chamada futebol que, quando resolve trabalhar, rasga todas as previsões.

O Vitória e o Botafogo entram em campo neste domingo, às 18h30 (de Brasília), no Barradão, pela 23ª rodada do Campeonato Brasileiro.

O cenário está montado: uma das melhores defesas do Vitória em casa contra um dos melhores ataques do Botafogo como visitante. E, entre os dois, uma pergunta simples, dessas que o futebol adora transformar em drama: quem vai conseguir fazer o primeiro gol?

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