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Tarzia Chega Como Quem Cruza uma Fronteira — E Encontra no Vitória um Salto de Fé

Emprestado pelo Independiente, atacante argentino de 22 anos vê no Brasileirão um passo decisivo na carreira, mas lamenta não poder atuar no Campeonato Baiano

Diego Tarzia durante apresentação no Barradão — Foto: Victor Ferreira/EC Vitória
Diego Tarzia durante apresentação no Barradão — Foto: Victor Ferreira/EC Vitória

Por Redação — Salvador
25 de fevereiro de 2026


Apresentado oficialmente no Barradão, Diego Tarzia definiu o Vitória como “um grande passo” na carreira e revelou frustração por não poder disputar o Campeonato Baiano enquanto aguarda regularização para atuar no futebol brasileiro.

Diego Tarzia atravessou a fronteira como quem atravessa um espelho. Saiu do Independiente, um dos gigantes da Argentina, e pousou em Salvador com a convicção de que pisaria em algo maior que um gramado: pisaria em um destino.

Emprestado ao Vitória até o fim da temporada, o atacante de 22 anos foi apresentado nesta terça-feira no Barradão. Falou com serenidade, mas com a chama discreta de quem sabe que não há meio-termo no futebol brasileiro.

“Quando surgiu o interesse do Vitória, fiquei muito contente. Sinto que é um passo grande na minha carreira. O Brasileirão é uma das ligas mais importantes do mundo. Quando apareceu o Vitória, não pensei duas vezes”, disse.

Canhoto, Tarzia descreve-se como homem de esquerda — no campo. Prefere a ponta, mas aceita o centro. Ataca, recompõe, marca.

 “Posso ajudar também na defesa, para depois sair no contra-ataque.” 

É um jogador que fala em coletivo com naturalidade, como quem aprendeu cedo que talento sem disciplina é apenas vaidade.

O contrato é desses que misturam sonho e cláusula. O Vitória adquiriu 10% dos direitos econômicos por quase R$ 1 milhão e assumiu obrigação de comprar mais 70% por 2,3 milhões de dólares (cerca de R$ 12 milhões) até 31 de dezembro de 2026, caso metas sejam cumpridas. Se não forem, o Independiente recupera 100% do jogador. No futebol moderno, até o futuro tem porcentagem.

“Minha ideia é ficar. Quero ir bem para que o clube me compre. Este ano quero cumprir objetivos e que o Vitória tenha sucesso”, afirmou.

Tarzia iniciou a carreira profissional em 2024. Soma 66 partidas, sete gols e quatro assistências. Na última temporada, destacou-se na Copa Sul-Americana com três gols e duas assistências em sete jogos — lampejos que chamaram atenção do clube baiano.

Fora de campo, adota rotina quase monástica. “Vou viver 24 horas como jogador do Vitória: treinando, descansando, me alimentando bem.” A família o acompanhou nos primeiros dias; agora, a adaptação segue com apoio de um amigo. Ele elogia a estrutura do clube, que considera semelhante à do Independiente.

Mas há uma sombra no entusiasmo. Tarzia ainda não foi regularizado no BID da CBF e não poderá disputar o Campeonato Baiano. Está fora da semifinal contra o Jacuipense, domingo, às 17h, no Barradão.

“É uma tristeza grande. Teria sido bonito jogar o Baiano para me adaptar. Mas estou encarando da melhor maneira.”

Assistiu a três partidas do Vitória, incluindo o confronto contra o Flamengo e dois jogos do Estadual. Impressionou-se com a torcida. “É muito intensa, incentiva o time o jogo todo. É muito bonito.”

Enquanto aguarda a documentação, treina. Observa. Absorve. No futebol, às vezes o jogador estreia antes de tocar na bola — estreia na expectativa.

Tarzia chegou jovem, com sotaque estrangeiro e ambição declarada. O resto será decidido em campo, onde promessas não têm garantia e cada toque é uma sentença.

Fontes: Entrevista coletiva de apresentação de Diego Tarzia; informações oficiais do Esporte Clube Vitória e do Club Atlético Independiente. Dados atualizados em 24 de fevereiro de 2026.

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