O futebol guarda memórias como cicatrizes. Algumas desaparecem com o tempo. Outras insistem — ardem, latejam, reaparecem nos momentos mais inoportunos. Para o Vitória, jogar em Maceió contra o CRB é como tocar numa ferida antiga: sabe-se onde dói antes mesmo do primeiro apito.
O retrospecto não mente — e, como toda verdade incômoda, constrange. Em 15 confrontos como visitante em Alagoas, o Leão venceu apenas três vezes. Perdeu nove. Empatou o restante. Números que não apenas contam uma história: denunciam um padrão.
Nos últimos quatro encontros no Estádio Rei Pelé, o Vitória não venceu. E entre esses capítulos recentes, há um que ainda ecoa como um grito no vazio: o 6 a 0 sofrido na Série B de 2023. Não foi apenas uma derrota — foi uma exposição.
A lembrança não é apenas estatística. É psicológica. É quase metafísica. Porque há jogos que terminam no apito final — e há outros que continuam existindo dentro dos jogadores, silenciosamente.
O último encontro entre as equipes, em 2025, terminou em 2 a 2. Um empate que, à primeira vista, parece equilíbrio. Mas que, no fundo, mantém a escrita: o Vitória não vence.
- CRB 2x2 Vitória — Nordestão 2025
- CRB 6x0 Vitória — Série B 2023
- CRB 3x1 Vitória — Série B 2021
- CRB 2x2 Vitória — Série B 2020
- CRB 0x1 Vitória — Série B 2019
- CRB 0x0 Vitória — Série B 2015
- CRB 0x1 Vitória — Série B 2012
- CRB 1x0 Vitória — Nordestão 2010
- CRB 4x3 Vitória — Série B 2007
- CRB 3x2 Vitória — Série B 2005
- CRB 2x1 Vitória — Nordestão 2001
- CRB 1x0 Vitória — Nordestão 1998
- CRB 1x0 Vitória — Nordestão 1994
- CRB 2x0 Vitória — Série A 1978
- CRB 0x2 Vitória — Série A 1976
Osvaldo, remanescente do elenco, conhece o roteiro — mesmo quando não o protagoniza. Esteve no banco no último encontro e, agora, projeta mais uma batalha difícil.
Após a derrota recente para o Botafogo-PB, o atacante falou como quem sabe que o futebol não oferece tempo para lamentos prolongados:
“É trabalhar e ver os erros. Sábado já tem um jogo difícil contra o CRB. Precisamos vencer para apagar esse jogo. É isso que mantém a gente vivo”, afirmou.
Não há poesia na fala de Osvaldo — há urgência. E talvez seja isso que o momento exige.
Neste sábado, às 17h, no Estádio Rei Pelé, o Vitória volta a campo. Não apenas para enfrentar o CRB. Mas para enfrentar a si mesmo — suas memórias, seus números, suas limitações.
Porque, no fim, o maior adversário de um time nem sempre veste outra camisa. Às vezes, mora no passado.


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