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Vitória denuncia arbitragem contra o Flamengo e exige áudios do VAR — o Leão pede justiça onde viu silêncio

Fábio Mota aponta “erros claros e manifestos” na derrota para o Flamengo e transforma a súmula em campo de batalha fora das quatro linhas.

Daronco no jogo Flamengo 2 x 1 Vitória

Por Redação do Vitória em Destaque — Salvador, 23 de abril de 2026

O Vitória não perdeu apenas por 2 a 1. Perdeu — segundo ele próprio — também para o invisível. E contra o invisível, o clube resolveu reagir com papel, tinta e indignação.

No futebol, há o que se vê — e há o que se sente. E o Vitória, após a derrota para o Flamengo, sentiu mais do que viu. Por isso, fez o que raramente consola, mas sempre acusa: formalizou uma representação contra a arbitragem. Um gesto que não muda o placar, mas tenta reescrever o enredo.

O Leão fala em “erros claros e manifestos”. Expressão elegante para algo mais bruto: a sensação de injustiça. Três lances foram apontados como “passíveis de expulsão”. Três momentos em que, segundo o Vitória, o jogo escapou das regras e entrou no terreno nebuloso da interpretação — esse território onde a verdade costuma sair machucada.

O primeiro episódio ocorreu ainda aos 2 minutos. Luiz Araújo, braço em riste, atingiu Ramon. Lance de cotovelo — desses que dividem opiniões e inflamam arquibancadas. Depois, já no segundo tempo, Arrascaeta pisaria no mesmo Ramon, num gesto que o clube classificou como temerário. Por fim, Saúl acertaria o rosto de Caíque com o braço, num movimento que, para muitos, ultrapassou o limite da proteção e entrou na violência.

E aqui mora o drama: o VAR viu — mas não chamou. Observou — mas não interveio. O silêncio da cabine foi mais eloquente que qualquer apito. Porque, no futebol, o silêncio também julga.

CANAL VITÓRIA EM DESTAQUE 

O comentarista de arbitragem Paulo César Oliveira, no ge.globo, reforçou parte da revolta: para ele, o lance de Saúl era para expulsão. Nos outros, a dúvida persiste — e a dúvida, no futebol, é sempre combustível para a indignação.

O Vitória não se limitou à crítica. Foi além. Solicitou à CBF os áudios do VAR. Quer ouvir o que foi dito, o que foi ignorado, o que foi ponderado. Quer, em suma, transformar o invisível em audível. Porque há decisões que só se explicam quando reveladas — e outras que nem assim.

Em sua representação formal, o clube descreve os lances com precisão quase cirúrgica, como quem tenta provar que o erro não foi acidente, mas falha. E pede providências: análise, esclarecimento e medidas contra a equipe de arbitragem.

A arbitragem esteve sob comando de Anderson Daronco, com auxílio de Leila Naiara Moreira da Cruz e Michael Stanislau, além de Thiago Duarte Peixoto no VAR. Nomes que, após a partida, deixaram de ser apenas nomes — tornaram-se personagens de uma narrativa incômoda.

No fim, o que resta? O placar não muda. O 2 a 1 permanece. Mas o Vitória tenta algo maior do que reverter um resultado: tenta afirmar que o jogo não terminou quando o árbitro apitou.

Porque há partidas que continuam — nos bastidores, nos documentos, nos protestos. E talvez esta seja uma delas.

No futebol, meu caro, não basta perder. É preciso entender por quê. E quando não se entende, protesta-se.

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