Comissão técnica do Vitória altera programação, prioriza recuperação física e prepara o elenco para o confronto diante do Santos na Vila Belmiro.
O torcedor costuma imaginar que a epopeia termina quando o árbitro apita o fim da partida. Não termina. Ela apenas muda de cenário. Depois da vitória por 4 a 3 sobre o ABC, em Natal, resultado que colocou o Rubro-Negro na grande final da Copa do Nordeste, a delegação embarcou rumo a São Paulo trazendo nos músculos os sinais de uma guerra vencida.
Mas o futebol, essa criatura caprichosa, cobra pedágio de seus heróis. A viagem foi longa. Houve atraso na pista do aeroporto. A aeronave aguardou autorização para estacionar. O relógio avançava enquanto jogadores e comissão técnica acumulavam mais desgaste. Não era apenas uma questão de logística. Era o corpo reclamando seus direitos.
Diante desse cenário, Jair Ventura e sua comissão optaram por uma decisão simples, porém carregada de significado: preservar. Em um país acostumado a acreditar que tudo se resolve na marra, a recuperação física tornou-se prioridade. Afinal, o atraso da preparação não nasce de um dia para o outro; é consequência de uma sequência extenuante de jogos, viagens e desafios que se acumulam como capítulos de um romance interminável.
CANAL VITÓRIA EM DESTAQUE
Assim, os atletas permaneceram descansando até mais tarde no Hotel Marriott São Paulo Airport. Às 10h30, após o café da manhã, os titulares iniciaram os trabalhos de recovery. Os demais participaram de um circuito físico montado pelo preparador Juninho Nogueira em uma ampla área próxima à piscina do hotel, realizando atividades de liberação miofascial antes de seguirem para a academia.
Ali não havia arquibancada, não havia holofote, não havia narrador exaltado. Havia apenas suor silencioso. O futebol, como a realidade sem maquiagem, mostra que as grandes conquistas também nascem em sessões discretas de recuperação, longe das câmeras e dos aplausos.
Depois do almoço, a delegação seguiu viagem para Santos em ônibus especial. O percurso de pouco mais de 80 quilômetros pela Rodovia dos Imigrantes representa muito mais do que um simples deslocamento geográfico. É uma travessia entre dois desafios. De um lado, a euforia da final nordestina. Do outro, a necessidade de pontuar no Campeonato Brasileiro.
Neste sábado, às 21 horas, na Vila Belmiro, o Vitória enfrentará o Santos pela 18ª rodada da Série A. Será o último compromisso antes da paralisação da competição em razão da Copa do Mundo FIFA. O Rubro-Negro ocupa atualmente a 11ª colocação, com 22 pontos conquistados, mantendo-se a cinco pontos do Athletico Paranaense, equipe que fecha o grupo dos quatro primeiros colocados.
É uma situação curiosa. Há quem olhe para a tabela e veja apenas números. Mas o futebol não é feito apenas de matemática. É feito de obsessões, expectativas e ambições permanentes. O Vitória está suficientemente distante do topo para exigir cautela, mas suficientemente próximo para alimentar esperança.
E o torcedor rubro-negro sabe disso. Carrega consigo uma fidelidade quase impensável. Uma dessas paixões que desafiam a lógica e sobrevivem aos fracassos, às viagens longas e aos domingos de sofrimento. O clube segue caminhando entre a prudência e o sonho, tentando provar que a temporada ainda reserva capítulos grandiosos.
A partida entre Santos e Vitória terá transmissão ao vivo pelos canais SporTV e Premiere. Para aqueles que preferem acompanhar cada lance sob a ótica rubro-negra, haverá também a tradicional cobertura e reação ao vivo da TV Vitória no YouTube.
Enquanto isso, o elenco segue seu caminho. Não houve treino no CT do Palmeiras. Houve algo talvez mais importante: a compreensão de que, antes de correr atrás da vitória, é preciso recuperar as forças para persegui-la.



0 Comentários