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| Renê Santos jogador do Vitoria comemora seu gol — Foto: Jhony Pinho/AGIF |
O Vitória se prepara para enfrentar o Flamengo, mas, no fundo, parece preparar-se para enfrentar a si mesmo.
Depois do empate com o Corinthians pelo Brasileirão — um desses resultados que não ferem, mas também não curam — o elenco rubro-negro voltou às atividades com um objetivo claro e uma dúvida cruel: o que exatamente este time quer ser?
A estreia na Copa do Brasil, marcada para esta quarta-feira, no Maracanã, às 21h30, não será apenas um jogo. Será um teste de caráter. Porque enfrentar o Flamengo, no Rio de Janeiro, é menos uma partida e mais uma exposição pública das próprias fragilidades.
No futebol, como na vida, há quem jogue para vencer — e há quem jogue para não perder. O Vitória ainda não decidiu de que lado está.
No centro dessa narrativa, surge Renato Kayzer — ou melhor, a ausência dele. O atacante, que deixou o campo ainda no início do último jogo com dores na coxa direita, tornou-se mais do que um jogador em observação médica: virou símbolo da incerteza que paira sobre o time.
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Aguarda-se o resultado dos exames. E nunca um exame foi tão simbólico. Porque, se Kayzer joga, o Vitória respira. Se não joga, o time terá de improvisar — e improvisar, no futebol moderno, é quase um pecado mortal.
O treino, por sua vez, seguiu o roteiro habitual: aquecimento, ativação, trabalho em espaço reduzido e coletivo. Tudo muito correto, muito técnico, muito organizado. E, ainda assim, insuficiente para responder à pergunta que realmente importa:
este time sabe o que fazer quando a bola começa a queimar?
Sob o comando de Jair Ventura, o Vitória tenta encontrar equilíbrio. Mas o equilíbrio, às vezes, é apenas uma forma elegante de não decidir nada. O time se organiza, marca, ocupa espaços — e, ainda assim, parece faltar algo.
Falta agressividade. Falta ousadia. Falta, talvez, um pouco de loucura.
Porque o futebol, quando excessivamente racional, perde sua essência. E o Vitória, neste momento, parece mais preocupado em não errar do que em acertar.
E quem joga para não errar acaba errando pelo medo.
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Há ainda um dado que pesa como uma sentença: o desempenho fora de casa. O Vitória ainda não venceu partidas relevantes como visitante nesta temporada. Ganhou apenas confrontos pontuais, sem grande peso simbólico.
No Brasileirão, o retrospecto é desconfortável: empates e derrotas que se acumulam como pequenos fracassos silenciosos. Nada que escandalize — mas o suficiente para corroer a confiança.
E o Maracanã não é exatamente o lugar ideal para resolver inseguranças. Ao contrário: é o palco onde as dúvidas ganham eco.
Jogar no Maracanã é como confessar em praça pública.
O confronto contra o Flamengo, portanto, não será decidido apenas pela qualidade técnica. Será decidido pela coragem — essa entidade invisível que não aparece na escalação, mas define jogos.
O Vitória chega como quem bate à porta de um gigante. Pode entrar. Pode recuar. Pode hesitar. E, no futebol, hesitar é quase sempre perder.
No fim, tudo se resume a uma escolha que nenhum treino ensina:
o Vitória vai jogar para existir — ou vai jogar para ser lembrado?
Porque há times que passam pelo jogo. E há times que deixam cicatriz.
Fonte: EC Vitória.



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