Às vésperas do Baiano, o técnico trata o campo como confessionário e transforma o coletivo em ensaio dramático no Barradão.
Rodrigo Chagas, atento aos detalhes como um cronista da bola, praticamente concluiu a preparação do time alternativo do Vitória para o Campeonato Baiano. No gramado do CT Manoel Pontes Tanajura, o treinador desenhou a estratégia como quem escreve uma tragédia curta: sem excessos, sem adornos, apenas o essencial para sobreviver ao primeiro ato.
Na tarde desta quinta-feira, sob o sol que não perdoa e a cobrança que nunca dorme, o elenco iniciou os trabalhos com aquecimento comandado por Juninho Nogueira. Depois, Chagas dividiu o grupo, armou dois times e conduziu um coletivo-tático que teve mais de ensaio geral do que simples treino. Cada passe parecia carregado de intenção; cada movimento, um recado silencioso ao Atlético de Alagoinhas.
A sexta-feira será de ajustes finais. No campo 2 do CT, o treinador faz os últimos retoques antes da concentração, encerrando um ciclo de 13 sessões de treinamento, incluindo avaliações físicas e técnicas. É o momento em que o técnico abandona o papel de escultor e passa a confiar na obra pronta — ainda imperfeita, mas viva.
O Vitória estreia no Baianão neste sábado, às 16h (de Brasília), no Barradão. E o estádio, velho confidente das dores e glórias rubro-negras, assistirá ao primeiro capítulo de uma campanha que começa modesta, mas sempre ameaçada pelo exagero da paixão.
Enquanto isso, o time principal, destinado às longas noites do Campeonato Brasileiro, segue outra liturgia. Sob o comando de Jair Ventura, o grupo trabalhou pela manhã na musculação e, à tarde, no campo Bebeto Gama. Houve rondo, organização defensiva e o clássico nove contra nove, onde se aprende mais sobre caráter do que sobre esquema tático.
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Nesta sexta-feira, o elenco principal treina apenas à tarde. Pela manhã, o Núcleo de Saúde e Performance assume o protagonismo, com banheiras de gelo, massagens e botas pneumáticas — o ritual moderno para curar músculos e, quem sabe, ilusões.
No Vitória, nada é simples. A bola rola, mas carrega consigo a velha tensão do clube que nunca entra em campo apenas para jogar. Entra para provar, mais uma vez, que ainda está vivo.
Fonte: EC Vitória | Foto: EC Vitória


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