Derrota em Belém expõe fragilidade fora de casa, mas treinador rejeita o desespero, banca o goleiro e mira reação diante do Palmeiras.
O futebol é um tribunal impiedoso. Não conhece absolvição definitiva nem condenação eterna. Ontem, Lucas Arcanjo era chamado de goleiro de Seleção. Bastaram noventa minutos no Mangueirão para surgir o carrasco invisível das arquibancadas, aquele que transforma aplausos em desconfiança. Jair Ventura, porém, recusou-se a participar desse linchamento esportivo. Preferiu erguer o escudo diante do seu camisa 1.
O Vitória voltou de Belém derrotado por 2 a 0 pelo Remo, na abertura do segundo turno do Campeonato Brasileiro. A equipe baiana sofreu mais um duro golpe longe do Barradão, onde continua sem vencer na competição. O primeiro gol nasceu após um chute de longa distância de Jajá, que contou com uma falha de Lucas Arcanjo. Na etapa final, Alef Manga aproveitou um contra-ataque para ampliar e decretar a vitória paraense.
Na entrevista coletiva, Jair Ventura tratou de colocar um freio nas críticas dirigidas ao goleiro rubro-negro. Para o treinador, um erro não apaga toda a trajetória construída pelo atleta ao longo da temporada.
"É a vida dos profissionais que estão envolvidos. Num jogo ele é pedido para a Seleção. Continuo dizendo que é um dos melhores goleiros do Brasil. Teve esse lance, mas nada muda para a gente. Sabemos da importância dele e vamos continuar passando confiança. Há três dias ele era tratado como goleiro de Seleção. Agora vai receber críticas. Faz parte do futebol."
As palavras do treinador carregavam mais do que uma defesa individual. Eram uma tentativa de impedir que a derrota abrisse uma crise dentro do elenco. Para Jair Ventura, o Vitória produziu o suficiente para sair de Belém com outro resultado, mas faltou justamente aquilo que separa vencedores dos derrotados: eficiência.
Segundo o comandante rubro-negro, sua equipe controlou boa parte da partida, teve posse de bola, criou oportunidades importantes com Tarzia, Renê e Gabriel Baralhas, mas falhou exatamente nos momentos decisivos. Enquanto desperdiçava suas oportunidades, o Remo fazia aquilo que conhece como poucos: explorava os espaços em velocidade.
"Começamos controlando o jogo, tivemos as melhores oportunidades e sofremos o gol em um vacilo. No segundo tempo fomos para cima, mas eles aproveitaram a transição e marcaram novamente. Tivemos pouca efetividade. Perdemos duas posições, mas não existe terra arrasada."
O treinador lembrou ainda que o Vitória vinha de uma sequência de quatro partidas sem derrota e pediu equilíbrio nas análises. Para ele, um resultado negativo não pode apagar tudo o que foi construído nas últimas semanas.
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Questionado sobre possíveis alterações na equipe titular, Jair Ventura deixou claro que ninguém possui cadeira cativa. Segundo ele, cada escalação continuará sendo definida de acordo com o desempenho apresentado por cada atleta.
"Quem não estiver vivendo um bom momento terá menos tempo em campo. Ninguém tem lugar garantido."
Apesar da derrota, o técnico mostrou confiança para o duelo diante do Palmeiras, marcado para quarta-feira, às 21h30, no Barradão. Jair recordou a força do Vitória como mandante e lembrou que sua equipe já demonstrou capacidade para enfrentar adversários considerados favoritos.
"Pegamos um Flamengo praticamente imbatível, fizemos um grande jogo e mostramos nossa força. Temos totais condições de vencer o Palmeiras."
O treinador também respondeu às críticas sobre a utilização de Jamerson improvisado na lateral direita. Jair classificou como injusto responsabilizar um único jogador pelo resultado negativo e lembrou que a mesma formação vinha obtendo bons resultados nas rodadas anteriores.
Segundo ele, Fabiano Souza ainda busca sua melhor condição física, Mateus Silva continua sendo opção e outras adaptações já aconteceram ao longo da temporada, como Caíque Gonçalves atuando improvisado na defesa.
Sobre as quatro substituições realizadas logo após o segundo gol sofrido, Jair explicou que a necessidade de buscar o resultado obrigou a equipe a acelerar mudanças que seriam feitas mais tarde.
Ele também justificou a presença de Tarzia entre os titulares. O atacante recebeu oportunidade após Matheuzinho enfrentar uma virose recentemente e, na visão do treinador, respondeu bem, principalmente nas jogadas construídas pelo lado esquerdo ao lado de Ramon.
Outro ponto criticado pelo próprio treinador foi o desempenho ofensivo nas bolas paradas. Jair admitiu que o Vitória teve atuação abaixo do esperado nas cobranças de escanteios e faltas laterais, chegando inclusive a trocar os cobradores durante a partida, sem sucesso.
Apenas uma oportunidade criada por Gabriel Baralhas levou perigo. No restante do jogo, o Rubro-Negro praticamente não conseguiu aproveitar nenhuma bola levantada na área.
A derrota amplia um problema que já se tornou um dos maiores obstáculos do Vitória na Série A. Em onze partidas como visitante, o clube soma agora sete derrotas e quatro empates, permanecendo sem conquistar um único triunfo longe de Salvador.
O resultado derrubou o Rubro-Negro para a 13ª colocação, estacionado nos 26 pontos. Agora, toda a expectativa da torcida se volta para o Barradão, onde o Vitória receberá o líder Palmeiras em um confronto que pode representar muito mais do que três pontos. Será a oportunidade de provar que a queda em Belém foi apenas um tropeço, e não o início de uma tempestade.


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