Depois da glória contra o Flamengo, o Vitória tropeça em Bragança Paulista e reacende o tormento das atuações longe do Barradão.
O Bragantino venceu por 2 a 0 e interrompeu a sequência invicta de cinco partidas do Rubro-Negro. Tiago Volpi e Lucas Barbosa marcaram os gols de uma noite em que o Vitória pareceu carregar o próprio cansaço nas costas, como um operário exausto tentando sobreviver à última jornada.
Jair Ventura apareceu na entrevista coletiva com a expressão de quem ainda travava o jogo dentro da cabeça. Havia irritação. Havia inconformismo. Havia também a percepção clara de que o time sentiu o peso emocional e físico da batalha contra o Flamengo no meio da semana.
O treinador criticou duramente a arbitragem. Disse que o jogo foi conduzido de maneira confusa, reclamou de laterais invertidos e contestou interpretações diferentes em lances semelhantes envolvendo Zé Vitor e Juninho Capixaba. Para Jair, houve incoerência. Para o torcedor rubro-negro, ficou a sensação amarga de mais uma noite em que o apito roubou parte da tranquilidade do jogo.
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O Vitória já entrou em campo mutilado. Sem Ramon, suspenso, e precisando improvisar novamente o sistema defensivo, o time sofreu para encontrar equilíbrio. A equipe até melhorou no segundo tempo, tentou reagir, procurou espaços, mas faltou força, precisão e talvez até esperança.
Existe um fantasma rondando o Vitória neste Campeonato Brasileiro: atuar longe de Salvador. O clube segue sem vencer como visitante. São três empates e cinco derrotas em oito partidas. Uma estatística que incomoda, pressiona e começa a ganhar contornos psicológicos.
Com a derrota, o Rubro-Negro caiu para a 14ª posição, estacionado nos 19 pontos. Nada desesperador, mas suficientemente perigoso para acender o alerta num campeonato em que a distância entre o sonho e o abismo muda em questão de rodadas.
Jair Ventura tentou manter o discurso otimista. E talvez precise mesmo fazê-lo. Porque o calendário segue cruel, esmagando elencos, consumindo músculos e triturando emoções. O treinador admitiu que disputar três competições simultaneamente impacta diretamente no rendimento da equipe.
Erick saiu preocupando. O departamento médico continua cheio. Claudinho voltou após quase oito meses parado. E o Vitória parece atravessar aquele momento típico do futebol brasileiro em que a temporada cobra sua conta com juros violentos.
O futebol, porém, não permite luto prolongado. O Vitória agora volta as atenções para a semifinal da Copa do Nordeste contra o ABC. O Barradão será novamente palco de uma dessas noites em que a arquibancada tenta empurrar o time pela força da paixão.
Porque o torcedor rubro-negro sabe de uma coisa: há derrotas que apenas machucam. E há derrotas que revelam. A de Bragança Paulista talvez tenha mostrado que o Vitória ainda procura aprender a sobreviver longe da própria casa — sem perder a alma construída nas noites épicas do Barradão.



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