Reforma do Estatuto abre um novo capítulo na história política do Colossal, mas mudanças ainda dependem de aprovação
O futebol costuma ser lembrado pelos gols, pelos títulos e pelos domingos de arquibancada cheia. Mas existem partidas que acontecem longe das quatro linhas. São silenciosas, disputadas entre artigos, parágrafos e decisões administrativas. O Vitória vive uma delas. A Comissão Permanente de Adequação do Estatuto Social concluiu a proposta de reforma do documento que rege a vida do clube. Ainda não há mudança em vigor, mas o texto desenha um novo horizonte para o Rubro-Negro e agora seguirá para discussão e votação nas instâncias competentes.
Todo grande clube possui uma alma visível, aquela que vibra nas arquibancadas, e outra quase invisível, escrita em seus estatutos. É nesse documento que se decide como será o futuro institucional, quem poderá governar, quais serão os limites do poder e de que forma o patrimônio será administrado. No Vitória, essa discussão voltou ao centro do debate com uma proposta que altera pontos considerados estratégicos para os próximos anos.
Entre as mudanças mais significativas está a possibilidade de criação de uma Sociedade Anônima do Futebol (SAF) com venda gradual de participação para investidores. Pela proposta, o clube não precisará negociar toda a sociedade de uma única vez, podendo realizar operações de forma escalonada. Ainda assim, qualquer negociação continuará condicionada à aprovação dos órgãos deliberativos e dos associados.
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➜ Fabiano é regularizado e reforça o Vitória ➜ Atacante deixa de ser promessa e bate marca importante ➜ Vitória fortalece o elenco e mira duelo decisivo no BrasileirãoOutra alteração relevante envolve a participação direta dos sócios durante eventuais negociações da SAF. As consultas públicas e audiências deixam de ser obrigatórias, tornando o processo mais objetivo do ponto de vista administrativo, embora permaneça sujeito às etapas de aprovação previstas pela estrutura interna do clube.
O texto também promove mudanças importantes na composição do Conselho Fiscal. Em vez de ser escolhido pelos associados, seus integrantes passariam a ser indicados pelo Conselho Deliberativo. Em contrapartida, o órgão receberia atribuições mais amplas para acompanhar obrigações trabalhistas, tributárias e financeiras do Vitória, fortalecendo sua atuação na fiscalização das contas do clube.
Na esfera política, a proposta amplia os mandatos de presidente e vice-presidente de três para quatro anos. Caso haja reeleição, os dirigentes poderão permanecer no comando por até oito anos consecutivos. Paralelamente, aumentam os critérios de elegibilidade para os cargos políticos. Para disputar a presidência, por exemplo, será necessário possuir pelo menos cinco anos ininterruptos como associado.
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Também muda a forma de prestação de contas. Os relatórios deixam de ser apresentados trimestralmente e passam a ser semestrais. A justificativa é equilibrar o calendário administrativo com um sistema de fiscalização mais robusto, conferindo maior responsabilidade ao Conselho Fiscal na análise permanente das finanças rubro-negras.
Outros pontos igualmente chamam atenção. Os conselheiros passarão a contribuir com uma taxa de manutenção, deixa de existir limite para o número de diretores que poderão integrar o Conselho Gestor e os proprietários de cadeiras cativas terão garantido o acesso às partidas, desde que permaneçam adimplentes com suas obrigações junto ao clube.
Apesar da conclusão do trabalho técnico, nenhuma dessas alterações produz efeitos imediatos. A proposta entra agora na fase de debates internos, onde será examinada pelos órgãos competentes do Vitória. Somente após aprovação formal pelas instâncias previstas no atual Estatuto é que as mudanças poderão entrar em vigor.
O destino de um clube não é escrito apenas pelos pés de seus jogadores. Em determinados momentos, ele também nasce da tinta que percorre um estatuto. E o Vitória inicia justamente uma dessas travessias: uma discussão que pode redefinir sua estrutura administrativa, política e financeira para as próximas décadas.


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