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Vitória Muda a Pele, Vence no Sufoco e Descobre um Herói no Jogo 400 de Jair Ventura

Com nova formação tática, Rubro-Negro derrota o Bahia de Feira por 1 a 0, mas expõe fragilidades que ainda assombram o time

Martínez comemora primeiro gol pelo Vitória contra o Bahia de Feira — Foto: Victor Ferreira/EC Vitória

Salvador — O Vitória venceu. Mas não foi uma vitória tranquila, dessas que permitem dormir cedo e sonhar leve. Foi uma vitória suada, dramática, quase penitência. No jogo 400 de Jair Ventura, o Rubro-Negro trocou a própria pele tática, derrotou o Bahia de Feira por 1 a 0 no Barradão e encontrou em Emmanuel Martínez o homem que decidiu quando a noite já ensaiava impaciência.

Há partidas que são um teste técnico. Outras são um teste de nervos. Esta foi ambas. Pela primeira vez, Jair Ventura abandonou a linha de três zagueiros e iniciou com quatro defensores. A mudança não foi apenas geométrica — foi quase filosófica. Caíque formou a base de um tripé com Gabriel Baralhas e Martínez. O desenho sugeria equilíbrio; o roteiro, tensão.

Escalação do Vitória: Lucas Arcanjo; Nathan Mendes, Camutanga, Neris e Ramon; Caíque, Emmanuel Martínez e Gabriel Baralhas; Erick, Matheuzinho e Renato Kayzer.

O Vitória começou como quem quer resolver cedo. Pressionou, trocou passes, sufocou o adversário. A pressão pós-perda funcionava como engrenagem disciplinada. Mas o futebol, esse animal caprichoso, exige precisão. E faltou. Erraram passes, erraram finalizações. O domínio era territorial — não emocional.

O trio de volantes melhorou o jogo interior. Matheuzinho e Erick flutuavam com inteligência, as infiltrações apareciam, as tabelas davam sinais de vida. Mas o vício do cruzamento persistia. E os laterais, Ramon e Nathan Mendes, não corresponderam. Um cruzamento torto arrancou até um sorriso involuntário de Jair Ventura — desses que escondem preocupação.

O Bahia de Feira, valente, passou a encaixar contra-ataques e equilibrou o jogo no fim do primeiro tempo. O Barradão, inquieto, começou a desconfiar. A superioridade rubro-negra era visível, mas o gol não vinha. E no futebol, quando o gol não vem, o medo chega.

Coube a Martínez — talvez o mais lúcido em campo — assumir a responsabilidade. Já havia obrigado o goleiro a trabalhar em chute de primeira. Depois, oportunista como manda o manual dos heróis improváveis, aproveitou o rebote e marcou. Gol solitário. Gol suficiente. Gol libertador.

COLETIVA DE IMPRENSA COM VENTURA

Marinho e Lucas Silva entraram na etapa final ainda buscando ritmo; tentaram, mas pouco alteraram o cenário. Mateus Silva trouxe fôlego ofensivo pela lateral, sem transformar ansiedade em tranquilidade. O placar mínimo persistiu como advertência.

No fim, Jair Ventura sai do jogo 400 com uma convicção e uma inquietação. A nova formação mostrou domínio, organização e boas conexões pelo centro. Mas a dificuldade para transformar superioridade em gols acende alerta. Laterais são vitais neste modelo — e falharam. O sofrimento foi maior do que deveria.

O Vitória volta a campo neste domingo, às 16h, no Barradão, contra o Galícia, pela última rodada da primeira fase do Campeonato Baiano. Haverá ajustes. Haverá tensão. Porque o futebol não perdoa a ilusão — apenas recompensa a coragem.

Fonte: EC Vitória

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