Com lesões e recondicionamentos físicos, Jair Ventura busca solução interna para a camisa nove; Renato Kayzer deve retornar na semifinal contra o Jacuipense
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| Osvaldo em treino pelo Vitória — Foto: Victor Ferreira / EC Vitória |
Sem seus atacantes de ofício, o Vitória transformou a escassez em improviso. Jair Ventura recorreu a soluções internas, testou Fabri, promoveu Osvaldo e aguarda o retorno de Renato Kayzer para a semifinal do Campeonato Baiano.
Há times que têm um centroavante. O Vitória, neste início de temporada, tem um enigma. Manteve dois homens da camisa nove de 2025, contratou outro para 2026, mas o destino — esse técnico invisível — tratou de esvaziar o setor.
Renato Kayzer, titular em quatro das seis partidas sob o comando de Jair Ventura, soma 397 minutos e três gols no ano. Foi preservado contra o Galícia e deve estar à disposição para o confronto decisivo diante do Jacuipense, no Barradão. Não é um drama clínico. É cautela.
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Já Renzo López, o uruguaio que atravessou a última temporada, ainda se recupera de lesão sofrida no fim do ano passado. Pedro Henrique, recém-chegado do futebol chinês, vive processo de recondicionamento físico e sequer estreou. Lawan, jovem da base, teve apenas 12 minutos e observa da sombra. O futebol, às vezes, prefere a experiência ao frescor.
Restou a improvisação. Primeiro Fabri, com 119 minutos e uma assistência. Depois Osvaldo, que em 83 minutos passou de alternativa a possibilidade concreta.
Ventura explica com naturalidade quase doméstica:
“Nossos noves estão todos machucados, e o Osvaldo já fez essa função em outros clubes. Diferente do Fabri, ele tem mais refino, oferece triangulações. Jogamos com três meias, fizemos tabelas bonitas. Quem entra bem ganha minutagem.”
Há algo de teatral na cena. O ponta vira centroavante. O coadjuvante experimenta o protagonismo. Contra o Bahia de Feira, Osvaldo foi testado no segundo tempo. Diante do Galícia, começou como titular. E agradou.
O treinador admite que o clube sondou Derik Lacerda, do Cuiabá, mas a negociação esbarra na provável transferência do atleta para o exterior. A diretoria, portanto, fecha a janela e abre a prancheta.
“Trouxemos o Pedro, temos o Renzo e o Kayzer, mas perdemos os três. Gostei muito do Osvaldo. Ganhamos mais uma opção”, resumiu Ventura, descartando reforços imediatos.
O cenário para a semifinal do Campeonato Baiano é claro: jogo único, no Barradão. Não há espaço para testes prolongados. Kayzer deve retornar. Renzo e Pedro Henrique seguem como dúvidas remotas. Osvaldo permanece como alternativa real.
No futebol, a camisa nove costuma ser o endereço do gol. No Vitória de 2026, ela virou território de transição. Entre lesões, expectativas e improvisos, o time procura seu homem de área como quem procura uma certeza em meio ao caos.
Domingo, diante do Jacuipense, o Barradão exigirá definição. Porque semifinal não aceita ensaio. E o centroavante — seja ele quem for — terá de decidir.


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