Entre halteres, silêncio e estratégia: Vitória fortalece o corpo antes da batalha contra o Botafogo
Há dias em que o futebol se esconde dos olhos da multidão. Não há gritos nas arquibancadas, nem redes balançando, nem a glória instantânea de um gol. Há apenas o suor silencioso, o peso do ferro e a disciplina dos que sabem que as grandes vitórias começam longe dos refletores. Foi assim o sábado do Vitória, inteiramente dedicado à preparação física no CT Manoel Pontes Tanajura, enquanto o horizonte já aponta para o duelo diante do Botafogo.
No futebol, existe uma ilusão antiga: a de que o espetáculo nasce apenas quando a bola rola. O Poeta Louco talvez dissesse que isso é uma injustiça com os bastidores. Afinal, antes do herói erguer os braços diante da torcida, existe o homem que enfrenta a fadiga, a repetição e o cansaço. O sábado rubro-negro foi exatamente esse retrato. Um dia sem holofotes, mas carregado de significado.
Enquanto a maior parte do elenco realizava um intenso trabalho de força muscular na academia, sob a coordenação do preparador físico Juninho Nogueira e do assistente Robert Damasceno, o objetivo era claro: aumentar a capacidade dos músculos de suportar o desgaste que o Campeonato Brasileiro impõe. Não havia espaço para improvisações. Cada exercício fazia parte de um plano cuidadosamente desenhado para fortalecer um grupo que ainda atravessa uma longa caminhada na competição.
No campo 2 do centro de treinamento, apenas os goleiros Lucas Arcanjo, Fintelman e Yuri seguiram rotina diferente. Sob o comando dos treinadores Itamar Ferreira e Paulo Musse, trabalharam fundamentos específicos da posição, aperfeiçoando reflexos, posicionamento e explosão física. Afinal, para quem vive de impedir gols, cada detalhe pode significar a diferença entre o triunfo e o desastre.
Enquanto os atletas cumpriam suas atividades, Jair Ventura reunia sua comissão técnica. Longe das câmeras, discutia estratégias, observações e alternativas para o próximo desafio. O treinador sabe que o duelo contra o Botafogo, marcado para quinta-feira, às 19h30, no Estádio Nilton Santos, no Rio de Janeiro, representa mais do que uma partida atrasada da quarta rodada. É uma oportunidade para consolidar a boa fase iniciada após a retomada do Campeonato Brasileiro.
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No futebol, vencer também exige inteligência. Os músculos respondem ao treinamento; a mente responde ao planejamento. E Jair Ventura procura equilibrar as duas virtudes antes de colocar sua equipe novamente em campo.
O elenco terá folga neste domingo para recuperação física e mental. A reapresentação acontece na tarde de segunda-feira, quando a preparação entra em sua reta decisiva. Na quarta-feira, logo após o treinamento matinal no CT Manoel Pontes Tanajura, a delegação embarca rumo ao Rio de Janeiro.
Há quem enxergue apenas uma rotina de academia. Mas o futebol nunca foi feito apenas de bolas e chuteiras. Ele também nasce no silêncio das salas de musculação, no planejamento das comissões técnicas e na paciência de quem entende que um campeonato é vencido muito antes do apito inicial. O Vitória segue construindo, longe dos aplausos, a força necessária para enfrentar mais um capítulo de sua caminhada na Série A.
✍️ Sessão de Autógrafos
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