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Vitória atropela o Piauí com golaço de Erick e lidera Grupo A da Copa do Nordeste

Entre aplausos e inquietações, o Rubro-Negro vence por 3 a 1 no Barradão e revela, na vitória, suas próprias contradições

Erick comemora golaço do Vitória no Barradão (Foto: Victor Ferreira / EC Vitória)
Erick comemora golaço do Vitória no Barradão (Foto: Victor Ferreira / EC Vitória)

O Vitória venceu. E, no entanto, há vitórias que não consolam — apenas denunciam. O placar de 3 a 1 sobre o Piauí, na noite do Barradão, foi um grito. E todo grito, convenhamos, nasce de alguma agonia.

O torcedor, esse personagem essencialmente trágico, celebrou como se fosse definitivo. Mas toda unanimidade é burra. O entusiasmo coletivo, quase religioso, escondia um fato ululante: o time precisou de socorro.

Sim, o Vitória começou com reservas, como quem brinca com o próprio destino. E o destino, como sabemos, não gosta de brincadeiras. O primeiro tempo foi um flerte perigoso com o desastre — um jogo morno, quase indecente em sua lentidão.

Renê abriu o placar, é verdade. Mas não nos enganemos: o gol veio mais da falha alheia do que da virtude própria. E aqui cabe a sentença que atravessa gerações: “Se os fatos estão contra mim, pior para os fatos.” O Vitória ignorou os fatos — e por pouco não foi punido por isso.

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O Piauí, modesto e obstinado, ousou. E ousar contra o favorito é sempre um ato de insolência. Empatou com Kauan Maranhão, como quem diz: “também existimos”. E existia mesmo — mais do que o Vitória naquele instante.

Foi então que o técnico Jair Ventura recorreu aos titulares. E aqui está o drama: o time só se tornou ele mesmo quando deixou de ser ele mesmo. Uma contradição digna de contos literários.

Erick entrou. E decidiu. Fez um golaço — desses que não pedem licença, apenas acontecem — e ainda distribuiu uma assistência como quem assina um manifesto. Renê, novamente ele, marcou mais um. E o placar, enfim, ficou confortável.

Mas o conforto, no futebol, é sempre suspeito. Muitas vezes é a falta de caráter que decide uma partida, diria o cronista. Não caráter moral — mas o caráter futebolístico, a coragem de assumir o jogo desde o início. E isso faltou.

O Vitória é líder do Grupo A. E a liderança, como toda posição elevada, é também um lugar perigoso. Quanto mais alto, maior o risco de queda. O torcedor comemora, claro — porque o brasileiro é um feriado. Vive de explosões, de instantes, de euforia.

Mas o jogo deixou marcas invisíveis. O time venceu, mas revelou suas fissuras. E fissuras, quando ignoradas, tornam-se abismos.

No fim, ficou o resultado. Três pontos. Liderança. Aplausos. E, no silêncio que vem depois, uma pergunta incômoda — daquelas que ninguém quer responder:

que Vitória é esse que só existe quando está em perigo?

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