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SEM ERICK, JAIR VENTURA PROCURA NO ELENCO O QUE O VITÓRIA ENCONTROU EM UM SÓ HOMEM

Suspenso contra o Fluminense, Erick desfalca um Vitória que ainda procura no elenco alguém capaz de substituir seu poder de decisão.

Erick visita Camutanga no DM

Por Vitória em Destaque — Salvador
08 de maio de 2026 

O futebol brasileiro tem o hábito de fabricar heróis às pressas e sepultá-los no domingo seguinte. Mas Erick, neste instante do campeonato, parece escapar dessa lógica cruel. Sua ausência contra o Fluminense, neste sábado, no Maracanã, não produz apenas uma mudança tática. Produz um vazio moral, desses que deixam o torcedor olhando para o teto como quem espera um telegrama da tragédia.

Nelson Rodrigues dizia que o óbvio também é filho de Deus. Pois o óbvio no Vitória de Jair Ventura atende pelo nome de Erick. Quando o jogo emperra, é ele quem rasga o destino com um drible. Quando o relógio sufoca, é ele quem inventa o impossível. E quando a torcida já começa a negociar sua própria esperança com o desespero, surge o camisa 33 como quem desafia a própria lógica do futebol.

Só que o futebol, esse canalha irresistível, adora testar a fé dos homens. Erick está suspenso. Não enfrentará o Fluminense. E o Vitória desembarca no Rio de Janeiro carregando aquela sensação típica dos grandes melodramas esportivos: a impressão de que perdeu algo maior do que um jogador.

O Superior Tribunal de Justiça Desportiva reduziu a pena do atacante após as críticas direcionadas à arbitragem. Ainda assim, permaneceu a suspensão de uma partida. Resultado: o principal nome ofensivo do Rubro-Negro observará o duelo à distância, enquanto Jair Ventura tenta encontrar uma solução dentro de um elenco que, hoje, parece orbitá-lo.

O PROBLEMA DAS AUSÊNCIAS

Há times que sobrevivem sem seus craques. Outros entram em colapso silencioso. O Vitória tenta descobrir em qual dessas categorias se encontra.

Erick disputou todas as treze partidas do clube na Série A. Foi titular em dez delas. Seus números não pertencem ao acaso, essa prostituta estatística do futebol moderno. São oito gols e nove assistências na temporada — participação direta em dezessete gols. Nenhum ponta entre os clubes da Série A participa tanto das jogadas decisivas quanto ele.

“Ele é o beirada mais decisivo do Brasil hoje”, repetiu Jair Ventura, como quem tenta convencer a imprensa, os torcedores e talvez até a si próprio.

E talvez esteja certo. Porque os possíveis substitutos, juntos, possuem números inferiores aos do próprio Erick sozinho. Eis o paradoxo cruel: o Vitória possui alternativas, mas nenhuma delas parece possuir a violência competitiva que transforma partidas comuns em noites históricas.

  • Erick: 8 gols e 9 assistências;
  • Possíveis substitutos: 5 gols e 7 assistências somados.

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MARINHO, O NOME QUE AINDA NÃO ACONTECEU

Marinho surge como substituto natural. E há nisso uma ironia amarga. Contratado como grande reforço da temporada, chegou cercado de expectativa, fumaça e promessas. O torcedor imaginava um furacão; recebeu, até aqui, apenas lampejos tímidos.

O atacante desembarcou sem ritmo ideal, sofreu lesão justamente quando começava a encontrar sequência e ainda não participou diretamente de nenhum gol. São dez jogos, oito deles saindo do banco, e uma espécie de silêncio estatístico que incomoda.

No futebol, porém, existe sempre o personagem adormecido. Aquele que passa meses invisível até despertar numa noite improvável. O Maracanã costuma gostar desses roteiros melodramáticos.

AS OUTRAS PEÇAS DO TABULEIRO

Fabri e Lucas Silva também aparecem como alternativas. Mas ambos carregam aquela aura dos jogadores ainda não plenamente confiáveis para partidas que exigem nervos de aço.

Fabri só iniciou uma partida como titular — improvisado como centroavante diante do Palmeiras. E o dado talvez seja ainda mais cruel do que parece: ele não participa diretamente de um gol desde fevereiro de 2025.

Lucas Silva, por sua vez, soma um gol e uma assistência em nove jogos. Recebeu oportunidade como titular apenas contra o Piauí, pela Copa do Nordeste.

Diego Tarzia também entra na discussão. O atacante pode atuar pelos lados do campo ou ocupar função mais centralizada, sobretudo porque Matheuzinho também está suspenso. Tarzia possui dois gols pelo Vitória e talvez represente a aposta mais imprevisível dentro do elenco.

Já Aitor Cantalapiedra vive um daqueles mistérios que só o futebol produz. O espanhol possui um gol e quatro assistências, números interessantes para quem praticamente desapareceu das últimas escolhas de Jair Ventura. Ficou no banco nas cinco partidas mais recentes.

E existe ainda Osvaldo. O veterano que parece atravessar os jogos como um personagem nostálgico de outra época do futebol. Relacionado frequentemente, utilizado raramente. Na Série A, entrou em campo apenas contra o Remo, na primeira rodada.

UM TIME À PROCURA DE SI MESMO

O Vitória enfrenta o Fluminense tentando responder uma pergunta que talvez atormente qualquer grande equipe: o que sobra quando falta o homem decisivo?

Porque o futebol não vive apenas de esquemas táticos. Vive de personagens. De figuras capazes de alterar o ambiente, contaminar o estádio e deformar o destino de uma partida com um único gesto.

Erick virou isso no Barradão. Um personagem. Um estado emocional. Um desses jogadores que fazem o torcedor acreditar em absurdos — e o futebol, no fundo, é exatamente isso: a arte irresponsável de acreditar no absurdo.

Contra o Fluminense, Jair Ventura precisará inventar outro caminho. Talvez descubra um novo protagonista. Talvez apenas sobreviva à ausência. Ou talvez o Vitória descubra, dolorosamente, que certos jogadores não possuem substitutos; possuem apenas saudades antecipadas.

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