O futebol, por vezes, não é um jogo — é uma confissão. E no Barradão, diante de 8 mil testemunhas, o Vitória confessou seus pecados mais íntimos. Errou como quem implora castigo. Vacilou como quem deseja o próprio fim. E o destino, sempre cruel, não perdoa os distraídos.
O placar de 2 a 1 para o Botafogo-PB, na estreia da Copa do Nordeste, não traduz o drama. Foi pouco. Poderia ser mais. Foi, sobretudo, inevitável.
O Vitória começou como um senhor absoluto, dono da bola, dono do campo, dono da ilusão. Até que, num lance que beira o absurdo, Igor Morais recuou a bola como quem entrega a própria carteira ao ladrão. E lá estava Osvaldo — não como herói, mas como oportunista do destino — empurrando para o gol vazio.
Era o 1 a 0. E parecia o início de uma noite tranquila. Parecia.
Porque o futebol tem dessas ironias: quanto mais o Vitória dominava, mais se aproximava do abismo. Perdia gols como quem desperdiça segundos de vida. E então, após a pausa, veio o castigo — inevitável, quase literário.
Jamerson errou. Não errou apenas um passe. Errou o enredo inteiro. Entregou a bola a Felipe Azevedo, que cruzou para Rodolfo empatar, livre, solto, quase constrangido pela facilidade.
Dois minutos depois, o golpe final do primeiro ato: Dudu, com frieza, virou o jogo. O Barradão silenciou como um teatro diante do último suspiro do protagonista.
O Vitória ainda tentou reagir. Pressionou. Correu. Mas já não jogava — se desesperava.
No segundo tempo, o Vitória voltou como um homem que percebe tarde demais o erro cometido. Tinha vontade, mas lhe faltava lucidez. Dominava o campo, mas não dominava a si mesmo.
Lucas Silva surgiu como lampejo, um sopro de esperança pela direita. Mas esperança, no futebol, não faz gol. E o ataque rubro-negro, nervoso, ansioso, errático, desperdiçava tudo.
Osvaldo ainda acertou a trave — um beijo no nada. Fabri viu jogadas morrerem em seus pés como promessas não cumpridas. E o Botafogo-PB, pragmático, resistia. Defendia-se com a serenidade dos que sabem que o adversário já está derrotado por dentro.
Nem o bombardeio final, com quatro finalizações seguidas, foi suficiente. Porque há noites em que o gol se recusa. E há times que, por seus próprios erros, deixam de merecê-lo.
Com o resultado, o Botafogo-PB assume a liderança do Grupo B, com três pontos. Juazeirense e CRB aparecem logo atrás, com um ponto cada.
O Vitória, por sua vez, amarga a lanterna do Grupo A, sendo o único derrotado até aqui. O ASA lidera a chave com três pontos.
Na próxima rodada, o Leão encara o CRB, fora de casa, neste sábado, às 17h. Já o Botafogo-PB recebe o ASA no domingo, às 18h30.
Público pagante: 8.462
Público total: 8.560
Renda: R$ 181.689,00


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