Decisão transforma perda de mando em desconto financeiro; multa por “avalanche” diminui, mas punição por cantos homofóbicos permanece.
Por Redação do Vitória em Destaque — Salvador • 10 de março de 2026
Algumas decisões no futebol lembram um romance trágico: o destino muda, mas a punição continua. O Vitória, que caminhava para dois jogos de silêncio absoluto no Barradão — estádio fechado, arquibancadas vazias e eco de passos — recebeu nesta segunda-feira um novo veredito do Tribunal Pleno do Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD).
A sentença mudou de rosto. O castigo deixou de ser o vazio das arquibancadas e passou a ser o peso do bolso. Os dois mandos de campo com portões fechados foram convertidos em retenção de 30% da renda bruta do próximo jogo no Barradão, contra o Atlético-MG, válido pelo Campeonato Brasileiro.
Em outras palavras: o estádio respirará, mas o caixa sofrerá.
É o tipo de paradoxo que o poeta louco adoraria narrar: o público entra, mas parte da festa vai direto para o tribunal invisível do futebol brasileiro.
A origem do julgamento
O processo nasceu de um episódio turbulento no Ba-Vi 504, disputado em outubro de 2025, pela Série A. Naquela tarde, o Barradão deixou de ser apenas estádio e virou cenário de caos.
Houve briga generalizada entre torcedores. Houve também a chamada “avalanche” na arquibancada, quando parte da torcida foi empurrada para baixo durante a confusão.
O julgamento inicial havia sido severo: multa de R$ 20 mil e dois jogos com portões fechados, punição baseada no artigo 213 do Código Brasileiro de Justiça Desportiva.
No recurso analisado pelo STJD, entretanto, a pena ganhou outra proporção. A multa foi reduzida para R$ 10 mil, e os jogos sem público foram anulados.
Mas nada no futebol desaparece completamente. Algo sempre fica.
No caso do Vitória, ficou a obrigação de repassar 30% da renda da próxima partida no Barradão à CBF.
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A multa que permanece
Se uma punição perdeu força, outra permaneceu intacta.
O tribunal manteve a multa de R$ 80 mil aplicada ao clube por cantos homofóbicos entoados pela torcida, enquadrados no artigo 243-G do código disciplinar.
É uma decisão que reforça uma mensagem cada vez mais presente no futebol brasileiro: arquibancada também tem responsabilidade.
O estádio pode ser palco de paixão, mas não pode ser palco de intolerância.
Clássico antes da punição
Antes mesmo de sentir o impacto financeiro da decisão, o Vitória terá outro teste emocional.
Nesta quarta-feira, às 20h, o Rubro-Negro enfrenta o Bahia no Ba-Vi 507, pela quinta rodada do Campeonato Brasileiro.
O palco será a Casa de Apostas Arena Fonte Nova, casa de praia do Leão.
Assim, o clube atravessa uma semana que parece escrita por um dramaturgo do futebol: um clássico na quarta-feira, um julgamento na segunda, e um desconto inevitável no sábado.
No futebol, como na literatura trágica, o drama nunca termina de uma vez.
Ele apenas muda de capítulo.


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