O Vitória venceu o CRB por 4 a 2 no Estádio Rei Pelé. Mas, como diria qualquer cronista que ainda acredita no drama humano, isso é apenas a superfície. O que se viu foi uma partida em que o caos rondou, tentou entrar — e foi barrado por um homem de luvas.
Lucas Arcanjo não fez defesas. Fez milagres. Defendeu chutes que já pediam aplausos antes mesmo do toque. Negou ao CRB aquilo que parecia inevitável. E, ao negar, deu ao Vitória algo raro: controle sobre o próprio destino.
À frente, o ataque fez o que se espera dos homens que não querem pedir desculpas ao torcedor. Gabriel Baralhas abriu o caminho. Erick jogou como quem resolve pendências com o passado. Renato Kayzer marcou e saiu machucado — como se o gol fosse também um sacrifício. E Tarzia encerrou a história com a frieza de quem assina um decreto.
Do outro lado, Crystopher e Douglas Baggio tentaram reescrever o roteiro. O CRB lutou, insistiu, chutou de longe, bateu à porta. Mas encontrou sempre o mesmo obstáculo: Arcanjo, o homem que decidiu não permitir tragédias naquela noite.
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Após o jogo, Jair Ventura falou. E, ao falar, não pediu calma. Prometeu guerra.
— Conseguimos uma vitória importante, dentro do planejamento. Não queríamos perder em casa, mas mostramos a força do grupo. Vamos brigar pelo título — disse o treinador, como quem não negocia com o acaso.
O técnico ainda lamentou as saídas de Renato Kayzer e Camutanga, ambos com incômodos. Ironia do futebol: poupados antes, ainda assim atingidos. O corpo, às vezes, trai até o planejamento.
— Imagina se não tivéssemos poupado? — questionou, quase em tom de advertência. — Viemos de cinco jogos em 15 dias. Precisávamos preservar.
Há uma lógica nisso tudo. Mas o futebol raramente respeita a lógica. Respeita, no máximo, quem ousa.
E o Vitória ousou. Perdeu na estreia, levantou-se na segunda rodada e agora respira dentro da competição — não como figurante, mas como candidato.
Ambição declarada
Jair Ventura foi direto: a Copa do Nordeste não foi deixada de lado. O discurso é claro, quase insolente:
“Vamos brigar pelo título.”
Mas há uma condição — a classificação. E, no futebol, classificar-se é sobreviver. O resto é consequência.
Destaques da partida
- Lucas Arcanjo: decisivo, protagonista absoluto
- Erick: atuação dominante no ataque
- Tarzia: gol que encerra a tensão
Agora, o Vitória vira a página. O próximo capítulo atende pelo nome de Cruzeiro, no Mineirão. Um adversário pesado, como disse o próprio treinador.
Mas depois do que se viu em Maceió, fica a dúvida: o Vitória teme alguém — ou finalmente reaprendeu a não temer nem a si mesmo?


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