Dir-se-ia que o futebol é uma tragédia em 90 minutos. E o Vitória, esse organismo emocional, entra em campo já ferido — mas, como todo personagem feroz, perigosamente vivo. Para o duelo contra o Flamengo, nesta quarta-feira, pela Copa do Brasil, faltam dois nomes. E, às vezes, dois nomes são uma eternidade.
Renato Kayzer e Gabriel Baralhas não jogam. Lesionados. A palavra é seca, mas o efeito é dramático. Kayzer, com problema no músculo anterior da coxa direita — nada grave, dizem os exames, como se o futebol respeitasse laudos. Baralhas, por sua vez, exige mais tempo. O tempo, esse inimigo íntimo de todo torcedor.
Ambos caíram após o empate com o Corinthians, um jogo que foi, ao mesmo tempo, nada e tudo — porque, no futebol, até o zero a zero grita.
E não para por aí. O elenco rubro-negro carrega outras ausências: Claudinho, Riccieli, Marinho e Pedro Henrique seguem na transição. Enquanto isso, Mateus Silva, Jamerson, Neris, Camutanga, Edu, Rúben Ismael, Dudu e Fabri habitam o departamento médico — uma espécie de purgatório esportivo.
Mas o futebol — ah, o futebol — é especialista em contrariar a lógica. No lugar de Kayzer, surge Renê. Não como substituto, mas como personagem. Porque ninguém substitui ninguém. Cada jogador é um drama próprio.
No meio, Zé Vitor e Ronald disputam a vaga de Baralhas. Dois homens para um vazio — e o vazio, sabemos, sempre vence. Ainda assim, alguém vestirá a camisa. E isso basta.
A provável escalação do Vitória tem algo de oração: Lucas Arcanjo; Nathan Mendes, Cacá, Luan Cândido e Ramon; Caíque, Zé Vitor (ou Ronald) e Martínez; Erick, Matheuzinho e Renê.
O jogo acontece às 21h30, no Maracanã. Um templo que tanto acolhe quanto condena. A volta será no Barradão, onde o Vitória costuma ser outro — ou talvez seja sempre o mesmo, apenas mais corajoso.
Porque no futebol, há uma verdade inconveniente: não vence sempre o melhor. Vence, às vezes, o mais desesperado. E o desespero, quando veste vermelho e preto, costuma ser perigoso.
Siga o Vitória em Destaque no WhatsApp e acompanhe tudo sobre o Leão.


0 Comentários