Leão chega ao último Ba-Vi de 2026 embalado pelo bom momento no Barradão e pela classificação histórica na Copa do Brasil; Bahia tenta respirar depois de cinco empates consecutivos no Brasileirão
Quando Vitória e Bahia entram no mesmo campo, a bola parece carregar uma memória própria. Neste domingo, às 16h, no Barradão, o clássico chega à sua 508ª edição debaixo de uma atmosfera particularmente pesada: de um lado, o Vitória, que recuperou confiança, afastou o fantasma da zona de rebaixamento e transformou sua casa em território hostil; do outro, um Bahia pressionado por um mês sem vencer e por uma sequência de cinco empates que começa a incomodar.
O palco será o Estádio Manoel Barradas, o Barradão, em Salvador. A partida vale pela 24ª rodada do Campeonato Brasileiro e será o último Ba-Vi de 2026. E existe uma ironia bonita — e cruel — nessa história: enquanto o Vitória chega querendo prolongar o próprio momento de ascensão, o Bahia entra em campo precisando provar que ainda consegue transformar posse, esforço e expectativa em vitória.
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Ler notícia →O Vitória chega diferente. Não necessariamente porque tenha deixado de conhecer as dificuldades do campeonato, mas porque reencontrou aquilo que, no futebol, costuma ser mais valioso que qualquer discurso: confiança. A vitória contundente sobre o Botafogo, na rodada anterior, levou o Rubro-Negro aos 29 pontos e à 12ª posição da tabela.
O resultado também abriu uma distância de seis pontos para o Mirassol, primeira equipe dentro da zona de rebaixamento. É uma margem que não permite relaxamento, mas já oferece ao Leão algo que há pouco parecia distante: respirar e olhar para cima.
E como se isso não bastasse, o Vitória carrega outro combustível. A classificação histórica diante do Athletico, nas oitavas de final da Copa do Brasil, acrescentou ao time a sensação de que existe uma temporada para ser disputada até o último minuto.
Mas há ainda o Barradão. Ah, o Barradão. O estádio não é apenas um endereço no mapa de Salvador. É uma espécie de personagem do Vitória. O Rubro-Negro é o terceiro melhor mandante do Campeonato Brasileiro, e a própria campanha mostra que jogar em casa tem sido uma vantagem concreta.
É nesse cenário que o Vitória recebe o rival. O Bahia chega com números melhores na classificação, é verdade. Mas clássico não costuma respeitar planilha. No Ba-Vi, a lógica frequentemente entra pela porta e sai pela janela.
CANAL VITÓRIA EM DESTAQUE
O Bahia ocupa atualmente a sexta posição, com 34 pontos. A pontuação mantém o time na luta pela parte de cima da tabela, mas o momento é de preocupação. Depois do empate contra a Chapecoense, no domingo passado, o time chegou ao quinto empate consecutivo no Brasileirão.
O problema ganhou outro tamanho porque o Tricolor completou um mês sem vencer na Série A. A equipe comandada por Rogério Ceni perdeu terreno na disputa pelo G-4 e agora está quatro pontos atrás do Fluminense, primeiro clube dentro da zona de classificação para a Libertadores de 2027.
O futebol, às vezes, é um sujeito de péssimo humor. Um time pode estar em sexto lugar e, ainda assim, entrar em campo com a sensação de que precisa urgentemente mudar alguma coisa. É justamente esse o estado do Bahia antes do clássico.
O técnico Jair Ventura terá problemas para montar o time. O Vitória não contará com Anderson Pato, Camutanga, Dudu, Edu, Nathan Mendes e Rúben Ismael, todos apontados como desfalques.
A situação de Caíque Gonçalves ainda é tratada como dúvida. O clube mantém cautela em relação às condições dos jogadores e à formação que será levada ao campo.
Ainda assim, o ambiente rubro-negro é de confiança. O time vem de vitória, joga diante de sua torcida e atravessa um momento em que cada resultado positivo parece aumentar a convicção de que a equipe pode terminar a temporada em uma posição mais confortável.
Lucas Arcanjo; Brítez, Cacá, Luan Cândido e Ramon; Baralhas, Martínez e Matheuzinho; Tarzia, Erick e Renê.
Técnico: Jair Ventura.
Do outro lado, Rogério Ceni também terá baixas importantes. O Bahia não poderá contar com Léo Vieira, Ademir, Éverton Ribeiro e Kauê Furquim.
A provável formação tem Ronaldo no gol; Román Gómez ou Marcos Victor, David Duarte, Ramos Mingo e Luciano Juba na defesa; Acevedo, Erick ou Jean Lucas e Nestor no meio; e Erick Pulga, Alejo Véliz e Sanabria ou Willian José no ataque.
Técnico: Rogério Ceni.
É uma escalação que revela o dilema tricolor: encontrar equilíbrio sem perder força ofensiva. O Bahia precisa voltar a vencer, mas terá pela frente um Vitória que chega ao clássico com a confiança de quem acabou de derrubar o Botafogo e joga no seu território.
Ronaldo; Román Gómez (Marcos Victor), David Duarte, Ramos Mingo e Luciano Juba; Acevedo, Erick (Jean Lucas) e Nestor; Erick Pulga, Alejo Véliz e Sanabria (Willian José).
Técnico: Rogério Ceni.
A arbitragem do Ba-Vi terá Raphael Claus como árbitro principal. Ele será auxiliado por Rodrigo Figueiredo Henrique Correa e Thiago Henrique Neto Correa Farinha.
O quarto árbitro será Roger Goulart, enquanto Wagner Reway ficará responsável pelo VAR.
O Silêncio das Estrelas
“Algumas mensagens não devem ser respondidas.”
Em um clássico dessa natureza, cada decisão ganha um tamanho próprio. Uma falta vira discussão. Um cartão vira argumento. Um gol anulado pode virar assunto por uma semana. E, no Ba-Vi, até o silêncio de uma arquibancada pode parecer uma declaração.
O último Ba-Vi de 2026 será disputado neste domingo, 23 de agosto, às 16h, no Barradão, em Salvador, pela 24ª rodada do Campeonato Brasileiro.
TV aberta: Globo
Pay-per-view: Premiere
Jair Ventura já resumiu o espírito do confronto ao afirmar que “rivalidade não tem dinheiro”. A frase cabe perfeitamente na porta do Barradão. Porque o Ba-Vi não pergunta quanto vale o elenco, quanto custa o contrato ou qual é a posição na tabela. O clássico quer outra coisa.
Quer nervos.
Quer coragem.
Quer jogador disposto a correr quando as pernas já estiverem pedindo descanso.
Para o Vitória, a partida representa a possibilidade de confirmar o momento de recuperação, aproveitar novamente a força do Barradão e aumentar a distância para a parte perigosa da tabela. Para o Bahia, é a oportunidade de interromper a série de empates, recuperar confiança e impedir que a disputa pelo G-4 fique ainda mais distante.
O Leão chega embalado. O Bahia chega pressionado. E, entre uma coisa e outra, existe o Ba-Vi.
O clássico está marcado para as 16h deste domingo, no Barradão. Quando a bola rolar, todas as contas anteriores terão pouca importância. Porque há jogos em que a tabela manda. E há jogos em que a camisa manda mais.
Este é um deles.


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