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Após 0 a 0 indigesto, Vitória vira a chave e encara o Flamengo no Maracanã

Após um 0 a 0 que beirou o inexistente, Rubro-Negro tenta se reinventar diante do Flamengo pela Copa do Brasil

Jair Ventura vira a chave para a Copa do Brasil

Por Admin — Salvador | 19/04/2026
O Vitória sai de um jogo em que quase não houve futebol e entra em outro em que talvez precise reinventá-lo.

O empate sem gols contra o Corinthians ainda ecoa como um silêncio constrangedor. Não foi apenas um 0 a 0 — foi uma ausência. Um jogo em que a bola existiu, mas o futebol não compareceu. Diria o poeta louco: “invejo a burrice, porque é eterna”. E talvez só a burrice explicasse aquele espetáculo rarefeito, quase inexistente.

Mas o futebol não permite luto prolongado. É uma tragédia apressada. E o Vitória, sem tempo para lamentações, já vira a chave. Na quarta-feira, encara o Flamengo, no Maracanã, pela quinta fase da Copa do Brasil. Um duelo que não admite meio-termo: ou o time existe, ou desaparece.

Na coletiva, Jair Ventura tratou o destino com ironia — como convém aos que já entenderam que o futebol é um teatro de absurdos. Disse que havia duas “bolinhas dificílimas” no sorteio: Flamengo e Palmeiras. Coube ao Vitória a vermelha. E aceitou como quem aceita um duelo marcado.

“Pegamos a vermelhinha, mas vamos lá”, disse o treinador. E nesse “vamos lá” há mais do que estratégia — há resignação, desafio e uma pitada de fatalismo.

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Sobre o empate, Ventura não negou o óbvio ululante: faltou finalização. Faltou o gesto decisivo, o chute que rompe o tédio e rasga a monotonia. Ainda assim, defendeu a equipe com convicção quase teimosa — e aqui cabe outro de seus ecos.

Segundo ele, houve evolução. Posse de bola, construção curta, organização. O Vitória deixou de ser o time do chutão e passou a tentar pensar o jogo. Mas há um detalhe cruel: pensar não basta no futebol. É preciso ferir.

O treinador lembrou as chances desperdiçadas — Martínez, Ronald, Renê. O chute bonito de Zé Vitor. Tudo muito digno, muito correto, muito... inofensivo. Como um amor que nunca chega ao escândalo. E, como já dizia o cronista, “o amor bem-sucedido não interessa a ninguém”. Talvez o futebol também não.

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O Vitória agora carrega uma contradição: cresce, mas não conclui. Evolui, mas não resolve. E no futebol, essa é a mais cruel das ironias — jogar melhor e não vencer.

No próximo domingo, pelo Brasileirão, encara o Athletico fora de casa. Outro teste, outro risco, outra possibilidade de redenção ou fracasso.

Porque, no fundo, o futebol é isso: uma sucessão de pequenas tragédias. E como diria o poeta louco, com a precisão de um bisturi: “só o inimigo não trai nunca”.

Resta saber se o Vitória trairá suas próprias limitações — ou se continuará fiel a elas.

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