Dez anos depois, o atacante volta a encarar o Bahia em uma final de Campeonato Baiano — e tenta reencontrar, em noventa minutos de clássico, o protagonismo que já fez dele um furacão no futebol brasileiro
O torcedor do Vitória guarda na memória coletiva o ano de 2016 como se fosse uma fotografia antiga: um tempo em que Marinho corria como um personagem possuído pelo demônio da velocidade. Naquele campeonato, ele participou diretamente de 27 gols. Era gol, assistência, drible, caos. Era futebol em estado febril.
Mas o curioso — e o futebol adora essas contradições — é que nenhum desses momentos aconteceu justamente no palco mais dramático da Bahia: o Ba-Vi.
Dez anos depois, o destino resolve repetir a cena. Neste sábado, às 17h, na Casa de Apostas Arena Fonte Nova, Marinho volta a enfrentar o Bahia em uma final de Campeonato Baiano. O clássico não admite meio-termo: quem vencer levanta o troféu; se houver empate, a decisão vai para os pênaltis.
É o tipo de jogo que transforma homens comuns em personagens de tragédia esportiva.
“Já joguei alguns Ba-Vis. Como é bom poder jogar de novo uma final. Todo jogador ama esse tipo de jogo”, disse Marinho após a última partida contra o Juazeirense.
O histórico do atacante contra o rival é curioso. Em três Ba-Vis disputados pelo Vitória em 2016, foram duas vitórias dos rubro-negros e uma derrota. Mais tarde, vestindo as camisas de Ceará, Santos e Fortaleza, ele enfrentou o Bahia outras dez vezes. Ao todo, soma 13 confrontos, com seis vitórias, três empates e quatro derrotas — além de quatro gols marcados.
CANAL VITÓRIA EM DESTAQUE
Números que contam uma história, mas não contam tudo.
Porque o futebol, não é feito apenas de estatísticas. É feito de fantasmas.
E o fantasma que ronda Marinho atende por um nome simples: protagonismo.
Na atual temporada, o atacante ainda busca seu espaço no Vitória. Disputou quatro partidas, todas saindo do banco de reservas e sempre no Barradão. Foram apenas 84 minutos em campo — tempo suficiente para respirar o jogo, mas ainda insuficiente para dominá-lo.
Até agora, nenhum gol. Nenhuma assistência.
Mas há ironias que só o futebol permite. Na última partida do Vitória, foi justamente Marinho quem converteu o pênalti que confirmou a classificação do clube para a final do Campeonato Baiano.
O protagonista ausente tornou-se, por um instante, o autor da vírgula decisiva da história.
A campanha recente do atacante no clube inclui participações breves contra Jacuipense, Galícia, Bahia de Feira e Flamengo. Entradas rápidas, quase discretas — como se o antigo furacão agora estivesse aprendendo novamente a soprar.
Talvez seja esse o grande paradoxo do futebol: o herói de ontem muitas vezes precisa reaprender a ser coadjuvante antes de voltar a ser protagonista.
E no Ba-Vi, ninguém entra em campo neutro. O clássico transforma qualquer jogador em personagem de romance, de drama ou de tragédia.
Para Marinho, a final deste sábado pode ser muitas coisas ao mesmo tempo.
Pode ser apenas mais um jogo. Pode ser uma redenção silenciosa. Ou pode ser o instante em que um velho vendaval decide soprar outra vez.
Porque no futebol — como na vida — às vezes basta um gol para que o passado volte a respirar.


0 Comentários