Após goleada e polêmica no Barradão, Fábio Mota denuncia arbitragem, revela cinco pontos no queixo de Cacá e promete levar o caso à CBF
Salvador — O Vitória, que carregava uma sequência de onze partidas de invencibilidade diante de sua torcida, viu o Palmeiras aplicar uma goleada por 4 a 0, mas o placar terminou dividido com outra história: a revolta contra a arbitragem. Para o presidente rubro-negro, Fábio Mota, o rumo da partida foi alterado muito antes dos gols, quando Maurício permaneceu em campo após atingir o zagueiro Cacá com uma cotovelada que abriu um profundo corte em seu queixo.
Logo após o apito final, Fábio Mota apareceu diante da imprensa com um discurso breve, mas carregado de indignação. O dirigente afirmou que o defensor precisou receber cinco pontos no queixo e sustentou que a permanência de Maurício em campo desequilibrou completamente o confronto.
"Ainda bem que o Brasil viu o jogo", declarou o presidente, como quem buscava testemunhas para uma dor coletiva. Segundo ele, o árbitro Alex Gomes Stefano justificou a aplicação apenas do cartão amarelo alegando que a ação não havia sido intencional. Para Mota, porém, a intenção pouco importava diante das consequências do lance.
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A reclamação começou aos 25 minutos do primeiro tempo. Maurício acertou o braço no rosto de Cacá, provocando um corte que exigiria atendimento médico imediato. O árbitro mostrou apenas o cartão amarelo, decisão que rapidamente se transformou no principal foco das discussões. O comentarista de arbitragem PC Oliveira também avaliou que o atleta do Palmeiras deveria ter sido expulso pelo lance.
Fábio Mota afirmou que o episódio não representa um caso isolado. O presidente recordou o confronto contra o Flamengo, disputado em abril, quando o Vitória também contestou a atuação da arbitragem e chegou a solicitar os áudios do VAR.
Segundo o dirigente, o clube nordestino convive com dificuldades que vão além das quatro linhas. Ele destacou a diferença de investimentos em relação a equipes de outras regiões, as longas viagens enfrentadas durante a temporada e lamentou que, além desses obstáculos, o Vitória ainda precise lidar com decisões de arbitragem que considera prejudiciais.
Como forma de protesto, o clube decidiu cancelar as entrevistas coletivas dos jogadores e a tradicional zona mista após a partida. Além disso, confirmou que fará uma representação formal junto à Comissão de Arbitragem da Confederação Brasileira de Futebol, buscando uma análise oficial da atuação da equipe responsável pelo jogo.
Se a cotovelada já havia inflamado o ambiente, o restante do primeiro tempo transformou o Barradão em um cenário de absoluta tensão. Aos 35 minutos, o árbitro foi chamado pelo VAR, comandado por Marco Aurélio Augusto Fazekas Ferreira, para revisar um carrinho de Cacá sobre Arias, lance que inicialmente sequer havia sido marcado como falta.
Após rever as imagens, Alex Gomes Stefano expulsou o zagueiro rubro-negro. A decisão provocou protestos intensos nas arquibancadas e dentro de campo. O lateral Luan Cândido chegou a fazer gestos insinuando roubo, refletindo o clima de revolta instalado entre jogadores e torcedores.
Minutos depois, o árbitro voltou a ser acionado pelo VAR e expulsou outro zagueiro do Vitória, deixando a equipe com dois jogadores a menos. Para PC Oliveira, entretanto, essas duas expulsões foram corretas sob o ponto de vista técnico da arbitragem.
Com inferioridade numérica, o Vitória não conseguiu resistir ao Palmeiras, que aproveitou os espaços para construir a goleada por 4 a 0 e encerrar a longa invencibilidade rubro-negra no Barradão.
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Horas depois da partida, o Vitória divulgou uma nota oficial manifestando "absoluta indignação e revolta" com a atuação da arbitragem. O clube direcionou as críticas ao árbitro Alex Gomes Stefano e ao responsável pelo VAR, Marco Aurélio Augusto Fazekas Ferreira.
No comunicado, o Rubro-Negro reafirma que Maurício atingiu Cacá com uma cotovelada no queixo, causando um corte que exigiu cinco pontos. O texto destaca que, mesmo diante da gravidade do lance, a arbitragem optou por manter o jogador do Palmeiras em campo e que o árbitro de vídeo sequer recomendou uma revisão da jogada.
Segundo a direção rubro-negra, essa decisão teve impacto direto no desenvolvimento da partida e em todos os acontecimentos que vieram na sequência. Por isso, o clube confirmou que apresentará representação formal à Comissão de Arbitragem da CBF, reforçando que continuará defendendo seus interesses e os de sua torcida, exigindo respeito dentro e fora das quatro linhas.
Mas o calendário não concede tempo para contemplações. Enquanto a indignação ainda ecoa pelos corredores do Barradão, o Vitória já precisa voltar os olhos para um novo desafio. Na próxima segunda-feira, às 21h, enfrenta o Athletico-PR, na Arena da Baixada, pelo jogo de ida das oitavas de final da Copa do Brasil.
Porque o futebol, esse personagem impiedoso, jamais interrompe sua marcha. Ele apenas troca o palco. A dor de hoje ainda pulsa, os cinco pontos no queixo de Cacá permanecem como uma cicatriz visível, e a representação prometida pelo clube seguirá seu caminho nos tribunais. Mas a bola voltará a rolar. E, no fim, será novamente ela quem obrigará o Vitória a transformar indignação em resistência.


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