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Vitória volta à Fonte Nova para enfrentar o Bahia, mas estatísticas mostram queda brusca de rendimento do Leão em clássicos com torcida única

Com vice-campeonato estadual ainda fresco na memória, Rubro-Negro tenta reagir no Ba-Vi 507 enquanto números revelam um cenário quase paradoxal: quanto mais vazio o estádio, mais difícil fica para o visitante.

Baralhas e Everton Ribeiro em Ba-Vi na final do Baiano — Foto: Letícia Martins/EC Bahia
Baralhas e Everton Ribeiro em Ba-Vi na final do Baiano — Foto: Letícia Martins/EC Bahia

Por F. M. Ravenscroft — Salvador
9 de março de 2026


Leitor, permita-me começar com uma pequena heresia futebolística: às vezes o silêncio também grita.

Nos Ba-Vis modernos, esse silêncio tem nome e sobrenome: torcida única. Desde 2017, quando a medida foi adotada nos clássicos de Salvador, o estádio passou a viver um estranho paradoxo. Há menos gente nas arquibancadas — mas, para quem joga fora de casa, o ambiente parece ainda mais hostil.

E ninguém sente isso com tanta intensidade quanto o Vitória.

No último sábado, o Rubro-Negro deixou escapar o título do Campeonato Baiano na Arena Fonte Nova. A derrota por 2 a 1 para o Bahia foi dolorosa. Mas talvez mais doloroso seja o retrato frio das estatísticas que acompanham o clube nos clássicos recentes.

O levantamento realizado pelo portal Vitória em Destaque comparou dois períodos distintos: os últimos 32 Ba-Vis com torcida visitante e os últimos 32 disputados com torcida única.

O resultado é quase uma crônica de tragédia.

Nos clássicos antigos, quando as arquibancadas eram divididas entre vermelho e azul, o Vitória venceu oito partidas como visitante. Agora, na era do estádio monocromático, venceu apenas uma.

Sim, leitor: uma única vitória.

É como se o Leão tivesse perdido não apenas espaço no estádio — mas também parte da própria ousadia.

CANAL VITÓRIA EM DESTAQUE

Os números que incomodam

Os dados mostram uma queda brusca de desempenho rubro-negro fora de casa nos clássicos.

  • Vitórias: de 8 para 1 (queda de 87,5%)
  • Empates: de 3 para 7
  • Derrotas: de 6 para 10
  • Aproveitamento: de 52,9% para 18,5%

Em outras palavras: o Vitória passou de visitante perigoso para visitante acuado.

Curiosamente, o Bahia praticamente não sofreu com a mudança. O Tricolor manteve três vitórias em cada recorte estatístico, mostrando que a transformação do ambiente pesou mais para um lado do clássico.

Mas o futebol, como toda boa tragédia, nunca tem uma causa única.

Há também o fator técnico. No período mais recente — justamente o da torcida única — o Vitória passou cinco temporadas disputando divisões nacionais inferiores às do Bahia.

E no futebol, leitor, a diferença de divisão costuma aparecer como um farol em noite escura.

O clássico não espera

Enquanto os números provocam reflexão, o calendário não oferece trégua.

Vitória e Bahia voltam a se enfrentar já nesta quarta-feira, às 20h, novamente na Arena Fonte Nova. O duelo será válido pela quinta rodada do Campeonato Brasileiro.

É o Ba-Vi 507.

Outro capítulo dessa rivalidade que, como dizia o poeta louco sobre o futebol, não é apenas esporte — é também drama humano.

E o Vitória chega ao clássico carregando duas sombras: a do vice-campeonato recente e a das estatísticas implacáveis.

Mas o futebol tem uma peculiaridade que desafia matemáticos e estatísticos: ele gosta de contrariar números.

O improvável é a matéria-prima dos clássicos.

Por isso, leitor, quando a bola rolar na Fonte Nova, não se surpreenda se o destino resolver brincar novamente com a lógica.

No Ba-Vi, a razão costuma entrar em campo…

Mas raramente sai vencedora.


Fontes: levantamento estatístico do portal Vitória em Destaque, dados históricos de Ba-Vis e registros de partidas oficiais entre Bahia e Vitória.

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