Porque o futebol, amigo, não aceita a lógica dos homens sérios. O sujeito passa a semana inteira consultando números, porcentagens, tabelas e algoritmos, mas basta a bola rolar para surgir um herói improvável, um frango indecente ou uma tragédia digna das arquibancadas mais delirantes do país.
O Fluminense chega embalado pela boa campanha no Campeonato Brasileiro. É o terceiro colocado, com 26 pontos, e ainda mastiga o empate recente diante do Independiente Rivadavia pela Libertadores. No entanto, até os gigantes carregam rachaduras invisíveis. A derrota para o Internacional no Beira-Rio ainda paira sobre Laranjeiras como um fantasma mal resolvido.
Já o Vitória desembarca no Rio de Janeiro como quem atravessa uma tempestade segurando um fósforo aceso. A goleada sobre o Coritiba reacendeu o orgulho rubro-negro, e a classificação para as semifinais da Copa do Nordeste devolveu ao torcedor algo que parecia perdido em certas noites do campeonato: a fé.
Mas eis o paradoxo perverso: alguns times viajam para jogar futebol. O Vitória viaja para desafiar a estatística. E a estatística, convenhamos, é uma sujeita canalha.
Os números como visitante são quase ofensivos ao coração do torcedor: apenas 11% de aproveitamento fora de casa, o segundo pior índice da Série A. Só que o futebol brasileiro é especialista em humilhar previsões. O impossível, no Brasil, costuma entrar em campo de chuteira preta e meião arriado.
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Jair Ventura terá problemas. E dos grandes. Matheuzinho está suspenso. Erick também cumpre punição após desafiar a arbitragem com palavras que ecoaram como bofetadas no tribunal do futebol nacional. Cacá sequer viajou para o Rio de Janeiro após desconforto muscular. Ramon ainda é dúvida. O departamento médico do Vitória parece mais movimentado que emergência de hospital em véspera de feriado.
Ainda assim, o Leão tenta rugir. Ronald e Diego Tarzia disputam espaço no meio-campo. Marinho surge como favorito para substituir Erick. Renato Kayzer e Baralhas, recuperados de lesão, reaparecem como homens que voltam da guerra trazendo cicatrizes e esperança.
A provável escalação do Vitória tem: Lucas Arcanjo; Nathan Mendes, Edenilson (ou Neris), Luan Cândido e Ramon (ou Jamerson); Baralhas, Martínez, Zé Vitor e Ronald (ou Diego Tarzia); Marinho e Renê (ou Renato Kayzer).
Do outro lado, Luis Zubeldía tenta manter o Fluminense firme entre os protagonistas do campeonato. Bernal retorna após suspensão. Jemmes está fora. Germán Cano segue ausente, e sua ausência é dessas que deixam um silêncio constrangedor no ataque tricolor.
O provável Fluminense terá: Fábio; Guga, Ignácio, Freytes e Guilherme Arana; Bernal, Hércules e Lucho Acosta; Savarino; Canobbio e Castillo (ou John Kennedy).
O Maracanã verá duas atmosferas distintas. De um lado, a ansiedade elegante do favorito. Do outro, a inquietação quase desesperada de quem precisa provar que ainda é capaz de sobreviver longe de casa.
Porque o torcedor do Vitória, esse personagem trágico do futebol brasileiro, já aprendeu uma verdade dolorosa: a esperança rubro-negra nunca chega mansa. Ela sempre vem mancando, sangrando e desacreditada.
E talvez seja exatamente por isso que ela assuste tanto.
PROVÁVEIS ESCALAÇÕES
Onde assistir
- Transmissão: Premiere e Sportv;
- Horário: 18h (de Brasília);
- Local: Estádio do Maracanã;
- Tempo real: ge acompanha todos os lances.
Arbitragem
- Árbitro: Braulio da Silva Machado (SC);
- Assistente 1: Thiaggo Americano Labes (SC);
- Assistente 2: Alex dos Santos (SC);
- VAR: Rodrigo D'Alonso Ferreira (SC).



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