O futebol tem dessas crueldades que nenhum cronista ousaria inventar. O sujeito mal termina uma batalha e já escuta ao longe o estampido da próxima guerra. O Vitória desembarcou de madrugada em Salvador carregando nas pernas o cansaço, na cabeça a derrota para o Bragantino e no peito a obrigação de sobreviver em mais uma semifinal nordestina.
Jair Ventura mal teve tempo de respirar. O treinador rubro-negro comandará nesta terça-feira o único treinamento antes do confronto contra o ABC, marcado para quarta-feira, às 21 horas, no Barradão, pela partida de ida das semifinais da Copa do Nordeste.
E existe algo de dramático nisso. O Vitória atravessa a temporada como um boxeador encurralado entre três competições, acumulando viagens, suspensões, lesões e decisões sucessivas. O elenco parece viver permanentemente à beira da exaustão.
Depois da derrota em Bragança Paulista, pela 16ª rodada do Campeonato Brasileiro, os jogadores retornaram a Salvador na madrugada desta segunda-feira e foram liberados. Apenas nesta terça o grupo se reapresenta no CT Manoel Pontes Tanajura.
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Encerrada a atividade, Jair Ventura divulgará a lista dos relacionados que seguirão para a concentração na chácara Vidigal Guimarães. Será uma preparação curta, quase brutal, para um duelo que pode recolocar o Vitória na rota de mais uma decisão regional.
Enquanto os titulares descansavam, os atletas que não viajaram para Bragança Paulista participaram de treinamento no campo 2 do CT sob comando do auxiliar Rodrigo Chagas. Porque o futebol moderno não descansa nunca. Há sempre alguém correndo, tratando, treinando ou tentando sobreviver.
O jogo de volta contra o ABC acontecerá na próxima quarta-feira, dia 27, na Arena das Dunas, em Natal. Quem avançar enfrentará Fortaleza ou Sport Recife na grande final da Copa do Nordeste.
E o Barradão, mais uma vez, será convocado como personagem principal. Porque certas noites naquele estádio deixam de ser partidas de futebol e se transformam em cerimônias de sofrimento coletivo. O torcedor do Vitória conhece esse ritual como ninguém.
A Confederação Brasileira de Futebol divulgou a escala de arbitragem para o confronto decisivo. A equipe será majoritariamente cearense, incluindo o árbitro principal e os assistentes de campo.
- Árbitro: Léo Simão Holanda (CE)
- Assistente 1: Eleutério Felipe Marques Júnior (CE)
- Assistente 2: Zaqueu Eleutério Linhares (CE)
- Quarto Árbitro: Michael Vinícius Santos Freitas (SE)
- VAR: Adriano Barros Carneiro (MA)
A principal novidade será a presença do quinto árbitro, Patrícia dos Reis Nascimento, da Federação Bahiana de Futebol. Um reforço introduzido pela CBF diante do peso decisivo do confronto.
Adriano Barros Carneiro, responsável pelo VAR, já trabalhou recentemente em partida do Vitória contra o Flamengo pela Copa do Brasil. Coincidência ou não, no futebol brasileiro até a cabine do vídeo costuma carregar seus próprios fantasmas.
O Vitória chega ferido, cansado e pressionado. Mas talvez seja justamente nesses momentos que o clube mais se reconheça. Porque o rubro-negro baiano parece possuir uma estranha vocação para sobreviver quando todos imaginam o contrário.




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