Clube tenta contratar Anderson Pato sem custos e avança em acordo com o Sport por empréstimos de Zé Marcos e Claudinho
Enquanto a bola descansa à espera da semifinal, o Vitória se move nos bastidores: negocia o destaque do Juazeirense, Anderson Pato, e costura um acordo financeiro com o Sport envolvendo empréstimos e abatimento de dívidas.
No futebol, a negociação é sempre uma conversa entre esperança e planilha. O Vitória, nesta semana, fala baixo, mas calcula alto. Quer Anderson Pato, 23 anos, revelação tardia do Juazeirense, atacante de beirada esquerda, dois gols e duas assistências na primeira fase do Campeonato Baiano. Quer, sobretudo, sem pagar taxa de transferência.
O plano é claro: contrato até o fim de 2028, divisão de direitos econômicos e um acordo que permita ao clube exercer a compra definitiva caso o jogador atinja 20 partidas. O impasse mora nos números — o Vitória deseja 70% dos direitos; o Juazeirense aceita ceder 60%. Dez por cento, no futebol, pode ser a distância entre o acordo e o silêncio.
O presidente do Juazeirense, Roberto Carlos, confirma conversas avançadas, mas pondera a importância do atleta para a Copa do Brasil. O Cancão de Fogo admite liberá-lo após o Estadual. Nos corredores, comenta-se que clubes das Séries A e B também sondaram o atacante.
Anderson Pato não fez categorias de base. Brotou do futebol amador, brilhou no Intermunicipal de 2025 por Simões Filho e passou pela Segunda Divisão do Baiano com o Galícia em 2024. É um desses personagens que parecem escritos por um cronista: o menino que pula etapas e bate à porta do profissional.
Mas o drama não termina ali. Em paralelo, o Vitória e o Sport ajustam contas — literalmente. O clube baiano avançou em acordo para emprestar o zagueiro Zé Marcos e o lateral-direito Claudinho ao Leão da Ilha, com opção de compra ao fim da temporada.
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| Zé Marcos em treino do Vitória — Foto: Victor Ferreira/EC Vitória |
A negociação envolve um acerto financeiro delicado. O Vitória pagará parte dos salários dos atletas para abater multa referente à utilização do goleiro Thiago Couto em partida do Campeonato Brasileiro de 2025. A dívida original é de R$ 1,5 milhão. Após compensação envolvendo pendências do Sport pela contratação do atacante Léo Pereira em 2025, o valor foi ajustado para R$ 1 milhão.
Zé Marcos, canhoto, chegou sem custos e tem contrato até 2027. Viveu altos e baixos em 2025, mas acumulou 44 jogos, um gol e duas assistências. Não foi relacionado nos últimos compromissos por decisão técnica.
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Claudinho custou R$ 5,1 milhões aos cofres rubro-negros. Teve momentos de brilho, mas os problemas físicos o afastaram desde outubro. Em 31 partidas, marcou três gols e distribuiu uma assistência. Sai agora como quem deixa uma promessa incompleta.
O Vitória negocia jogadores como quem move peças de xadrez sob pressão. De um lado, aposta no jovem que veio do interior; de outro, reorganiza as contas para respirar. Entre percentuais e abatimentos, a diretoria tenta equilibrar sonho e realidade.
Porque no futebol — e talvez na vida — todo contrato é também um pacto com o imprevisível.



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