Caíque Gonçalves volta ao time após suspensão, enquanto Cacá, Diego Tarzia e Anderson Pato surgem como alternativas para um elenco que tenta renascer no Ba-Vi 507.
Por Redação do Vitória em Destaque — Salvador • 10 de março de 2026
O futebol, prezado leitor, tem uma estranha mania de não permitir luto prolongado. Quando um time ainda chora o vice-campeonato, já precisa vestir novamente a armadura.
É exatamente assim que o Vitória chega ao Ba-Vi 507. Ainda ecoa na memória a derrota na final do Campeonato Baiano, mas o calendário — esse carrasco sem coração — já convoca o Rubro-Negro para outro clássico contra o Bahia.
Na tentativa de mudar o rumo da história, o técnico Jair Ventura ganhou quatro novidades no elenco: um retorno aguardado e três possíveis estreias.
O futebol, às vezes, se resume a isso: novos rostos tentando apagar velhos fantasmas.
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| Jair Ventura em treino do Vitória — Foto: Victor Ferreira / EC Vitória |
O retorno do volante que faz falta
A principal novidade é o retorno de Caíque Gonçalves, volante que havia sido expulso antes do Ba-Vi decisivo do Campeonato Baiano.
A ausência dele pesou. Pesou como pesa a ausência de um alicerce numa casa antiga.
O próprio Jair Ventura lamentou a expulsão, lembrando que Caíque é o único jogador do elenco com características claras de camisa cinco, aquele meio-campista que protege a defesa, organiza o caos e tenta colocar ordem no futebol.
No clássico do último sábado, a função acabou sendo improvisada por Edenilson, atleta da base que é volante de origem, mas tem atuado como zagueiro em 2026.
Foi um remendo. E o futebol, como todo drama humano, raramente aceita remendos.
A chegada de um zagueiro com status de solução
Outra possibilidade para o time titular é o zagueiro Cacá, recém-chegado ao clube por empréstimo do Corinthians.
Ele chegou à Toca do Leão com um rótulo pesado: alto investimento. No futebol, leitor, isso significa uma coisa simples — espera-se que resolva problemas.
O defensor de 26 anos não pôde disputar o Campeonato Baiano, mas está liberado para atuar no Brasileirão. A expectativa é que ele ajude a estabilizar uma defesa que ainda busca identidade após a saída de Lucas Halter.
Até aqui, apenas Camutanga tem se mantido firme no miolo defensivo rubro-negro.
O restante parece viver aquela instabilidade típica dos times que ainda procuram o próprio equilíbrio.
Dois atacantes e uma história improvável
Além do retorno de Caíque e da possível estreia de Cacá, o treinador também passa a contar com dois atacantes: Diego Tarzia e Anderson Pato.
Tarzia, argentino de 22 anos emprestado pelo Independiente, atua principalmente pelo lado esquerdo do ataque. O Vitória adquiriu parte de seus direitos econômicos e poderá comprar uma parcela maior caso metas contratuais sejam cumpridas.
Já Anderson Pato traz consigo uma história que parece saída de um romance popular.
Aos 23 anos, o atacante não passou por categorias de base tradicionais. Seu caminho foi outro: o futebol amador, os campos improvisados, o Campeonato Intermunicipal da Bahia.
De lá, passou pelo Galícia, depois pelo Juazeirense, onde marcou dois gols e deu três assistências no Baianão.
Agora tenta conquistar espaço no Vitória.
No futebol, às vezes, o herói aparece de onde ninguém esperava.
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O clássico que não espera
O Vitória soma três pontos no Campeonato Brasileiro e ocupa a 15ª colocação, com um jogo a menos na tabela.
Mas classificação, no momento, é quase detalhe.
O que realmente importa é o clássico.
O Ba-Vi 507 será disputado nesta quarta-feira, às 20h, na Casa de Apostas Arena Fonte Nova, pela quinta rodada da Série A.
É o tipo de partida em que estatísticas tremem, técnicos suam e jogadores entram em campo carregando o peso de uma cidade inteira.
No futebol, leitor, o clássico não é apenas um jogo.
É uma pequena guerra civil de 90 minutos.
E o Vitória, ferido pelo vice recente, tenta provar que ainda sabe rugir.



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