Em tarde de domínio rubro-negro, bola insiste em não entrar, Jamerson retorna aos gramados e o Campeonato Baiano começa como um drama sem final feliz
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| Vitória x Atlético de Alagoinhas (Foto: Victor Ferreira / EC Vitória) |
Salvador — O placar marcou zero a zero. Mas o futebol, este velho melodrama, insistiu em contar outra história. No Barradão, na abertura do Campeonato Baiano de 2026, o Vitória foi senhor das ações, dono da posse, herdeiro das chances — e, ainda assim, saiu apenas com um ponto no bolso e uma sensação incômoda no peito.
Com uma equipe alternativa comandada por Rodrigo Chagas, o Rubro-Negro enfrentou o Atlético de Alagoinhas como quem dita o roteiro, mas esquece o desfecho. O Carcará resistiu. A trave conspirou. E o gol, figura central do espetáculo, decidiu não aparecer.
O jogo começou com susto. Aos sete minutos, o Atlético chegou à sua grande chance: Miller encontrou Higor Farias, que invadiu a área e acertou o travessão, como quem avisa que também sabe ferir. O Vitória respondeu pouco depois, quando Diogo Silva carimbou a trave após escanteio. Era o prenúncio de uma tarde em que o ferro falaria mais alto que a rede.
Ainda no primeiro tempo, Pablo Baianinho tentou resolver com ousadia: encobriu o goleiro Patyêgo, viu o gol aberto, mas encontrou Dedé, que salvou em cima da linha, como quem tira a alegria alheia com a ponta da chuteira.
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| Vitória x Atlético de Alagoinhas (Foto: Victor Ferreira / EC Vitória) |
A etapa final manteve o mesmo enredo. O Vitória atacava. O Atlético esperava. Yuri Sena trabalhou pouco, mas apareceu bem quando Higor Farias arriscou de fora da área. Do outro lado, o Rubro-Negro finalizava, rondava, insistia — sem clareza, sem crueldade, sem o golpe final.
Aos 20 minutos, Pablo chutou para fora. Pouco depois, Jamerson, de volta aos gramados após sete meses de silêncio e dor, cobrou falta com perigo e voltou a ouvir o som do estádio — não o do gol, mas o da esperança. Em escanteio cobrado por ele, Lawan apareceu livre, mas finalizou à direita, como se o destino insistisse em negar qualquer redenção completa.
O apito final selou o empate. Um zero a zero que não foi vazio, mas também não foi justo com quem mais tentou. O Vitória terminou a partida com mais posse, mais finalizações e mais frustração.
No futebol, como nas tragédias bem escritas, nem sempre o protagonista vence. Às vezes, apenas sobrevive. O Baiano começou. O Vitória não perdeu. Mas também não venceu. E a trave, essa personagem ingrata, saiu do Barradão invicta.
Fonte: ECV
Fotos: EC Vitória



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