O Vitória venceu o CRB por 4 a 2 neste sábado, no Estádio Rei Pelé. Goleada, festa, reação. Mas, como toda alegria no futebol, havia uma rachadura invisível. E ela surgiu justamente no momento do grito mais alto.
Renato Kayzer marcou o terceiro gol rubro-negro aos 44 minutos do primeiro tempo. Recebeu de Erick como quem recebe um presente inevitável, dominou e bateu forte, no canto, sem piedade. Gol de quem sabe o caminho.
Mas o futebol, esse sujeito traiçoeiro, não aceita felicidade completa. Ainda na comemoração, Kayzer levou a mão à coxa direita. Um gesto simples — e, ao mesmo tempo, definitivo. Ali, o gol deixava de ser apenas gol. Virava presságio.
Não voltou para o segundo tempo. Saiu substituído por Osvaldo, enquanto o jogo seguia, indiferente à dor humana, como sempre faz.
O atacante será reavaliado, passará por exames. O diagnóstico ainda não existe, mas o temor já está instalado. E o futebol, como sabemos, vive muito mais de temores do que de certezas.
Kayzer não é apenas mais um. É o artilheiro do Vitória na temporada, com seis gols. É a referência. É o homem que transforma chances em sentença. E, justamente por isso, sua ausência — ainda que temporária — pesa mais do que qualquer placar.
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O vazio no ataque
A situação se agrava quando se olha ao redor. Renzo López e Pedro Henrique, os outros centroavantes de origem, estão lesionados. Renê, recém-chegado, sequer foi relacionado.
O Vitória, que marcou quatro gols, pode acordar na próxima rodada sem seu principal goleador. Eis o paradoxo: abundância no placar, escassez no elenco.
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Repercussão no banco
Após a partida, Jair Ventura confirmou também que o zagueiro Camutanga deixou o campo com dores. Mais um nome na lista de preocupações.
O treinador, que comemorava a vitória, viu-se obrigado a encarar a realidade que insiste em se impor: o futebol cobra caro até mesmo nos dias felizes.
O que vem pela frente
O Vitória volta a campo já nesta quarta-feira, contra o Cruzeiro, no Mineirão, pelo Campeonato Brasileiro. Tempo curto, dúvidas longas.
E fica a pergunta, dessas que não aceitam resposta imediata: até que ponto um gol pode custar caro demais?
No fim, Kayzer marcou. Mas saiu. E, ao sair, deixou no ar uma sensação incômoda — como se o futebol tivesse cobrado, ali mesmo, o preço da alegria.


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