Embalado pela classificação para a final da Copa do Nordeste, o Rubro-Negro desafia o Santos na Vila Belmiro em um confronto que coloca frente a frente a urgência santista e a confiança de um Vitória em ascensão.
Santos e Vitória entram em campo neste sábado, às 20h, na Vila Belmiro, pela 18ª rodada do Campeonato Brasileiro. De um lado, um Santos acuado pela proximidade do abismo. Do outro, um Vitória que tenta provar a si mesmo que o destino pode ser conquistado à força de coragem.
O futebol, como a existência, não admite piedade. O Santos chega ao duelo trazendo nos ombros uma vitória internacional sobre o Deportivo Cuenca e a classificação para os playoffs da Copa Sul-Americana. Mas nem mesmo esse triunfo foi capaz de apagar a angústia que ronda os corredores da Vila Belmiro. A equipe ocupa a primeira posição dentro da zona de rebaixamento, com 18 pontos, e encara cada rodada como quem caminha à beira de um precipício.
A condição santista lembra aquela velha tragédia humana: o sujeito que sorri para a fotografia enquanto o chão desaparece sob seus pés. O técnico Cuca atingiu metas importantes ao longo da temporada. Levou o clube adiante nas competições eliminatórias, viu Neymar ser convocado para a Copa do Mundo e manteve vivo o sonho continental. Ainda assim, a tabela do Brasileirão insiste em lançar sua sombra sobre a Baixada Santista.
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Do outro lado estará um Vitória que vive o oposto. O clube Colossal chega embalado por uma classificação retumbante para a final da Copa do Nordeste. Foram dez gols marcados em dois confrontos contra o ABC, um espetáculo de ousadia e eficiência que reacendeu nos rubro-negros aquilo que poderíamos chamar de paixão eterna pelo improvável.
O time de Jair Ventura também vem de resultado positivo no Campeonato Brasileiro e busca aquilo que ainda lhe escapa: a primeira vitória como visitante. Afinal, o ser humano é uma criatura inquieta. Quando conquista um objetivo, imediatamente passa a desejar outro. E o Vitória sabe que uma campanha sólida fora de casa pode mudar completamente o rumo de sua temporada.
Na Vila Belmiro, o Santos aposta suas fichas em Gabigol. O atacante atravessa momento iluminado, com quatro gols e duas assistências nas últimas três partidas. É o tipo de personagem que o futebol costuma produzir quando o drama exige um protagonista. Ao seu lado estarão nomes experientes como Lucas Veríssimo, Luan Peres, Willian Arão e Christian Oliva.
Provável escalação:
Diógenes; Adonis Frías (Igor Vinícius), Lucas Veríssimo, Luan Peres e Escobar; Willian Arão e Christian Oliva; Gabriel Bontempo, Miguelito (Rollheiser) e Barreal; Gabigol.
O Vitória, por sua vez, terá mudanças. Nathan Mendes segue fora por lesão, enquanto Cacá cumpre suspensão. Jair Ventura avalia alternativas para reorganizar a defesa. A boa notícia está nos retornos de Ramon, Martínez, Matheuzinho e Zé Vitor, peças importantes para um time que encontrou equilíbrio entre intensidade e criatividade.
O treinador rubro-negro sabe que o futebol não recompensa os acomodados. O erro continua sendo o privilégio humano que conduz à verdade, e por isso mesmo cada ajuste, cada tentativa e cada improviso podem representar a diferença entre o êxtase e a frustração.
Provável escalação:
Lucas Arcanjo; Edenilson (Claudinho), Caíque Gonçalves (Neris), Luan Cândido e Ramon; Gabriel Baralhas, Martínez e Zé Vitor; Erick, Matheuzinho e Renê.
A arbitragem ficará sob responsabilidade de Rafael Rodrigo Klein, auxiliado por Maira Mastella Moreira e Maurício Coelho Silva Penna. No comando do VAR estará Wagner Reway. Como sempre ocorre no futebol brasileiro, haverá quem enxergue justiça e quem encontre conspiração. A vida esportiva raramente é um território de consensos.
Quando a bola rolar na Vila Belmiro, estarão em campo mais do que vinte e dois jogadores. Estarão presentes os medos, as ambições, as dúvidas e as esperanças de duas torcidas apaixonadas. O Santos luta para afastar os fantasmas da zona de rebaixamento. O Leão Colossal busca consolidar a imagem de equipe competitiva e sonhadora.
No fim das contas, o futebol continua sendo um espelho da própria existência. Uns jogam para sobreviver. Outros jogam para conquistar. E há aqueles que, entre uma coisa e outra, descobrem que o verdadeiro mistério não é permanecer em pé, mas encontrar algo pelo qual valha a pena lutar.




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