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Ministério Público mantém silêncio das arquibancadas: final do Baiano será outra vez de torcida única

Órgão rejeita pedido do Vitória e decisão na Arena Fonte Nova terá apenas tricolores nas arquibancadas

Briga em Vitória x Bahia no Barradão — Foto: Margarida Neide/Ag. A Tarde/Futura Press
Briga em Vitória x Bahia no Barradão — Foto: Margarida Neide/Ag. A Tarde/Futura Press

Por Redação do Vitória em Destaque — Salvador | 4 de março de 2026


SALVADOR — O clássico não começa no apito. Começa na alma. E, às vezes, termina antes mesmo da bola rolar. O Ministério Público da Bahia decidiu, nesta terça-feira, manter a política de torcida única para a final do Campeonato Baiano entre Bahia e Vitória. O pedido do Vitória para que as duas torcidas dividissem a Arena Fonte Nova foi rejeitado. O Ba-Vi decisivo deste sábado terá apenas tricolores nas arquibancadas.

A decisão foi tomada com base em critérios técnicos que, segundo o órgão, priorizam a integridade física de torcedores, trabalhadores e envolvidos no espetáculo. A 3ª Promotoria de Justiça do Consumidor destacou que a política de torcida única é medida preventiva construída a partir do histórico de violência envolvendo o clássico.

“A análise deve ser pautada por critérios técnicos, priorizando a integridade física”, afirmou o Ministério Público em nota oficial.

Procurada, a Federação Bahiana de Futebol confirmou que seguirá a recomendação do MP-BA.

O debate ganhou força após o Vitória garantir vaga na final do estadual. O presidente do clube, Fábio Mota, pediu publicamente o retorno das duas torcidas e protocolou solicitação formal junto à FBF. Em entrevista, argumentou que outros clássicos do país vêm sendo realizados com torcidas mistas e citou exemplos recentes pelo Brasil.

“Não é justo dizer que a Bahia, que faz o maior carnaval do mundo, não pode prover segurança para o Ba-Vi”, declarou o dirigente, defendendo espaços separados para cada torcida dentro do estádio.

Mas o Ba-Vi carrega cicatrizes que não se apagam com retórica. Desde 2017, os clássicos são disputados majoritariamente sob o regime de torcida única. A medida foi adotada após episódios de violência registrados antes e depois de uma partida na Arena Fonte Nova, quando houve confronto generalizado entre torcedores, dezenas de apreensões e, posteriormente, morte nas imediações do estádio.

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Houve breve interrupção da medida em 2018. O que se anunciava como “clássico da paz” terminou em nova confusão, desta vez dentro e fora de campo. Desde então, a política foi retomada e permanece em vigor. Ao todo, 31 Ba-Vis já foram disputados sob este formato.

A final deste sábado, em jogo único, terá mando do Bahia por ter feito melhor campanha. Em caso de empate, a decisão seguirá para os pênaltis. Dentro das quatro linhas, haverá tensão, suor e destino. Nas arquibancadas, apenas um canto ecoará.

O Ba-Vi continuará sendo o maior drama esportivo da Bahia. Mas, desta vez, metade da paixão assistirá à distância.


Fontes: Ministério Público do Estado da Bahia; Federação Bahiana de Futebol; declarações públicas do presidente do Esporte Clube Vitória.


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