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Vitória começa semana decisiva com reapresentação, quartas da Copa do Nordeste e desafio no Brasileirão

Entre a glória recente e a cobrança eterna, o Leão reaparece para encarar decisões que podem definir sua temporada

Diego Tarzia, atacante do Vitória

Por Redação Vitória em Destaque — Salvador | 04 de maio de 2026

O Vitória se reapresentou nesta segunda-feira carregando nas costas um paradoxo tipicamente brasileiro: venceu como gigante, mas ainda vive como quem precisa provar tudo outra vez.

O futebol, já dizia o cronista, não aceita a paz. Ele é, por natureza, uma guerra disfarçada de espetáculo. E o Vitória retornou ao Centro de Treinamento Manoel Pontes Tanajura nesta segunda-feira como quem volta de uma batalha vencida — mas não de uma guerra encerrada.

Às 15 horas, o elenco rubro-negro se reapresentou ocupando a 9ª posição no Campeonato Brasileiro. Um lugar que não é miséria, mas também não é glória. É o meio-termo — esse território incômodo onde vivem os times que ainda não sabem se serão heróis ou figurantes.

E é justamente nesse limbo que o Vitória vira a chave. Porque o calendário, esse carrasco impiedoso, não permite contemplação. A Copa do Nordeste surge como uma decisão sem amanhã, um duelo único, quase um duelo de honra, contra o Ceará.

AGENDA DO VITÓRIA 

Agenda do Vitória
A semana que pode mudar tudo

Quarta-feira, às 21h30, no Barradão, não será apenas um jogo. Será um julgamento. Em campo, dois times. Fora dele, a ansiedade coletiva de uma torcida que já sofreu o bastante para não acreditar em promessas fáceis.

Em caso de empate, o destino será decidido nos pênaltis — esse tribunal cruel onde a bola pesa toneladas e o gol parece encolher diante do desespero humano.

O técnico Jair Ventura, homem de palavras medidas e olhar de quem já viu o caos de perto, resumiu o momento com a sobriedade de quem conhece o abismo:

“Esse é um mês muito decisivo para a gente. Temos agora um jogo de mata contra o Ceará. Espero que a torcida nos ajude a buscar a classificação.”

Mas o que o treinador talvez não diga — e o futebol grita — é que jogos assim não são jogados. São sobrevividos.

CANAL VITÓRIA EM DESTAQUE 

Do êxtase à realidade

A goleada por 4 a 1 sobre o Coritiba ainda ecoa como um grito de redenção. Foi uma noite em que tudo deu certo — e justamente por isso, perigosa. Porque no futebol, a euforia costuma ser o primeiro passo rumo à queda.

O Vitória, agora, precisa provar que não foi apenas um lampejo. Precisa transformar o acaso em padrão, o entusiasmo em disciplina, a vitória em identidade.

E o Brasileirão não espera

Como se não bastasse o drama nordestino, o sábado reserva outro capítulo dessa novela sem descanso: o confronto contra o Fluminense, no Rio de Janeiro, pela 15ª rodada do Brasileirão.

O adversário é o terceiro colocado. Ou seja: não há trégua, não há alívio, não há tempo para respirar.

A comissão técnica, ciente da fragilidade física e mental de um elenco que já sangrou demais, programou recuperação para os titulares e treinamento no campo Bebeto Gama para os demais. Uma tentativa de equilibrar corpos cansados e mentes inquietas.

O Vitória de hoje

O Vitória de hoje é um time remendado — e, paradoxalmente, mais forte por isso. Porque há equipes que se constroem na abundância. Outras, como esta, nascem da falta.

E talvez seja justamente aí que mora sua verdade: um clube que, entre dores e glórias, insiste em existir. Um time que não se permite morrer, mesmo quando tudo conspira contra.

No fim, o futebol é simples. Terrivelmente simples. E cruel: quarta-feira dirá quem o Vitória é.

Ou, como diria o poeta louco — sem pedir licença à lógica —: o pior cego é aquele que só vê a vitória quando ela já passou.

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