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Vitória Precisa Repetir Virada Histórica para Avançar às Quartas da Copa do Brasil

Após perder por 2 a 0 na ida, Leão busca uma classificação que só alcançou uma vez.

Vitória x Athletico Paranaense

Salvador — A derrota por 2 a 0 em Curitiba deixou o Rubro-Negro diante de um daqueles capítulos que parecem escritos pelo destino antes mesmo do apito inicial. O Athletico-PR abriu vantagem nas oitavas de final da Copa do Brasil e obrigou o time comandado por Jair Ventura a buscar uma classificação que, ao longo de mais de três décadas de competição, aconteceu apenas uma vez quando o Vitória perdeu o primeiro jogo por dois gols de diferença.

Os números são frios, mas o futebol jamais vive apenas deles. Em oito confrontos de mata-mata da Copa do Brasil nos quais saiu derrotado por dois gols na partida de ida, o Vitória conseguiu virar a eliminatória apenas uma única vez. O feito aconteceu em 2010, diante do Corinthians-AL, quando perdeu por 3 a 1 fora de casa e respondeu com uma goleada por 4 a 0 no Barradão.

Aquela noite permanece viva na memória rubro-negra. Depois de sofrer os gols de Yannick Pupo, Catanha e Tozin no primeiro duelo, descontando apenas com Ramon Menezes, o Vitória voltou diferente diante de sua torcida. Júnior abriu o caminho, Renato ampliou, Uelliton transformou a esperança em realidade e Viáfara fechou a goleada que garantiu a classificação.

O time era formado por Viáfara; Nino Paraíba, Anderson Martins, Wallace e Egídio; Neto Coruja, Uelliton e Ramon Menezes; Elkeson, Adaílton e Júnior, sob o comando do técnico Ricardo Silva. Foi uma das noites em que o Barradão pareceu maior do que qualquer estádio do país.

Desde então, porém, a história preferiu o caminho da frustração. Em 1991, o Vitória caiu diante do Remo após perder por 2 a 0 e empatar sem gols na volta. Em 1997, venceu a emoção, mas não o placar agregado, depois do empate por 3 a 3 contra o Grêmio. Em 1998, derrotou o Cruzeiro por 1 a 0 no Barradão, resultado insuficiente para reverter o revés da ida.

Vieram ainda as eliminações para o Figueirense, em 2002, para o Santos na final de 2010, para o Botafogo-PB em 2011 e para o Paraná em 2017. Em todas elas, o Vitória esbarrou na dificuldade de transformar a força do Barradão em uma virada histórica.

O levantamento revela um aproveitamento de apenas 12,5% em confrontos desse tipo. Apesar disso, os números também escondem um detalhe curioso: sempre que buscou reverter uma derrota por dois gols, o Vitória raramente voltou a perder. Em boa parte das eliminações, empatou ou venceu o jogo de volta, mas sem alcançar a diferença necessária para avançar.

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Se o passado pesa, o presente oferece uma fresta de esperança. Nesta mesma edição da Copa do Brasil, o Rubro-Negro já mostrou capacidade de reagir em um mata-mata complicado. Após perder por 2 a 1 para o Flamengo no jogo de ida, venceu por 2 a 0 no Barradão e garantiu vaga na fase seguinte.

Agora, a missão é ainda maior. Para conquistar a classificação direta às quartas de final, o Vitória precisa vencer o Athletico-PR por três gols de diferença. Um triunfo por dois gols levará a decisão para os pênaltis, algo inédito para o clube em confrontos desse cenário específico na competição.

É justamente aí que a lógica costuma encontrar resistência. Estatísticas apontam tendências, mas não entram em campo. A camisa pesa, a arquibancada empurra e o relógio transforma minutos em eternidade. O Barradão conhece o roteiro das grandes noites e sabe que o impossível costuma pedir apenas um primeiro gol para começar a parecer alcançável.

Nesta quinta-feira, às 20h, o estádio voltará a respirar Copa do Brasil. O Vitória terá diante de si a oportunidade de reescrever um capítulo raro de sua história ou ampliar uma sequência de eliminações que atravessa gerações. Entre a matemática e a paixão, resta apenas uma certeza: quando a bola começar a rolar, nenhuma estatística terá o poder de impedir que o futebol escreva uma nova página.

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