Emprestado pelo Independiente, atacante argentino de 22 anos vê no Brasileirão um passo decisivo na carreira, mas lamenta não poder atuar no Campeonato Baiano
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| Diego Tarzia durante apresentação no Barradão — Foto: Victor Ferreira/EC Vitória |
Apresentado oficialmente no Barradão, Diego Tarzia definiu o Vitória como “um grande passo” na carreira e revelou frustração por não poder disputar o Campeonato Baiano enquanto aguarda regularização para atuar no futebol brasileiro.
Diego Tarzia atravessou a fronteira como quem atravessa um espelho. Saiu do Independiente, um dos gigantes da Argentina, e pousou em Salvador com a convicção de que pisaria em algo maior que um gramado: pisaria em um destino.
Emprestado ao Vitória até o fim da temporada, o atacante de 22 anos foi apresentado nesta terça-feira no Barradão. Falou com serenidade, mas com a chama discreta de quem sabe que não há meio-termo no futebol brasileiro.
“Quando surgiu o interesse do Vitória, fiquei muito contente. Sinto que é um passo grande na minha carreira. O Brasileirão é uma das ligas mais importantes do mundo. Quando apareceu o Vitória, não pensei duas vezes”, disse.
Canhoto, Tarzia descreve-se como homem de esquerda — no campo. Prefere a ponta, mas aceita o centro. Ataca, recompõe, marca.
“Posso ajudar também na defesa, para depois sair no contra-ataque.”
É um jogador que fala em coletivo com naturalidade, como quem aprendeu cedo que talento sem disciplina é apenas vaidade.
O contrato é desses que misturam sonho e cláusula. O Vitória adquiriu 10% dos direitos econômicos por quase R$ 1 milhão e assumiu obrigação de comprar mais 70% por 2,3 milhões de dólares (cerca de R$ 12 milhões) até 31 de dezembro de 2026, caso metas sejam cumpridas. Se não forem, o Independiente recupera 100% do jogador. No futebol moderno, até o futuro tem porcentagem.
“Minha ideia é ficar. Quero ir bem para que o clube me compre. Este ano quero cumprir objetivos e que o Vitória tenha sucesso”, afirmou.
Tarzia iniciou a carreira profissional em 2024. Soma 66 partidas, sete gols e quatro assistências. Na última temporada, destacou-se na Copa Sul-Americana com três gols e duas assistências em sete jogos — lampejos que chamaram atenção do clube baiano.
Fora de campo, adota rotina quase monástica. “Vou viver 24 horas como jogador do Vitória: treinando, descansando, me alimentando bem.” A família o acompanhou nos primeiros dias; agora, a adaptação segue com apoio de um amigo. Ele elogia a estrutura do clube, que considera semelhante à do Independiente.
Mas há uma sombra no entusiasmo. Tarzia ainda não foi regularizado no BID da CBF e não poderá disputar o Campeonato Baiano. Está fora da semifinal contra o Jacuipense, domingo, às 17h, no Barradão.
“É uma tristeza grande. Teria sido bonito jogar o Baiano para me adaptar. Mas estou encarando da melhor maneira.”
Assistiu a três partidas do Vitória, incluindo o confronto contra o Flamengo e dois jogos do Estadual. Impressionou-se com a torcida. “É muito intensa, incentiva o time o jogo todo. É muito bonito.”
Enquanto aguarda a documentação, treina. Observa. Absorve. No futebol, às vezes o jogador estreia antes de tocar na bola — estreia na expectativa.
Tarzia chegou jovem, com sotaque estrangeiro e ambição declarada. O resto será decidido em campo, onde promessas não têm garantia e cada toque é uma sentença.


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