Há derrotas que se explicam. Outras, que se justificam. E existem aquelas — as mais cruéis — que se aceitam. O Vitória, ao poupar seus titulares, fez um pacto silencioso com o risco. E o risco, como sempre, cobrou com juros.
Derrotado por 2 a 1 pelo Botafogo-PB na estreia da Copa do Nordeste, o Rubro-Negro não foi apenas superado. Foi traído por suas próprias circunstâncias. Um time remendado, uma noite nervosa e uma sucessão de erros que parecem saídos de uma tragédia anunciada.
Após a partida, o técnico Jair Ventura surgiu como um homem dividido entre a razão e o remorso. Explicou. Justificou. Planejou. Mas, no fundo, lamentou.
“Tivemos o planejamento de poupar os atletas. Foram 15 dias com cinco jogos. A fisiologia pediu isso”, disse. E, ao dizer, parecia dialogar não com jornalistas, mas com o próprio destino.
O futebol moderno exige números, métricas, controle de carga. Mas há algo que não cabe em planilhas: o imponderável. E foi ele que entrou em campo no Barradão.
Jair Ventura foi claro: o planejamento não incluía a derrota. Incluía descanso, prevenção, continuidade. Mas o futebol não respeita roteiros. Rasga-os.
“Vamos com força máxima contra o CRB. Precisamos recuperar esses pontos fora de casa”, afirmou o treinador, como quem promete reconstruir o que ainda está em ruínas.
A decisão de poupar titulares também dialoga com uma prioridade maior: o Campeonato Brasileiro. Ainda assim, Ventura insiste que a Copa do Nordeste não será negligenciada. Um paradoxo típico do futebol — priorizar sem abandonar, escolher sem renunciar.
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Segundo o treinador, o Vitória tinha o controle. Fez o gol cedo. Aproximava-se do segundo. Talvez do terceiro. Era um domínio que seduz — e engana.
Bastou a parada técnica para que tudo desmoronasse. Dois gols sofridos em sequência. Dois golpes rápidos, quase indecentes. O time, então, perdeu mais do que o placar — perdeu a serenidade.
“Ficamos nervosos”, admitiu Ventura. E não há diagnóstico mais preciso. O nervosismo é o início de toda tragédia esportiva.
Ainda assim, houve produção ofensiva. Chances. Bola na trave com Osvaldo. Finalizações de Fabri. Mas o gol, entidade caprichosa, recusou-se a aparecer novamente.
“Criamos, mas faltou eficiência”, resumiu o técnico. E, no futebol, eficiência é tudo aquilo que separa o esforço da glória.
O início da temporada trouxe um departamento médico cheio — mas, curiosamente, não por culpa da preparação física. Lesões traumáticas, fatalidades, acasos. O elenco, assim, torna-se um quebra-cabeça incompleto.
Jovens da base ganham espaço. Alguns pedem passagem. Outros ainda tateiam o próprio talento. “Quem aproveitou melhor, vamos ver mais vezes”, afirmou Ventura, numa frase que carrega tanto esperança quanto sentença.
No ataque, as opções diminuem. Lesões tiram peças. Improvisos surgem. E o time segue — não como gostaria, mas como pode.
O Vitória volta a campo neste sábado, contra o CRB, em Maceió. Será mais que um jogo. Será um teste de caráter.
Porque no futebol, como na vida, não basta cair. É preciso decidir como levantar.

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