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Escalação do Vitória contra o Flamengo: veja time provável, dúvidas e desfalques após treino

Com retornos importantes e uma multidão pronta para incendiar o Barradão, o Vitória encerra a preparação para enfrentar o Flamengo carregando nos ombros não apenas um resultado, mas uma obsessão coletiva.

Esporte Clube Vitória


Existem jogos que ultrapassam a matemática do placar e invadem o território da alma. O duelo desta quinta-feira transformou Salvador numa cidade inquieta, elétrica, tomada por uma ansiedade quase febril. 

O Vitória chega ao Barradão como quem carrega um velho drama nos ombros: ferido pela derrota no Maracanã, pressionado pela obrigação do resultado e, ao mesmo tempo, alimentado por aquela perigosa esperança que só o futebol é capaz de fabricar. Porque certos clubes, quando parecem encurralados, descobrem justamente aí a sua forma mais feroz de existir.

O Barradão amanheceu nesta quarta-feira com aquele ar das tragédias iminentes. O torcedor caminhava pelas ruas como quem leva uma oração clandestina no bolso. Porque o futebol, no fundo, não passa disso: uma sucessão de milagres adiados.

Jair Ventura fechou a preparação rubro-negra depois de três dias de trabalho intenso. O treino derradeiro teve coletivo, bolas paradas e o velho mistério que antecede as batalhas decisivas. O treinador sabe que enfrenta o Flamengo, mas também sabe que o Vitória costuma crescer quando a lógica aponta para o abismo.

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Eis a notícia que devolve oxigênio ao torcedor: Matheuzinho e Erick retornam após suspensão. Cacá, preservado por desconforto muscular, também deve reaparecer. Não são apenas jogadores. São peças emocionais de um time que aprendeu a sobreviver entre ausências, dores e improvisos.

Erick traz velocidade e vertigem. Matheuzinho devolve lucidez ao meio-campo. Já Cacá representa o homem que segura a parede quando o caos ameaça entrar pela porta da frente. O Vitória reencontra seus titulares justamente na véspera da partida mais dramática da temporada.

Mas o Rubro-Negro continua atravessando um corredor de enfermaria. Claudinho, Dudu, Edu, Mateus Silva, Camutanga, Riccieli, Pedro Henrique, Anderson Pato, Gabriel e Rúben Ismael seguem fora. O departamento médico parece um romance russo: corredores silenciosos, homens mutilados e esperanças penduradas em diagnósticos.

Ainda assim, o Vitória insiste. O homem habitua-se a tudo. O torcedor do Leão também. Habituou-se às quedas, às reconstruções e aos domingos de sofrimento. Mas nunca perdeu a capacidade de acreditar na explosão impossível.

A principal dúvida de Jair Ventura está justamente onde mora o pecado do futebol: o ataque. Renê e Renato Kayzer disputam a vaga como dois personagens condenados a dividir a mesma sentença. Um deles começará. O outro carregará no banco a angústia dos suplentes, esses homens que vivem entre a esperança e o esquecimento ou os dois podem jogar juntos.

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Provável escalação do Vitória:

Lucas Arcanjo; Nathan Mendes, Cacá, Luan Cândido e Ramon; Baralhas, Martínez e Zé Vitor; Erick, Matheuzinho e Renê (Renato Kayzer).

O cenário é brutal. O Vitória precisa vencer por um gol para levar a decisão aos pênaltis. Se vencer por dois ou mais, elimina o Flamengo no tempo normal e transforma o Barradão numa espécie de catedral pagã e o estacionamento em festa de largo.

E talvez seja justamente isso que explique o fascínio desta noite. O Flamengo chega carregando milhões, favoritismo e a natural arrogância dos gigantes. O Vitória entra em campo levando apenas sua arquibancada, sua fome e a convicção desesperada de que certas partidas são vencidas antes mesmo da bola rolar.

Porque há noites em que o futebol deixa de ser esporte e se transforma numa crise nervosa coletiva.


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