Técnico rubro-negro avalia empate sem gols como positivo, destaca entrega física do elenco alternativo e aponta Jamerson como fator de mudança no jogo
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| Rodrigo Chagas em Vitória x Atlético de Alagoinhas — Foto: Victor Ferreira / EC Vitória |
Salvador — O placar foi um zero absoluto, desses que costumam irritar o torcedor apressado. Mas, para Rodrigo Chagas, o empate sem gols do Vitória diante do Atlético de Alagoinhas, na estreia da temporada 2026, teve gosto de revelação. Num futebol em que a pressa costuma atropelar o processo, o técnico viu algo raro: um time que respondeu acima do esperado mesmo com pouco tempo de ensaio.
Com apenas dez dias de preparação, uma equipe alternativa e um elenco mesclado entre juventude e recomeços, o Vitória dominou as ações, acertou a trave e sustentou intensidade até o fim. Para Rodrigo, o rendimento surpreendeu.
“Foi acima da expectativa pelo quantitativo de treinos que tivemos. Os jogadores responderam bem, mantiveram intensidade até o fim do jogo.”
O treinador fez questão de comparar os contextos. Enquanto o Atlético se prepara há mais de um mês, o Vitória iniciou os trabalhos no dia 26 de dezembro. Ainda assim, foi o Rubro-Negro quem pareceu mais inteiro fisicamente. Um detalhe que, para quem observa o futebol com lupa, diz muito sobre entrega e compromisso.
A partida também marcou estreias e reencontros. O zagueiro Danilo Silva vestiu a camisa pela primeira vez. Dudu Miraíma e Felipe Vieira retornaram de empréstimo. Mas foi no segundo tempo que o jogo ganhou outro ritmo.
Recuperado de grave lesão, Jamerson entrou e mudou o ambiente da partida. Mais intensidade, mais presença ofensiva, mais confiança. Segundo Rodrigo, não foi detalhe — foi ponto de virada.
“Jamerson elevou o time. A equipe melhorou em intensidade quando ele entrou. Poderíamos ter feito o gol numa jogada dele.”
O elogio veio acompanhado de contexto. O lateral atravessou um longo processo de recuperação, foi tratado com cautela e agora inicia uma transição pensada para, aos poucos, voltar ao grupo principal. Profissionalismo, dedicação e paciência — três palavras que o futebol raramente respeita, mas que ali foram exaltadas.
Rodrigo também destacou outros nomes, como Edenílson e Zé Breno, além de lamentar a lesão de Kauan, que fazia grande partida. O treinador explicou que o time precisou variar entre o 4-3-3 e o 4-4-2, adaptando-se às ausências e às respostas do jogo.
Na coletiva, uma palavra atravessou todas as respostas: oportunidade. Para os jovens da base, para os atletas em reconstrução e para o próprio técnico, que vive sua terceira chance à frente da equipe.
O Campeonato Baiano, nesse cenário, vira mais do que disputa por pontos. Transforma-se em vitrine, em laboratório, em julgamento silencioso. Cada atuação pesa. Cada erro fica. Cada acerto aproxima.
O próximo capítulo será fora de casa. Na terça-feira, o Vitória enfrenta o Jacuipense, na Arena Cajueiro. Para Rodrigo Chagas, será também um reencontro pessoal — e mais uma prova de que, no futebol, estar pronto é sempre uma condição provisória.
No Barradão, o zero no placar não enganou. Houve sinais. Houve respostas. Houve um time em formação. E, como diria Nelson Rodrigues, às vezes o empate é apenas o ensaio de algo maior.
Fonte: ECV
Foto: Victor Ferreira / EC Vitória


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