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Análise: Defesa sustenta o Vitória, e ataque decide contra o Inter

Enquanto os atacantes recolhiam os aplausos do Barradão, foi a defesa rubro-negra quem carregou o Vitória nos ombros e sufocou o Internacional 

Renê abre o placar contra o  Internacional

O placar dizia 2 a 0. Mas o futebol, às vezes, mente como um vigarista elegante. O Internacional rondou a área rubro-negra durante boa parte da noite, empurrou o Vitória contra o próprio gol, cercou, respirou no cangote da defesa e tentou transformar o Barradão em cenário de tragédia. Não conseguiu. Porque havia uma muralha vestida de vermelho e preto. E foi ali, entre carrinhos, divididas e coberturas desesperadas, que o Vitória venceu a partida muito antes do segundo gol de Diego Tarzia explodir no coração da arquibancada.

O torcedor rubro-negro talvez tenha saído do estádio com a imagem do gol de Renê grudada na retina. E com razão. A cabeçada do atacante teve qualquer coisa de sentença. Erick cruzou como quem entrega uma carta marcada ao destino, e Renê apareceu no alto para decretar: o Vitória pisaria primeiro no pescoço da noite.

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Mas, sem pestanejar, o verdadeiro herói do futebol quase nunca aparece na manchete. O herói é o sujeito enlameado, suado, anônimo. E nesta noite os heróis vestiam chuteiras de zagueiro.

Porque o Internacional teve a bola. Teve o campo. Teve o impulso ofensivo. Empurrou o Vitória para trás como quem tenta arrancar um confessionário da parede. Foram dezenove finalizações. Dezenove. E ainda assim Lucas Arcanjo precisou trabalhar de verdade apenas duas vezes. Eis a grandeza silenciosa da defesa rubro-negra: permitir o chute sem permitir a esperança.

Cacá jogou como um homem perseguido pelos próprios fantasmas. Apareceu nas coberturas, venceu divididas pelo alto, abafou atacantes e salvou companheiros que erraram passes perigosos na saída de bola. Baralhas vacilou. Erick vacilou. Jamerson também. Mas a defesa corrigia tudo como uma mãe cansada recolhendo os cacos da casa depois da tempestade.

O primeiro tempo revelou um Vitória econômico. Pouco criava, pouco avançava, mas quando encontrava espaço era cruel. Martínez perdeu oportunidade clara logo nos minutos iniciais. A torcida gemeu. Talvez ali estivesse o gol desperdiçado que costuma anunciar desgraças futuras. Mas Renê apareceu depois para impedir qualquer roteiro dramático.

O segundo tempo, contudo, foi de sobrevivência. O Internacional cresceu como um incêndio em cortina velha. O Vitória recuou. As linhas baixaram. O meio-campo já não respirava. E o Barradão começou a assistir ao jogo com o coração apertado, como quem segura uma vela acesa dentro de casa durante um vendaval.

O ataque rubro-negro desapareceu quase por completo. Contra-atacar virou uma miragem. Renato Kayzer ainda teve chance de matar a partida antes, mas desperdiçou. O relógio engordava a angústia da arquibancada. Até que, aos 51 minutos, Diego Tarzia atravessou a noite como um assassino de filme noir.

Luan Cândido venceu pelo alto, a bola sobrou limpa, e Tarzia invadiu a área para marcar o segundo gol. O Barradão explodiu não apenas de alegria, mas de alívio. Era o gol que libertava um estádio inteiro da tensão acumulada.

Jair Ventura talvez encontre nos atacantes os nomes mais celebrados da rodada. Renê vive fase luminosa. Erick participa de tudo que pulsa ofensivamente. Tarzia apareceu no instante decisivo. Mas o treinador sabe de uma verdade que o futebol costuma esconder: nenhum time suporta grandes noites sem uma defesa capaz de sangrar.

O Vitória venceu o Internacional porque atacou quando precisou. Mas sobretudo porque resistiu quando parecia encurralado. E há partidas em que resistir vale mais do que encantar.

Agora o Rubro-Negro volta suas atenções para a Copa do Nordeste. O time enfrenta o ABC nesta quarta-feira, às 21h30, na Arena das Dunas, defendendo a larga vantagem construída no Barradão após o histórico 6 a 2. Pelo Brasileirão, o próximo compromisso será diante do Santos, sábado, às 21h, na Vila Belmiro.

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