Três zagueiros? Dois volantes? Ou um ataque mais ousado? A expulsão de Caíque Gonçalves abre um enigma tático para o técnico rubro-negro na final do Ba-Vi
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| Caíque Gonçalves em Vitória x Flamengo — Foto: Victor Ferreira/EC Vitória |
A expulsão de Caíque Gonçalves na classificação diante da Jacuipense, no último domingo, deixou o Rubro-Negro diante de um paradoxo típico do futebol: ter um elenco inteiro e, ainda assim, sentir que falta alguém. O “camisa cinco” é um desses personagens raros — silencioso como um guarda de esquina, mas decisivo como um juiz de tragédias.
O próprio técnico Jair Ventura reconheceu o dilema. Segundo ele, Caíque é o único jogador do elenco com essas características específicas. Sua ausência não é apenas um desfalque. É um problema de identidade tática.
— Caíque é nosso único cinco. A gente vai ter que se reinventar. Perdemos um jogador que não tem substituto direto. Agora é quebrar a cabeça para montar uma estratégia competitiva — afirmou o treinador após a classificação sobre o Jacuipense.
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E reinventar-se é exatamente o que o Vitória terá de fazer. No elenco profissional existem outros volantes — Emmanuel Martínez, Gabriel Baralhas, Ronald, Zé Breno, Edenilson, Dudu e Rúben Ismael. Mas futebol não é matemática. Dois jogadores da mesma posição raramente significam o mesmo papel em campo.
Dudu e Rúben Ismael, por exemplo, seguem em recuperação de lesão. Baralhas e Martínez já formam a base titular do meio-campo. Restam Ronald, Zé Breno e Edenilson como alternativas mais imediatas.
Entre eles, Edenilson surge como um curioso híbrido. Apesar de volante, já foi utilizado como zagueiro e poderia reproduzir parte das funções de Caíque. O problema é a juventude: aos 20 anos, ainda carrega mais futuro do que passado.
Se a opção for experiência, o técnico tem o veterano Neris, de 33 anos, para reforçar a defesa. Luan Cândido também poderia entrar nessa equação, mas ainda se recupera de lesão e é dúvida para o clássico.
Existe ainda um terceiro caminho — e talvez o mais ousado: abandonar a cautela e apostar em um Vitória mais ofensivo. Nesse cenário, Jair Ventura poderia reduzir o número de volantes e lançar um atacante de lado, como Aitor ou Marinho.
Seria uma formação de risco. Em 2026, ela apareceu apenas uma vez: na vitória por 3 a 0 sobre o Galícia, quando o Vitória atuou com Lucas Arcanjo; Mateus Silva, Edenilson, Camutanga e Ramon; Baralhas, Martínez e Matheuzinho; Erick, Aitor e Osvaldo.
Mas o Ba-Vi não é um jogo comum. É uma espécie de drama coletivo da Bahia. Nele, o futebol se parece mais com literatura: cheio de ironias, exageros e reviravoltas.
No fim das contas, a escalação rubro-negra permanecerá um mistério até poucos minutos antes da partida. Às 16 horas de sábado, quando a bola ainda nem tiver rolado na Arena Fonte Nova, o público finalmente saberá qual foi a escolha de Jair Ventura.
E então o destino falará. Porque no Ba-Vi o empate não resolve nada: se ninguém vencer, o título será decidido nos pênaltis — esse instante cruel em que um estádio inteiro prende a respiração e o futebol se transforma em tragédia ou redenção.


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